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The Cat Run

Uma cena sobre corrida em geral e running em particular e também sobre a vida que passa a correr. Aqui corre-se. Aqui só não se escreve a correr. Este não era um blog sobre gatos. A culpa é da Alice.

The Cat Run

Uma cena sobre corrida em geral e running em particular e também sobre a vida que passa a correr. Aqui corre-se. Aqui só não se escreve a correr. Este não era um blog sobre gatos. A culpa é da Alice.

11.01.18

PEDAÇOS DE CARNE COM CÉREBRO ( MARATONA DIA 2)


The Cat Runner

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Foi a primeira vez na minha vida que fiz isto.

Nunca antes tinha treinado, sem correr.

A coisa pareceu-me estranha, como tudo o que é novidade e, confesso, ainda não se entranha.

Faz-me falta (eu e a minha mania de dramatizar as cenas).

Lá, no ginásio que me está a apoiar nesta empreitada de loucos estranharam não me ver na passadeira, estranharam mais ainda a minha invasão do espaço dos pedações gigantescos de carne, com cérebro.

Habituem-se.

Costumo correr na rua, no Passeio Ribeirinho, em Vila Franca, e no ginásio, depende da vontade, do tempo, dos tempos, depende daquilo que me apetece, na altura.

Mas, sim, sempre que vou ao ginásio não passo sem a passadeira. Não passava!

É objecto (uma passadeira é um objecto) proíbido nas próximas três semanas (mais esta).

A malta do ferro costuma olhar-me, tipo, vens para aqui  passas a vida a correr, aposto que agora falam entre eles: o gajo da televisão rendeu-se, quer é ficar como nós, que eu apesard e falar muito, como se nota, não costumo falar com estranhos, ainda por cima enormes.

Estou a brincar, eu curto a malta do ginásio e ninguém disse nada, nem sequer eu invadi o que quer que fosse.

Acontece que eles vão ao fim do dia e eu vou sempre em day time, quando está lá pouca gente, por isso raramente os encontro.

Acaba por ser engraçado,

A minha recuperação, que começou na segunda feira, está a correr bem.

Esta semana já fiz duas sessões de massagem desportiva, e a de hoje nem correu nada mal, apesar de o meu treinador ter “ido mais fundo” nas minhas amigas contracturas, muito mais fundo.

Saber sofrer para surpreender, porque se a ideia é fazer festas nas pernas ia a um Spa.

Bom, na verdade, neste momento, nem sei onde é que (não) estou dorido, são as pernas, por causa das massagens, são os braços e os abdominais (300 por treino), eu sei lá, dói-me uma série de músculos que nem imaginava que existissem.

O meu treinador prescreveu-me um treino de recuperação com a duração de quatro semanas, treino de fortalecimento de pernas (nada de gémeos), treino de core, treino de braços, tronco, alimentação, essas cenas, mas nada de corrida.

Remo, remo, remo, que qualquer dia chego ao Brasil, e bicicleta, mas sem carga, para não dar cabo do trabalho todo.

Bicicleta ainda não fiz.

Receio que os pedações de carne me olhem e comentem: “olha o gajo, nem carga mete na bike, ganda fraquinho”.

(Gargalhada) É mentira, ainda não fiz porque não calhou, mas faço esta sexta, que o meu treinador não quer que eu treine mais que quatro vezes por semana, até que iniciemos a preparação para a Maratona (já empurrámos para Junho/Julho, porque em Maio vou de Lua-de-Mel e esse período é para adaptar ao pico de forma).

Começo, na verdade, a perceber algumas coisas, por exemplo:

Até à maratona (aqui com letra pequena) só vou fazer duas provas, uma de dez quilómetros e uma meia maratona, eventualmente poderei fazer uma ou outra de dez se coincidir com o plano de treino, mas a ideia não é essa.

A ideia de passar quase cinco meses sem ir às corridas (embora vá correr/treinar, daqui a semanas) inquietou-me, mas é assim que será, afinal somos uma equipa e o treinador é ele.

Mas, o que mais me inquietou foi no fim da sessão de massagens de hoje.

Zé Carlos, há mais de um ano que não consigo fazer uma corrida contínua, não em estou a ver correr 42 quilómetros, sem parar”.

“Primeiro tratamos as dores e as pernas, depois sim, claro que vais correr, sem parar”.

“Sim”, interrompi, “senão não acabo a maratona em quatro horas e meia”, interrompeu-me;

“Não vais acabar nesse tempo...”

“Eu sabia, era fruta a mais…”

“Vais acabar abaixo das quatro horas”, afirmou (e uma afirmação não é algo que se dissipe no tempo):

“Se tu o dizes”, respondi-lhe a medo, sem que ele notasse, e saí, com um andar novo.

Agora, V.Exa. que fez o favor de me ler até ao fim diga lá se não inquieta estar perante um desafio como este?

É que já não sou só eu, sou eu e ele…

Puta que pariu (com respeito), como diz o outro!

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