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São vinte quilómetros, senhoras e senhores.

Parece fácil mas é uma carga de trabalhos.

Escrever um quilómetro não é uma tarefa simples, quanto mais vinte, quanto mais quarenta e dois e mais uns pózinhos, só que a vida não é, ela própria fácil.

Falemos, a partir daqui, de superação, essa palavra tantas vezes dita, que tanta gente guia, por essa vida fora.

É disso que se trata.

Trata-se de tomadas de decisão. É isso que fazemos dia-após-dia, tomamos as decisões que entendemos serem as melhores, para nós, para aqueles que amamos, para os outros.

Mas, é o “eu” que deve sobrepor-se ao que nos rodeia. Sobrepor-se sem anular o que nos rodeia, valorizando, mais e mais.

Não há outra forma de correr esta estrada, quando o desafio nos chega e nos enfrenta.

Não somos nós, embora queiramos pensar que sim, que o enfrentamos, nunca assim foi.

Somos nós que queremos transformar as nossas dúvidas em certezas, somos nós que queremos que os nossos sonhos e desejos sejam reais.

O que nos rodeia ajuda ou dificulta, por isso também deve ser valorizado.

Vale a pena acordar, sair da cama, lavar a cara, sorrir ao espelho, para nós próprios.

Agir, em vez de ficarmos a sonhar na esperança que os pesadelos passem quando abrimos os olhos.

Quando agimos, persistentes, corajosos, os desejos realizam-se.

E, por vezes, é esse o momento em que percebemos que, afinal, não estamos sós.

Sem medo, sem medo do que está para chegar, porque a coragem está do nosso lado.

Uma maratona só se corre com coragem, tenha ela a distância que tiver, porque só vivemos uma vida.

Quando decidi ir correr a maratona, nas ruas de Berlim, um dos meus objectivos passava por criar em mim uma motivação especial, para sair do marasmo a que os meus dias me tinham condenado.

Acordar dos sonhos, matar os pesadelos.

Corri atrás daquilo que queria, embora tenha escolhido o mais dos exigentes testes, havia outros, mas era a maratona que eu queria, pela dureza que ele representa, pelas marcas que deixou em mim.

Ou morro ou mato-me, como diria o outro.

Ou vivo, ou viverei, como digo eu.

Eu. Ponto.

Este texto soa a um exercício de narcisismo, mas está muito longe disso.

Pelo contrário.

Ele fala de mim, porque sou eu que o escrevo, sou eu quem o corre, dureza, dificuldade, ousadia, coragem, porque não basta desejar, é preciso merecer, fazer por merecer, seguir em frente.

Viver é como correr, é estar em constante movimento, respirar sem parar, é ter um plano, um trajecto e tentar não nos desviemos da rota, a não ser que tenhamos que a corrigir, não para encurtar o caminho, mas para o tornar mais acessível, porque o fim é lá à frente.

Começar pelas pequenas coisas, um dia de cada vez, para ganhar confiança, a nossa e a dos outros e sermos mais merecedores daquilo que temos, daquilo a que queremos.

Eu não tenho muitos amigos, tenho muitas pessoas que conheço, a maioria, fruto da minha (pouca, felizmente) exposição pública, à qual tento fugir cada vez mais e mais, sempre a correr.

Os meus amigos eu sei perfeitamente quem são e, por vezes, erro, correndo até alguns riscos, na avaliação que faço deles.

O Carlos Samora é um desses meus amigos.

É uma espécie de irmão mais velho, que nunca tive, sempre pronto para mim, para tudo, já lá vão quase vinte e cinco anos.

Ainda ontem, no Centro de Saúde, quando fui à consulta, um daqueles senhores que tem a mania que sabe tudo, daqueles chatos que temos que aturar pra não sermos indelicados (até porque, na verdade, nunca nos fizeram mal) me dizia, insistia, que o Carlos tinha ido comigo a Berlim.

"Então, a maratona, como é que correu e o Samora, também foi correr?".

