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COISAS DA VIDA E DA CORRIDA (DIA 14 DA MARATONA)

por The Cat Runner, em 14.03.18

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A corrida tem-me ensinado algumas coisas.

Coisas sobre ser, sobre ver, sobre a vida, até sobre a morte, que já corri, para poder gritar, sózinho, eu e o céu.

Olhe, ensinou-me, recentemente que devo comer com regularidade e sempre antes de treinar, ao contrário do que fiz durante anos.

Olhe, ensinou-me que faz sentido a teoria da cabeça;

"Corpo são em mente sã".

Quando a cabeça está ausente, o corpo perde-se, tal como a vontade.

Se és resiliente e vestes o equipamento e sais para treinar, daí até ao fim, sabes bem, será um brutal pesadelo.

Tudo te pesa, tudo te dói, tudo te irrita, tudo te impede, mas tu vais.

"Se a cabeça não estiver bem, esquece, Zé, nada funciona", disse-me o meu treinador. Confirmei.

Tenho treinado, nos últimos dias, como sempre, desde o dia em que me coloquei este desafio, com a certeza que vou cruzar a meta, em Berlim.

Mas, tem havido dias muito difíceis, que só me vieram comprovar a teoria.

Isto fez-me pensar em algumas coisas da vida.

É, a vida, um processo de transformação, resume-se quase a isso. Então olha-a de frente, José.

Ontem fiz o melhor treino, desde que esta aventura começou.

Quando sentes o cansaço, mas ele sabe bem, em vez de te prender ao chão, quando corres mais rádio, quase sem te dares conta, não fossem os registo do relógio, quando terminas, transpirado até dizer não, quando acordas no dia seguinte e sentes que estás vivo.

Corri abaixo dos seis minutos por quilómetro, sem qualquer dor, sem qualquer desconforto, gozando em pleno a corrida.

Nestes últimos dias, uma das muitas coisas da vida em que tenho pensado é na forma de ser feliz. Isso passa pela corrida, haja cabeça.

Desde Janeiro que questiono diariamente se, de facto, isto irá até ao fim.

Confesso, por vezes sinto-me tão em baixo que questiono tudo.

O que não faz uma corrida.

Ontem, depois de correr, voltei a sentir-me leve, em paz, feliz. Hoje acordei assim, a acreditar que a vida tem aquele lado sereno, embora demore, por vezes, a encontrar. Tamanhos conflitos interiores.

Quero poder dizer: sou maratonista, isso quero, mas a minha aventura já valeu a pena e mal começou.

O que não faz uma corrida, um momento mágico, um instante.

Há, depois, mais coisas da vida, como a emoção, os sentimentos, os afectos.

Tenho tido a sorte de ter encontrado, nestes dias de Inverno, pessoas que não saem do meu lado, pessoas que me empurraram para aqui, até aqui.

É também por elas que vou continuar, porque naquele sábado que tanto desejo, quando passar a linha de chegada é para estas pessoas, tão especiais na minha vida, que irei levantar os braços, olhá-las de frente, para que vejam o rosto do esforço, para que saibam que a minha amizade é eterna, incondicional.

Voltei a acreditar.

Em mim, na vida, na minha corrida.

É de maratonas que gosto.

É por isso que gosto da vida.

Lutar ou vencer.

Não há outra hipótese, apenas uma escapatória:

amar, muito.

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É A VIDA, JOSÉ ! ( DIA 12 DA MARATONA )

por The Cat Runner, em 21.02.18

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As coisas estão a correr bem.

Quero dizer, algumas, que não podemos agradar à vida a cem porcento, nem ela a nós.

Coisas da vida!

Bom, neste momento sei que acordo com o meu coração a bater ali à volta das 155 batidas por minuto, todos os dias.

Há quase dois meses que tiro a pulsação, sempre que acordo, de acordo ( a repetição da palavras foi de propósito ) com o determinado pelo meu treinador. Também registo outros dados diários, que não são para aqui chamados, agora. Faz parte do plano.

