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The Cat Run

Uma cena sobre corrida em geral e running em particular e também sobre a vida que passa a correr. Aqui corre-se. Aqui só não se escreve a correr. Este não era um blog sobre gatos. A culpa é da Alice.

The Cat Run

Uma cena sobre corrida em geral e running em particular e também sobre a vida que passa a correr. Aqui corre-se. Aqui só não se escreve a correr. Este não era um blog sobre gatos. A culpa é da Alice.

15.08.18

OS DEUSES DEVEM ESTAR LOUCOS ( DIA 41 DA MARATONA)


The Cat Runner

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Sou bipolar.

A corrida trouxe à tona a minha bipolaridade.

Só não sofro é da parte do “transtorno”.

No último texto queixei-me das dores nas pernas.

Hoje as minhas pernas estão novas.

Do Inferno ao Céu em menos de vinte e quatro horas.

Sei lá !

Acha que eu sei porque é que isto acontece?

O que eu sei é que a corrida de hoje foi do diabo.

Depois de ter corrido, pela primeira vez, que vinte e quatro quilómetros, com enorme sacrifício, tudo fiz para recuperar bem.

Mas, o desconforto nas pernas não me largava, até hoje.

Hoje, quando saí para correr eu não tinha pernas, tinha duas bigornas, uma de cada lado.

Cumpri o calendário de preparação mas falhei o objectivo do treino.

Uma hora e um quarto em ritmo progressivo.

Em teoria, uns doze quilómetros, na prática, quase onze.

Foi uma corrida tão pesada quanto o calor que senti.

Não consegui correr progressivamente, a trinta dias da maratona.

Senti-me frustrado, desanimado, stressado, cansado.

Foi, provavelmente, a corrida mais lenta que fiz, desde Janeiro deste ano.

Inquieto, com o pensamento a puxar-me para baixo, terminei o treino onde tinha começado, junto da família.

Logo hoje que fomos fazer um piquenique, logo hoje, não podia estragar-lhes(me) o dia.

E não estraguei.

O meu amigo de toda uma vida, padrinho da minha filha, encarregou-se de iniciar a minha recuperação;

Crioterapia “à la carte”.

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Não havia como ficar desanimado.

Depois lembrei-me da conversa que tive com o Ricardo Areias.

O Ricardo é uma daquelas pessoas ( como todos os que correm a sério ) a quem o país dá valor zero.

Sentido o que eu sinto, de bom e de menos bom, com a corrida, na corrida, a corrida dá-me o privilégio de trocar mensagens e pedir conselhos a atletas “profissionais” (?), mesmo sem nos conhecermos pessoalmente.

A corrida não tem nada a ver com o distante mundo do futebol.

Não que os corredores não trabalhem. Trabalham é muito mais do que se possa imaginar.

Eu imagino.

Aquilo que se sente, sofre, para atingir os objectivos, e os deles são totalmente diferentes dos meus.

O Ricardo é daqueles que correm a maratona em menos de três horas.

Pois bem, lembrei-me da nossa conversa de ontem, no chat do Facebook ( porque ainda não nos conhecemos pessoalmente, será em…Berlim).

E lembrei-me da troca de mensagens com o Francisco, durante a (não) corrida de hoje.

O Francisco, depois de um treino de quarenta quilómetros e outro de dez parou dois dias.

O Ricardo também parou, e também me garantiu que o desconforto não poupa ninguém, mas que será fundamental para “lá chegar”, à meta.

Lembrei-me deles e do que me disseram.

O Ricardo Areias é, se quiser, um dos maiores, se não o maior responsável pela concretização desta aventura demolidora.

Foi ele que, após apelo meu nas redes sociais, me colocou em contacto com a “Maratonas do Mundo”.

Assim conseguimos as nossas inscrições totalmente fora de horas e quando já não acreditávamos.

O Ricardo envia-me mensagens, às vezes.

Como se não fosse bastante enviou-me há dias uma foto com uma mensagem de incentivo, de apoio, de coragem.

Nessa foto estavam as medalhas que o Ricardo já conquistou em Berlim, na maratona.

Ainda a guardo.

Pensei em tudo isso, em tudo o que me disseram e, depois de ter rogado pragas ao meu adorado treinador - sabe tanto disto - durante a corrida, devido ao meu sofrimento, cheguei à conclusão que bate tudo certo.

Quando cheguei a casa tomei banho, tratei dos cuidados habituais, creme no corpo, desodorizante roll-on, cera no cabelo, dentes lavados e pimba, “vou escrever”, pensei.

É quando me dou conta que as minhas pernas, como que do nada, deixaram fugir todo o calor, todo o peso, todo o desconforto que tinham e que tanto me fizeram odiar aquilo que estava a fazer. A sério.

O meu treinador sabe tanto disto.

Os meus amigos sabem tanto disto.

Foi isto, esta corrida diabólica, debaixo de um intenso sol ribatejano, que tratou de recuperar os músculos das pernas.

Do nada, ou não tanto, talvez porque é assim mesmo.

Agora é gerir até domingo, dia de longão.

Ok, eu até admito não ser bipolar e ter usado a palavra para tentar agarrá-lo(a) ao texto, mas as minhas pernas são.

Seja como for, ainda há bocado estava deprimido e agora estou feliz.

Elas estavam mortas e acabaram de renascer.

Cheira-me que vou acabar esta semana em altas.

Soubesse a malta o apoio que me transmitem!

Não tira as dores, mas fá-las desaparecer.

Juro!

Ou não.

Ou então, são os deuses que estão loucos.

E eu também!

 

 

3 comentários

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    The Cat Runner

    17.08.18

    Obeigado, forte abraço
  • Imagem de perfil

    The Cat Runner

    17.08.18

    Peço desculpa, pela gralha
  • Comentar:

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