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por The Cat Runner, em 09.01.18

SEM O TEU ABRAÇO MORRO AQUI MESMO

 

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É estranho ter 48 anos.

Acabei de os fazer.

Ainda mantenho os olhos fechados.

Pareço recusar-me, eu que nunca recuo.

Nunca me irei habituar a ser um pau-mandado do tempo, ocorre-me.

Serei sempre um resignado “transgressivo”, tento convencer-me.

Mas, é inevitável, o tempo passa por mim, ao seu próprio ritmo, como uma rebarbadora que vai deixando marcas, que atenuo por aqui, por ali, em mares convulsos, mares que às vezes vão dar à costa, onde alguém espera por mim, para me abraçar, apenas para isso.

Lembra-se quando foi a última vez que abraçou alguém?

Eu lembro-me, foi agora mesmo.

É disso que tenho mais saudades.

Porque daqui a 48 anos terei 96.

Porque daqui a dois  anos terei 50.

Porque daqui a 10 terei 58.

Porque esta merda já não pára, tomei consciência disso, nestes dias em que demorei a reflectir sobre este texto, que afinal não está a sair nada do que eu pensei.

Eu tinha pensado em escrever sobre cenas que ainda quero fazer, determinações com poucas horas de vida, porque a vida não tem horas. Ela passa a abrir.

Em teoria, era um texto sobre os sonhos que um gajo com 48 anos ainda pode ter, porque toda a vida tem sido acompanhado por sonhos, e mulheres, e amor, e os abraços…

Aos passar para os 48 decidi começar a medir a vida em dias, depois em semanas, depois em meses, depois em anos.

A baliza é o próximo ano, como dizem os treinadores da bola, o próximo jogo, jogo-a-jogo.

Agora, dos 48 aos 49, se lá chegar, que assim a coisa atenua-se.

Já se viu um gajo com barba querer relançar o seu canal no youtube,  conquistar um público, divertir-se?

Já se viu um gajo que quer mudar o rumo, encher velas e partir, e descobrir, levado pela maré, guiado pela fé, que a fé é coisa dos homens?

Já se viu um gajo voltar a querer ter vontade de rir, de ir, de abraçar?

Era sobre isto que este texto devia ser.

As ideias que criei, as ideias que me vão guiar.

Coisas de um puto com barbas.

Claro que é possível seres um puto com barbas, experimenta-me:

  • Leva-me o pequeno-almoço à cama
  • Enche-me uma banheira com moedas de ouro
  • Compra-me o último smartphone que saiu
  • Anda comigo ali
  • Beija-me o coração
  • Mostra-me o destino
  • Dá-me a mão
  • Abraça-me

isso,

abraça-me, é o que me basta.

O resto vou fazendo, que conto chegar aos 96.

Mas, sem o teu abraço, morro aqui mesmo, à frente de toda a gente.

 

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publicado às 16:20



Uma cena sobre corrida em geral e running em particular e também sobre a vida que passa a correr. Aqui corre-se. Aqui só não se escreve a correr. Este não era um blog sobre gatos. A culpa é da Alice.

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