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por The Cat Runner, em 09.02.18

SEM STRESS ( DIA 11 DA MARATONA)

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Hoje falhei o primeiro treino, verdade !

Na segunda feira corri pela primeira vez, em dois anos, sem dores, ao fim de cinco semanas de paragem.

Na terça descansei.

Na quarta voltei a correr, numa inquietude só desfeita no fim da corrida.

Hoje devia fazer treino de pernas, no ginásio, e baldei-me.

Mas, como isto é um caso sério pedi a opinião ao meu treinador, que de forma clara me disse que devia fazer o treino.

Só que o dia já ia longo e já não tinha tempo útil de ir ao ginásio - a pessoa tem que arrumar a casa e assim, quando a dona Cristina fica doente e não nos pode vir ajudar -, dediquei-me ao lar.

Arrumei tudo, limpei tudo, e vim escrever.

Perguntei-lhe, então, ao meu treinador se podia fazer “pernas” no sábado.

Que não, que domingo volto a ter treino de corrida e é melhor não.

Sugeri metermos este treino no plano da próxima semana.

“Sem stress”, respondeu-me.

O José Carlos Santos transmite a calma e a segurança necessárias, para acreditar que a minha ideia louca vai fazer sentido.

Salta-se o treino e não se fala mais nisso.

 

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publicado às 17:16


por The Cat Runner, em 31.01.18

VOLTEI A TER PERNAS ( DIA 9 DA MARATONA )

 

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Passaram quatro semanas, desde que comecei a narrar aqui a minha aventura, que vai durar até Setembro.

Poucas coisas me correm bem na vida, mas esta correu como previsto, pelo menos tem estado a correr.

Quatro semanas depois tive “alta” das pernas.

As contracturas desapareceram todas (resta restos de uma, mas já lhe ganhei carinho), depois do tratamento-choque à base de massagens ( 7 em 4 semanas) e mudança brusca de hábitos alimentares, mais vitaminas e magnésio.

“Primeiro objectivo atingido, as tuas pernas estão prontas”, disse-me o meu treinador, depois de mais uma sessão de massagens.

“Volto a dizer que nunca vi uns gémeos como os teus, não sei como conseguias correr com tantas contracturas. Agora vamos dar mais um passo em frente”.

Foi, provavelmente, a melhor notícia que recebi este ano, que não tem sido um ano nada fácil, mas isso são outras histórias.

Comecei mal o dia, aquela cena da austeridade, o recibo de vencimento sem duodécimos e sem mais um bocado de dinheiro que tanto me custa a ganhar.

Fiquei neura, quando fico neura refugio-me, mas hoje tinha que ir fazer 40 minutos de bicicleta, porque hoje era dia de massagens e o meu treinador queria perceber como é que as pernas iam responder após três semanas sem grande esforço.

Não tinha como não ir.

Pedalei 14 quilómetros, alonguei bem, fiz-me à estrada e não, ainda não me passou a neura, só vejo as caras do Socrates, do Passos e do Costa à frente e esta vontade de lhes fazer maldades ainda me consome.

Mas, diz-me o José Carlos: “tivemos sucesso com as tuas pernas”, e isso alegrou-me.

“Sabes do que tenho saudades?”, perguntei-lhe eu, depois de desabafar com ele sobre a revolta que me invade por causa desta gente que comanda este país, gente que eu não respeito, nem que morra agora, aqui. Lamento.

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O meu treinador ouviu o meu desabafo austero, e foi-me animando, à medida que os seus dedos se cravavam nos meus músculos e me ia dando as boas notícias.

“Tenho saudades, nem que seja de correr só um bocadinho”.

“Não te preocupes, para a semana vamos introduzir a corrida, no treino”.

Foi o que precisava de ouvir, para vir escrever este texto, se não aposto que ia ficar aqui, comigo próprio a chamar nomes a estes filhos de uma enorme meretriz.

O desporto faz parte da minha vida, é a ele que recorro para  aguentar toda esta porcaria, os impostos, o trabalho, a corrupção, as preocupações, esta vida cada vez mais merdosa que nos impõem.

Não corro há quatro semanas, que fique claro.

Nos dias que faltam até ao fim de semana vou continuar a fazer reforço de pernas, core e membros superiores, e até lá vou receber o “mesociclo” que  meu treinador me vai enviar e iremos falar ao telefone para acertar detalhes desta segunda fase, mas para a semana tudo vai mudar, outra vez.

A maratona é ali à frente.

Até lá é lutar, contra mim, contra os fantasmas, contra este sistema abjecto, e acreditar, acreditar em mim, sobretudo e sobreviver.

Acreditar que se eu consigo passar da noite para o dia e fazer-me à vida, porque quero correr a maratona, acreditar que estando focado me abstraio do resto, acreditar que estas elites, um dia, um dia vão meter a mão na consciência.

Eu sei, sou um utópico.

Esta gente só mete a mão nos bolsos, dos outros, sabem lá eles o que é consciência.

Agora só quero que chegue segunda feira, para voltar a correr como se não houvesse amanhã.

Por dores nas pernas já não as há.

Valha-me isso, pelo menos, porque de dores está a minha alma cheia.

Nunca estive tão farto, como agora!

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publicado às 21:49


Uma cena sobre corrida em geral e running em particular e também sobre a vida que passa a correr. Aqui corre-se. Aqui só não se escreve a correr. Este não era um blog sobre gatos. A culpa é da Alice.

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