“Não foi, garanto-lhe, o Carlos apenas ajudou nesta operação, a vários níveis, mas não esteve em Berlim”, tentei que compreendesse, do alto da sua certeza, encostado ao balcão das informações.

"Claro que foi, eu vi que ele esteve em Berlim", insitiu, chato, como sempre que o encontro.

"Se calhar o senhor viu foi fotografias com a camisola do restaurante do Carlos, só pode ser isso".

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“Esteve em Berli, então eu não sei, o não sei das quantas disse-me que esteve, que o viu lá”, carregou na sua certeza.

“Se o senhor diz que esteve, então esteve, mas não foi comigo”.

Entretanto, a voz do doutro Manuel chamam-me no intercomunicador do centro de Saúde.

Salvo pelo gongo, que até eu, um gajo que leva com tudo e com todos, perco a paciência, sobretudo, perante pessoas extremamente fúteis, tão fúteis que se tornam irritantes, como naqueles instantes em que estás a correr e queres parar, sabendo que não podes, nem deves parar, porque ainda faltam mais vinte e dois quilómetros para o fim e entras em stress.

Iso aconteceu-me em Berlim, várias vezes durante a corrida.

Ninguém é de ferro, nem os tipos que correm maratonas, garanto.

O Carlos Samora esteve em Berlim, sim senhor, naquele domingo.

Mas, não dava para explicar ao tipo chato, ele nunca iria entender.

Naquele domingo dezenas de pessoas estiveram comigo em Berlim, durante aquelas cinco horas - vi ontem que a aplicação Strava me deu 5.02H, ao contrário das 5.11H - tempo oficial).

Eu sei que estiveram, porque as redes sociais me mostraram.

Isso não tem preço, porque ninguém se supera sempre sozinho, a não ser os fora-de-série, que também os há.

A superação é uma coisa que às vezes se consegue, não basta querer, por isso só as vezes se consegue.

Motivação, sobretudo.

As pessoas motivam-me, até aquele momento em que me desiludem e o Carlos nunca me desiludiu, talvez em já o tenha desiludido.

Dezenas de pessoas levaram-me ao colo durante todo aquele tempo e, sim, o Carlos Samora esteve comigo, no meu coração, em Berlim.

Mas, foi chegado a Portugal que, realmente, finalmente, percebi o amigo que ali tenho.

Berlim também serviu para isso, separar o trigo do joio da vida. Berlim, abençoada Berlim, serviu-me para tanta coisa, ensinou-me tanta coisa.

Foi dias depois que descobri uma fotografia, no Facebook, na qual eu estava identificado.

Essa fotografia, a que ilustra este texto, retrata uma folha de papel, com uma simples palavras que eu não vi, em Berlim mas, estranhamente, senti.

“Força Zé Quaresma, estamos contigo”.

Acrescento, até ao fim e depois também.

A meia maratona aproxima-se.

É o próximo quilómetro.

É a partir daqui, a partir de agora, que a coisa se vai pôr fina, complicada, extremamente complicada, para mim e para uns largos milhares que cortaram a meta atrás de mim, quase metade dos participantes.

Já fui visitar o Carlos, mas ainda não lhe mostrei a medalha.

Quero fazer-lhe surpresa.

Eu conheci o Carlos no dia em que andava à procura de um espaço para fazer o meu casamento, nessa altura ele já tinha a Coudelaria, um dos melhores restaurantes do mundo, em pleno coração da Lezíria, na Companhia das Lezírias, aqui ao lado da minha casa.

Nesse dia ele pagou-me um café, paga-me sempre um café, quando o visito, e ficámos amigos, para sempre.

Ainda por cima, o Carlos jogava às quintas ferias na Tapadinha, com a malta com quem eu também jogava futsal.

 

Depois, decidi ficar esperto e deixei essas coisas da bola, que só me traziam lesões e pouco mais.

Hoje, ao escrever este texto reparo que a minha amizade  com o Carlos dura quase metade da minha vida.

É por ele que corro este quilómetro, enquanto tenho forças porque, tal como disse, vem aí o resto da maratona, o que falta é igual ao que já corri e, também como eu disse, quando agimos, persistentes, corajosos os desejos realizam-se.

