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The Cat Run

Uma cena sobre corrida em geral e running em particular e também sobre a vida que passa a correr. Aqui corre-se. Aqui só não se escreve a correr. Este não era um blog sobre gatos. A culpa é da Alice.

The Cat Run

Uma cena sobre corrida em geral e running em particular e também sobre a vida que passa a correr. Aqui corre-se. Aqui só não se escreve a correr. Este não era um blog sobre gatos. A culpa é da Alice.

23.02.24

RENASCER DENTRO DO OLHO DO FURACÃO


The Cat Runner

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Não tem nada que saber.

Do nada começa a saber-se o quase tudo, apenas aquilo basta, porque ninguém quer saber tudo, enquanto o tempo assim não o decidir.

E, a vida segue, entre esperanças, ansiedades, certezas, incertezas, indefinições definidas.

Não tem nada que saber.

É tudo muito prático.

Então...

O furacão chega com os seus ventos fortes.

Ali, sempre, ali e também aqui, o rio segue o seu curso.

Tiras a camisola, das as boas-vindas à chuva, que quase obriga a fechar os olhos e a passar a mão molhada, pelo rosto, nariz, lábios, olhos quase fechados.

Quase uma dança sensual, ele e ela, a mão e o rosto.

O vento vira brisa, cortado às fatias, para melhor arrefecer o peito nú.

O fio com a cruz enrola-se no pescoço, ao contrário, para não ferir o peito e o coração.

A água no chão molha menos que o olhar que o rio desperta, ali, a beira-rio, onde moram as heranças, ao mesmo tempo que, na outra margem o sol nasce, sempre, todos os dias. Sempre.

Enfrentas a tempestade como uma pega de caras a um minotauro, preto, imponente, que se destaca pela bravura mas também por uma leve tonalidade dourada.

E, na cara, sacudidela após sacudidela, sempre agarrado aos cornos, o homem e a besta, numa união tão íntima que obriga a multidão a levantar-se, num único movimento, para um aplauso sem fim.

Haja braços, para não largar os cornos da besta.

Não tem nada que saber.

Quando enfrentas o furacão, quando entras por ele dentro, com aquele sorriso filho da mãe e lhe dizes “sê bem-vindo”, passas a fazer parte dele, és como ele, já não passas sem a sua força, sem o seu poder, sem a sua energia, sem a sua voragem, sem a sua presença.

E, o que parecia o caos, reorganiza-se, quando regressas a casa.

Trata-se de seguir a alma e o que ela diz.

Em paz, porque há sempre um horizonte.

Mais perto, mais distante, mas é nele que as sombras da complacência se desvanecem, onde se ergue a saga e se forja o amanhã.

Que desafio, dirá.

Talvez, direi.

And what?

Estamos no palco efervescente, perante a plateia de contornos que desenhámos.

O palco é uma batalha.

Saber que s ventos da incerteza tornam-se aliados intrépidos, que aplaudem a cada fala é segredo. Shiuuuuu...

Palmas cadenciadas, que esculpem o destino. O destino? Não há destino. Apenas aplausos.

O palco torna-se ardente, cai o pano desafiando a resignação, irrecusável desafio.

A peça não pode terminar com o acto final.

Um animal de palco não se domestica, só os aplausos o acalmam, como o calor morno do sol quando o dia começa, junto ao rio, de mãos dadas com o furacão.

Tudo se transforma em degraus ascendentes, uma escadaria que antes era um campo de batalha, um palco, o palco, o terreno fértil onde foram lançadas sementes de loucura que empurra todos os sonhos de toda a vida.

A escadaria que leva ao topo da saída de cena.

O pano caiu.

O futuro não é uma utopia.

É apenas um labirinto que só os destemidos conseguem entender tratar-se de um manifesto.

A brutal luta pelo desconhecido, a busca pela ressonância do tal raio de luz morno, como um abraço.

A luta não é apenas uma jornada. É um legado.

Nos rastos das batalhas travadas deixamos a marca da determinação que desafia todos os compêndios.

Os do passado, os do presente e os do horizonte.

São as nossas mãos que moldam o caminho.

É o nosso coração que nos guia por ele.

É a nossa alma que se encontra no destino.

Ousadia.

Não tem nada que saber.

Nenhuma peça termina assim.

O pano sobre, de novo, porque os aplausos não páram mais.

O palco é a vida.