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por The Cat Runner, em 19.04.18

RAMPAS DO DIABO ( DIA 16 DA MARATONA )

 

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Chegou o bom tempo.

Até ver.

Posso dizer, por isso, agora que parou de chover que, por entre os intervalos da chuva fui aumentando a minha carga de treino, porque Berlim é já aí.

Já passei por quatro fases, recuperação das lesões, corridas de teste de reacção das pernas, adaptação à corrida e, agora o treino de resistência e velocidade. 

Passram quatro meses.

Faltam cinco meses, para Berlim, e por incrível que pareça, sinto que foi há dias que recomecei.

Recomeçar.

Corri durante mais de quatro anos, mas metade deles corri cheio de lesões. Parei. Re-aprendo, ou na verdade, aprendo agora o que é "correr".

Janeiro e as duras massagens já lá vão, Fevereiro e as corridas de teste já ficaram lá atrás, Março trouxe-me corridas mais definidas e específicas e, Abril trouxe-me as rampas e as rectas.

Sem dores. Cansado, mas sem dores.

É isso o que mais me anima e empurra, sentir que, apesar de continuar lento deixei de ter dores.

Correr.

Simplesmente.

Corro sem dores, neste momento, corro subordinado a patamares de treino definidos, pelo meu treinador, no que às batidas cardíacas diz respeito.

Registo todos os dados, de cada corrida e analisamos, em conjunto, para definir os mesociclos de preparação.

Se faço uma corrida de cinquenta minutos, de recuperação, sei que não devo ultrapassar determinadas BPM.

Se faço um treino de rampas, sei que tenho que atingir determinadas BPM, quase o meu máximo.

O mesmo, quando treino rectas.

É este o segundo aspecto que me anima.

Na verdade, ainda não treinei rectas, o treino de velocidade.

Desde Janeiro, tenho tratado as pernas, cuidado do resto do corpo, tenho corrido, para começar a acrescentar quilómetros e, as rampas, para fortalecimento e resistência.

Só para a semana é que vou iniciar o treino de velocidade.

Depois de uma corrida de 15 minutos, leve, tenho 5 rectas para correr, um quilómetro cada uma, com intervalos.

Nessas corridas as minhas batidas cardíacas devem atingir obrigatoriamente as 160 BPM.

Uma espécie de sprint, num quilómetro.

Só devo partir para o quilómetro seguinte, quando as batidas descerem para as 110.

Aquilo que tenho sentido, porque isto é uma coisa muit solitária, apesar de tudo, é que estou completamente fora de forma e, para Berlim só faltam cinco meses.

Mas, posso estar errado, admito.

No final de alguns treinos de corrida ( 6 por semana, 4 de corrida e 2 de ginásio) sinto que não vale a pena, porque as pernas prendem, não respondem à velocidade que lhes quero dar. Algumas vezes penso em desistir.

Já pensei tantas vezes.

Só que aguentei e, agora, começo a perceber que, afinal, não estou em baixo de forma, não senhor.

Estou a caminhar em sua direcção.

Tenho ganho consistência e resistência, no último mês e meio.

Nas pernas e no resto do corpo.

Agora, vou juntar a velocidade.

Agora, começo a acreditar, verdadeiramente, que vou correr em Berlim a minha primeira maratona.

Porque começo a juntar as peças e elas começam a encaixar-se. Vêm aí cinco meses alucinantes.

E, todo este tempo tem sido uma enorme lição;

Perceber que somos feitos de nada, e de tanto, ao mesmo tempo.

Quando a tua cabeça pende para baixo, levanta-a, coloca a tua coroa e sai para a rua.

As coisas acontecem.

Parecem impossíveis, mas acontecem.

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publicado às 20:16


4 comentários

De Anónimo a 19.04.2018 às 21:54

Também precisava de um treino desses para ajudar a debelar as minhas lesões dos joelhos...
Muita força Ze, tu vais conseguir...

De The Cat Runner a 19.04.2018 às 21:57

É uma questão de decisão. Um abraco. Obrigado.

De Ana a 20.04.2018 às 10:06

Ainda me vou pôr a treinar para uma maratona, por causa destes relatos...

De The Cat Runner a 20.04.2018 às 21:12

Olhe que eu não sou exemplo para ninguém, aliás, amanhã publico um texto sobre o meu comodismo. Mas, há coisas que têm que ser como são. :)

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Uma cena sobre corrida em geral e running em particular e também sobre a vida que passa a correr. Aqui corre-se. Aqui só não se escreve a correr. Este não era um blog sobre gatos. A culpa é da Alice.

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