O Carlos Samora ( sim, é primo do Rogério Samora) ajudou-me e muito a realizar este meu desejo, este sonho, esta prova de superação, que ninguém é grande sózinho, só os génios e, sempre, como sempre, a meu lado, com a aquele sorriso fantástico, por baixo daquelas barbas sempre brancas, que me fazem lembrar o Pai Natal.

Enquanto tomava o café e comia aqueles bolos em miniatura que ele faz questão de me oferecer, realizei que esse era o momento em que percebemos que, afinal, não estamos sós.

E, como isso é tão importante, tão decisivo, tão encorajador.

Uma maratona só se corre com coragem, tenha ela a distância que tiver, e nós só vivemos uma vida.

Abracemos os nossos amigos.

Hei-de ir aí, em breve, para te mostrar a nossa medalha.

Entrámos no quilómetro vinte e um.

 

 

 

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COISAS DA VIDA E DA CORRIDA (DIA 14 DA MARATONA)

por The Cat Runner, em 14.03.18

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A corrida tem-me ensinado algumas coisas.

Coisas sobre ser, sobre ver, sobre a vida, até sobre a morte, que já corri, para poder gritar, sózinho, eu e o céu.

Olhe, ensinou-me, recentemente que devo comer com regularidade e sempre antes de treinar, ao contrário do que fiz durante anos.

Olhe, ensinou-me que faz sentido a teoria da cabeça;

"Corpo são em mente sã".

Quando a cabeça está ausente, o corpo perde-se, tal como a vontade.

Se és resiliente e vestes o equipamento e sais para treinar, daí até ao fim, sabes bem, será um brutal pesadelo.

Tudo te pesa, tudo te dói, tudo te irrita, tudo te impede, mas tu vais.

"Se a cabeça não estiver bem, esquece, Zé, nada funciona", disse-me o meu treinador. Confirmei.

Tenho treinado, nos últimos dias, como sempre, desde o dia em que me coloquei este desafio, com a certeza que vou cruzar a meta, em Berlim.

Mas, tem havido dias muito difíceis, que só me vieram comprovar a teoria.

Isto fez-me pensar em algumas coisas da vida.

É, a vida, um processo de transformação, resume-se quase a isso. Então olha-a de frente, José.

Ontem fiz o melhor treino, desde que esta aventura começou.

Quando sentes o cansaço, mas ele sabe bem, em vez de te prender ao chão, quando corres mais rádio, quase sem te dares conta, não fossem os registo do relógio, quando terminas, transpirado até dizer não, quando acordas no dia seguinte e sentes que estás vivo.

Corri abaixo dos seis minutos por quilómetro, sem qualquer dor, sem qualquer desconforto, gozando em pleno a corrida.

Nestes últimos dias, uma das muitas coisas da vida em que tenho pensado é na forma de ser feliz. Isso passa pela corrida, haja cabeça.

Desde Janeiro que questiono diariamente se, de facto, isto irá até ao fim.

Confesso, por vezes sinto-me tão em baixo que questiono tudo.

O que não faz uma corrida.

Ontem, depois de correr, voltei a sentir-me leve, em paz, feliz. Hoje acordei assim, a acreditar que a vida tem aquele lado sereno, embora demore, por vezes, a encontrar. Tamanhos conflitos interiores.

Quero poder dizer: sou maratonista, isso quero, mas a minha aventura já valeu a pena e mal começou.

O que não faz uma corrida, um momento mágico, um instante.

Há, depois, mais coisas da vida, como a emoção, os sentimentos, os afectos.

Tenho tido a sorte de ter encontrado, nestes dias de Inverno, pessoas que não saem do meu lado, pessoas que me empurraram para aqui, até aqui.

É também por elas que vou continuar, porque naquele sábado que tanto desejo, quando passar a linha de chegada é para estas pessoas, tão especiais na minha vida, que irei levantar os braços, olhá-las de frente, para que vejam o rosto do esforço, para que saibam que a minha amizade é eterna, incondicional.