Este mês fiz seis corridas. Hoje faço a sétima.

As coisas estão a correr bem.

Mas, não é para deitar foguetes, que a qualquer momento tudo pode mudar.

Coisas da vida!

As primeiras corridas, de 35 minutos, foram servindo para testar o estado das minhas pernas.

As seis corridas que faltam, para completar o mesociclo (este mês) têm o mesmo objectivo das primeiras. As próximas vão passar a ser de 45 minutos. Faz parte do plano.

Acontece que, sinto as pernas cada vez melhores.

Na última corrida, pela primeira vez, em dois anos, praticamente não senti desconforto no gémeo direito. Apenas um resquício.

A corrida foi feita em passadeira ( uma vez não faz mal ). Agora, na próxima, na rua, é o tira-teimas. Ou vai, ou racha (mais rachas não, please).

Para lá deste brutal desafio que é conjugar o treino com a regeneração das pernas, há o desafio psicológico.

Por exemplo, enquanto escrevo apareceu-me a tal sensação de desconforto.

É mental.

Estou a escrever e o meu sub-consciente está a correr, com dores e desconforto.

Só pode ser ele, visto que eu ainda estou no sofá, só vou correr ao fim do dia.

Isto pode não parecer nada, mas para um tipo que quer ir correr uma maratona, pela primeira vez, isto é imenso.

Nunca, na vida, me deixei derrotar pela mente, mas passar esta barreira está a ser mais difícil que o Harry Potter passar a parede da plataforma 9 3/4.

Hoje, finalmente, vou ao tira-teimas.

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Tenho o estômago colado e uma dispensável sensação de ansiedade.

Pode parecer nada, mas isto é imenso, para mim.

Se hoje as pernas não me doerem, de todo, estou apto a passar à fase 3 do plano de treino.

Concluir as corridas que faltam, em Fevereiro, porque aproveito sempre e coloco mais quilómetros nas pernas, e continuo a garantir que o calvário chegou ao fim.

Depois, em Março, começamos os treinos mais focados na maratona. As rampas, as séries, o ginásio, que quanto à alimentação a coisa vai indo, embora seja chato ter que comer 5 vezes por dia, e preparar tudo, e isso.

O que sinto é que estou a conquistar coisas, umas atrás das outras.

E, já que não podemos agradar à vida a cem porcento, nem ela a nós, ao menos que alguma coisa faça sentido.

Correr faz todo o sentido, para mim.

É a vida. Faz parte do plano.

Viver.

Correr.

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SEM STRESS ( DIA 11 DA MARATONA)

por The Cat Runner, em 09.02.18

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Hoje falhei o primeiro treino, verdade !

Na segunda feira corri pela primeira vez, em dois anos, sem dores, ao fim de cinco semanas de paragem.

Na terça descansei.

Na quarta voltei a correr, numa inquietude só desfeita no fim da corrida.

Hoje devia fazer treino de pernas, no ginásio, e baldei-me.

Mas, como isto é um caso sério pedi a opinião ao meu treinador, que de forma clara me disse que devia fazer o treino.

Só que o dia já ia longo e já não tinha tempo útil de ir ao ginásio - a pessoa tem que arrumar a casa e assim, quando a dona Cristina fica doente e não nos pode vir ajudar -, dediquei-me ao lar.

Arrumei tudo, limpei tudo, e vim escrever.

Perguntei-lhe, então, ao meu treinador se podia fazer “pernas” no sábado.

Que não, que domingo volto a ter treino de corrida e é melhor não.

Sugeri metermos este treino no plano da próxima semana.

“Sem stress”, respondeu-me.

O José Carlos Santos transmite a calma e a segurança necessárias, para acreditar que a minha ideia louca vai fazer sentido.

Salta-se o treino e não se fala mais nisso.

 

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