Voltei a acreditar.

Em mim, na vida, na minha corrida.

É de maratonas que gosto.

É por isso que gosto da vida.

Lutar ou vencer.

Não há outra hipótese, apenas uma escapatória:

amar, muito.

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É A VIDA, JOSÉ ! ( DIA 12 DA MARATONA )

por The Cat Runner, em 21.02.18

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As coisas estão a correr bem.

Quero dizer, algumas, que não podemos agradar à vida a cem porcento, nem ela a nós.

Coisas da vida!

Bom, neste momento sei que acordo com o meu coração a bater ali à volta das 155 batidas por minuto, todos os dias.

Há quase dois meses que tiro a pulsação, sempre que acordo, de acordo ( a repetição da palavras foi de propósito ) com o determinado pelo meu treinador. Também registo outros dados diários, que não são para aqui chamados, agora. Faz parte do plano.

Este mês fiz seis corridas. Hoje faço a sétima.

As coisas estão a correr bem.

Mas, não é para deitar foguetes, que a qualquer momento tudo pode mudar.

Coisas da vida!

As primeiras corridas, de 35 minutos, foram servindo para testar o estado das minhas pernas.

As seis corridas que faltam, para completar o mesociclo (este mês) têm o mesmo objectivo das primeiras. As próximas vão passar a ser de 45 minutos. Faz parte do plano.

Acontece que, sinto as pernas cada vez melhores.

Na última corrida, pela primeira vez, em dois anos, praticamente não senti desconforto no gémeo direito. Apenas um resquício.

A corrida foi feita em passadeira ( uma vez não faz mal ). Agora, na próxima, na rua, é o tira-teimas. Ou vai, ou racha (mais rachas não, please).

Para lá deste brutal desafio que é conjugar o treino com a regeneração das pernas, há o desafio psicológico.

Por exemplo, enquanto escrevo apareceu-me a tal sensação de desconforto.

É mental.

Estou a escrever e o meu sub-consciente está a correr, com dores e desconforto.

Só pode ser ele, visto que eu ainda estou no sofá, só vou correr ao fim do dia.

Isto pode não parecer nada, mas para um tipo que quer ir correr uma maratona, pela primeira vez, isto é imenso.

Nunca, na vida, me deixei derrotar pela mente, mas passar esta barreira está a ser mais difícil que o Harry Potter passar a parede da plataforma 9 3/4.

Hoje, finalmente, vou ao tira-teimas.

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Tenho o estômago colado e uma dispensável sensação de ansiedade.

Pode parecer nada, mas isto é imenso, para mim.

Se hoje as pernas não me doerem, de todo, estou apto a passar à fase 3 do plano de treino.

Concluir as corridas que faltam, em Fevereiro, porque aproveito sempre e coloco mais quilómetros nas pernas, e continuo a garantir que o calvário chegou ao fim.

Depois, em Março, começamos os treinos mais focados na maratona. As rampas, as séries, o ginásio, que quanto à alimentação a coisa vai indo, embora seja chato ter que comer 5 vezes por dia, e preparar tudo, e isso.

O que sinto é que estou a conquistar coisas, umas atrás das outras.

E, já que não podemos agradar à vida a cem porcento, nem ela a nós, ao menos que alguma coisa faça sentido.

Correr faz todo o sentido, para mim.

É a vida. Faz parte do plano.

Viver.

Correr.

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SEM STRESS ( DIA 11 DA MARATONA)

por The Cat Runner, em 09.02.18

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Hoje falhei o primeiro treino, verdade !

Na segunda feira corri pela primeira vez, em dois anos, sem dores, ao fim de cinco semanas de paragem.

Na terça descansei.

Na quarta voltei a correr, numa inquietude só desfeita no fim da corrida.

Hoje devia fazer treino de pernas, no ginásio, e baldei-me.

Mas, como isto é um caso sério pedi a opinião ao meu treinador, que de forma clara me disse que devia fazer o treino.

Só que o dia já ia longo e já não tinha tempo útil de ir ao ginásio - a pessoa tem que arrumar a casa e assim, quando a dona Cristina fica doente e não nos pode vir ajudar -, dediquei-me ao lar.

Arrumei tudo, limpei tudo, e vim escrever.

Perguntei-lhe, então, ao meu treinador se podia fazer “pernas” no sábado.

Que não, que domingo volto a ter treino de corrida e é melhor não.

Sugeri metermos este treino no plano da próxima semana.

“Sem stress”, respondeu-me.

O José Carlos Santos transmite a calma e a segurança necessárias, para acreditar que a minha ideia louca vai fazer sentido.

Salta-se o treino e não se fala mais nisso.

 

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LEVEI OS PAIS AO PARQUE INFANTIL

por The Cat Runner, em 05.06.17

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O meu domingo foi especial.

Levei os meus pais a uma corrida.

Foi, aos 65 e 68 anos, a sua primeira vez, e a minha, também.

Uma das mais belas manhãs dos meus domingos, e como os meus domingos são belos, mesmo aqueles que teimam em fazer-me cara de mau. Às vezes acontece-me o domingo fazer-me cara de mau, que não há dias perfeitos.

Nem eu sou perfeito, eu atraso-me, em tudo, até mesmo enquanto corro.

Mas, nunca me atraso quando vou correr, isso nunca.

Às sete e meia da manhã estava à porta de casa dos meus pais.

O meu filho disse que queria ir, o meu irmão também disse, mas eles são tão, mas tão parecidos, que até nesta falta de afecto, porque esta foi uma prova de afecto, eles falham da mesma foram.

Irrito-me, quando os meus não dão o valor devido às coisas, ao casamento, aos pais, aos momentos únicos.

Depois, tudo passa.

Eles ficaram a dormir, bons sonhos a ambos.

Foi a única coisa que me irritou, nesta especial manhã de domingo.

 

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EU, CORREDOR, ME CONFESSO

por The Cat Runner, em 12.05.17

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Encontrei muitos peregrinos nestas duas últimas semanas.

Quando digo muitos quero dizer muitos mesmo.

Vinham todos da Estrela do Sul, lá do lado longe, que lhes oferece a caminhada obstinada, que se-me atravessam ao caminho, de frente, fé.

Durantes as duas últimas semanas encontrei e cruzei-me com muitos peregrinos, todos os dias, enquanto corria no meu santuário espiritual, junto ao meu rio de afectos. Via-lhes no rosto, afecto, felicidade, ou quando saía da auto-estrada, para entrar no meu mundo secreto, casa, família, trilhos.

Todos os dias, nas duas últimas semanas.

As imagens que guardo são dos dias de corrida.

 

 

 

 

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NESTE BLOG TAMBÉM SE CORRE, NÃO É SÓ GATAS!

por The Cat Runner, em 18.11.16

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O blog do Gato que Corre vai oferecer 10 - leu bem - 10 vouchers para a "Évora Running Wonders - EDP Distribuição Meia Maratona Corrida Monumental".

É dia 27, domingo.

No ano passado, na primeira edição, cerca de 6.500 participantes, de vários pontos do país e do mundo, marcaram presença na novel etapa de Évora do Running Wonders - EDP Distribuição Meia Maratona Corrida Monumental.

Em breve diremos como pode ter acesso aos vouchers para participar na edição deste ano.

Basta seguir o blog - e, por entre a saga de Alice, ir descobrindo como ganhar o seu voucher.

Correr na monumental e bela Évora, património mundial, Alentejo do nosso encanto, é uma experiência que qualquer runner quer viver.

O "The Cat Run" vai abrir a dez pessoas a porta desta experiência.

Meia maratona, dez e cinco quilómetros. É estar atento(a) e escolher.

Espreite o vídeo e diga lá que não vale a pena...

 

"O Gato"

 

 

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ALICE A BRUXA

por The Cat Runner, em 05.11.16

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Dia 35

04/11/2016

 

Sobre festas...

 

Doçura ou travessura?

Nada contra.

Não tenho nada contra o Halloween, bem pelo contrário, não tenho nada contra as formas que as pessoas encontram para serem felizes.

Embora, escrito desta forma, com esta foto a acompanhar, possa, admito soar a ironia, mas não o é. Por certo.

Ao contrário da maioria das pessoas eu não tenho sempre opinião sobre tudo e não me manifesto. Se o Halloween não tem raízes portuguesas, mas os portugueses gostam de comemorar, porque não?

Não creio que o Pai Natal (a melhor activação de marca da história) tenha qualquer ligação a Portugal e, no entanto, até eu adoro o Natal, embora agora beba menos Coca-Cola, por causa da beleza exterior ao nível do abdómen.

Não veio mal ao mundo, a pasta de dentes cheirava bem e saiu com facilidade, notou-se algum cuidado na preparação do ataque, efectuado por criaturas de tamanho pequeno, mas imaginação larga, basta observar as teias penduradas, revela preparação, o que é digno de registo.

Surpreendido, mas divertido.

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Ao sair do elevador, enquanto a luz acendia (já informei várias vezes que o sensor deve estar avariado, se a gata me foge pela porta nem sequer a vejo), fiquei baralhado.

Olhei para a minha porta e achei algo estranho, olhei para a porta do vizinho – a luz acendeu, entretanto, e estava menos ornamentada, a porta do vizinho, faz sentido, o vizinho já lá não vive há uns dois anos.

Quando volto a olhar, para me situar, para ter a certeza que estava no 2º andar, deparo-me com as travessuras. Isto foi uma travessura, porque não houve doçuras (agendas desencontradas), no contexto do Halloween, que eu não festejo, aliás, festejo muito, mas muito poucas coisas.

Tive pena, por um lado, isto porque desde há um mês, que me confronto com novas travessuras, todos os dias, hoje, por exemplo.

Por outro lado, tive pena, porque não ofereci as doçuras, como faço desde há quase um mês, depois das travessuras.

Alice estava em casa, mas não está autorizada a abrir a porta a ninguém.

Neste momento há até uma estranha calma; não faço ideia onde estará Alice.

Em letra grossa, isto já é tudo dela.

Mas, calma, a travessura de andar em cima da mesa da cozinha, depois do meu almoço, enquanto arrumo a louça, foi uma vez sem exemplo. Isto é uma travessura.

A bom rigor, o Halloween é quando uma gata quiser.

Com as travessuras de Alice eu posso bem.

As doçuras, adoro.

Agora, agora, limpar a zona onde Alice come e esgravata com as patas, umas sei lá, seis, sete vezes por dia, já não me parece uma travessura.

Parece-me mais o próprio Halloween.

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O pesadelo materializado.

Hoje já recolhi milhões de pequenas pedras que saltam, qual explosão atómica, impulsionadas pelas patas de Alice.

Ainda agora, há que esteja neste preciso momento a aspirar a cozinha.

Aposto que daqui a uns dez minutos vai ter que se atirar moeda ao ar para ver quem vai limpar outra vez.

Não, não falo da porta, que isso foi há uns dias, falo do canto de Alice.

A minha esperança é que o Halloween se repita para a semana, quando estiver gente em casa.

Não se nega uma doçura a ninguém, muito menos a uma (ou várias) criança(s).

 

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ÚLTIMA HORA: O GATO MATOU O DESCONCERTEZAS

por The Cat Runner, em 27.03.15

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Sem tirar nem pôr.

O blog Desconcertezas morreu. O gato matou-o. E matou-o com traços de sadismo.

Primeiro ele entrou-lhe pelas definições dentro. Depois selecionou tudo. Não satisfeito e já com o Desconcertezas a definhar, o gato ( The Cat Run para os amigos e amigas) seleccionou-o todo, transformou-o em um ficheiro e, aqui é de arrepiar, exportou-o. Para aqui, para este blog.

Um crime que compensou.

 

A partir de hoje todos os textos que viviam no blog Desconcertezas moram agora aqui no The Cat Run. Todos.

 

O dono deste blog, que adora escrever, que adora correr, já foi ao funeral do outro blog. Foi uma festa. Toda a gente divertida.

 

Por isso é possível que passe a encontrar um ou outro texto que não sobre corrida. Ninguém é perfeito. Nem o gato.

Vai gostar, se tudo correr bem.

Lá está, correr, corrida, vai dar tudo à mesma meta.

Escusa de googlar desconcertezas.blogs.sapo.pt porque ele morreu, o gato matou-o. Isso é não acreditar no que eu escrevo.

Paz à sua alma.

Viva o gato!

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O TIPO QUE TEM SETE VIDAS COMO OS PASTÉIS DE NATA

por The Cat Runner, em 27.03.15

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Esta é a história de um tipo que já foi tantas coisas e muitas delas ao mesmo tempo.

Alguma vez imaginava ele que um dia ia correr alguns quilómetros, quanto mais uma meia maratona ou coisa parecida. Jamais!

 

Esta é a história de um tipo que já foi mais novo, como as pessoas, regra geral, de um tipo que quando decide olhar para trás percebe que já não é a mesma pessoa, o mesmo tipo.

Sim, acontece com as pessoas, regra geral, eu sei, mas é assim, vá-se lá dizer o contrário.

Ele começou a correr com regularidade há uns dois anos, por aí.

 

Entrou nos quarenta com excedente primário em termos de camada adiposa, leia-se alguma excessiva gordura em redor de todo o seu corpo, excepto a cabeça. Vá, a zona do pescoço e as bochechas. Fumava, claro, após longas paragens, mas fumava.

Podia dedicar-se à comercialização de pneus humanos, um nicho de negócio que lhe foi aconselhado em resultado dos vários protótipos que exibia com alguma insatisfação disfarçada.

 

Este tipo era um gato, quando era novo, como a foto comprova, pena os óculos inclinados, mas tudo bem, um gato que já tinha entrado nos quarenta; melhor não mostrar foto.

 

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 Um gato que um dia deixou crescer a barba e deixou de ser gato, talvez urso, assim cresça a barba.

Que, de um dia para o outro, passados muitos dias, deixou de ser urso, ou gato e passou a ser outro tipo, que não ele. Deu-se conta disso ainda a tempo.

A bem do rigor ele continua a ser gato, já teve três vidas neste texto, faltam quatro para as sete, vidas, bem entendido.

Passou de gato a urso e tornou-se corredor, runner que é mais elegante. Começou a correr.

 

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Uma espécie de estagiário - ele só corre há dois anos - que se apaixonou perdidamente. As paixões também se vivem a correr.

Outras transformam-se em amor. Vício. Na verdade há paixões que assumem contornos de loucura. Se assim não fosse correr era outra coisa qualquer.

Há dias encontrei-o:

(Conversa forçada e imaginária)

 

- Estás um tipo diferente.

- Pois estou.

- É da corrida?

 

A pausa foi quase uma branca.

 

- Já pediste os cafés?

- Sim e um pastel de nata e uma miniatura.

- Boa!

Não sei se é da corrida. Se a perspectiva é emparelhar a corrida com a forma de viver, como se costuma dizer: com a forma de estar - não evitou o sorriso felino, como de um qualquer gato que se preze - se calhar é da corrida, ou da vida, ou não será uma a mesma e outra coisa?

- Bem, vamos ver...

- Vamos ver nada, vamos correr, correr, pode ser?

 

Deixei-o sem resposta. Primeiro era um gato, depois deixou crescer a barba e no fim fez-se runner.

 Levantou-se, de repente, como quem "não quer a coisa" e foi correr. Não saiu a correr, foi correr.

Paguei os cafés, o pastel de nata e a miniatura e fiquei a vê-lo afastar-se, passada larga como a esperança que carrega nos pés.

Daqui nada já conto o resto da história. Isto não acaba assim. Ele volta. Eu sei que volta.

 

 

 

 

 

 

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  71. M
  72. J
  73. J
  74. A
  75. S
  76. O
  77. N
  78. D