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Se há coisa que eu não sou é ingrato.

Passou um mês.

Passou um mês desde que me coloquei à prova, perante mim mesmo, como nunca antes o havia feito.

Quando terminei a minha maratona, a caminho do apartamento, detive-me, ali, a observar, emocionado, todos (as) aqueles(as) que estavam a chegar, também eles a cumprirem os seus sonhos.

A primeira coisa que me veio à ideia foi realizar que, depois de todo aquele meu sofrimento, havia milhares de pessoas atrás de mim, o que é que elas terão passado até ali chegarem, aquelas que chegaram, porque três mil ficaram pelo caminho.

Uma maratona não está ao alcance de qualquer um, está ao alcance de todos os que se comprometem a corrê-la, mas não ao alcance de qualquer um.

Enquanto ali estava, a observar, emocionado, aquela mancha de gente, veio-me à ideia uma segunda coisa;

as centenas - foram centenas -de pessoas que me acompanharam durante os nove meses em que andei a treinar, as centenas de pessoas que, durante aquele domingo de setembro se tiraram dos seus cuidados para torcerem por mim, como se fossem elas que ali estivessem a correr.

Na verdade estavam.

Todos(as) comigo, durante aquelas cinco horas.

A todas essas pessoas, muitas que só me conhecem da televisão e das redes sociais, a todas elas, a minha gratidão será eterna.

Cheguei a confessar, antes de ir para Berlim, que por vezes me assutei com a corrente que estava criada em meu redor (tentei sempre afastar os aproveitadores, que existem sempre, quando coisas destas acontecem, algumas vezes consegui, em outras não, mas a água tem sabedoria, como veremos mais à frente).

Levei-vos a todos(as) vocês no meu coração e, porque não sou ingrato, essa é uma das minhas características, porque a força que me deram e que me transmitiram foi imensa, pensei em vós, no durante a corrida, no final da corrida.

Emocionado, como sempre.

Recordemos.

Recordações.

Passou um mês.

Tanto mudou.

Tanto mudou em mim.

Por isso fui a Berlim, correr a "minha" maratona, porque esta foi "a minha maratona", para provocar profundas mudanças em mim, enquanto homem, enquanto marido, enquanto profissional, enquanto pai, enquanto filho, enquanto irmão, enquanto amigo, enquanto ser humano.

Consegui.

Hoje, um mês depois, sou uma pessoa diferente.

Mais forte, mais sabedor, mais feliz, mais duro, mas eu.

Lembrei-me hoje, um mês (e um dia) depois, da sabedoria da água: "ela nunca discute com os seus obstáculos, ela simplesmente os contorna".

Foi isso que fiz. Foi isso que aprendi em Berlim.

Sou "Maratonista" e isso, por muito que o mundo queira, isso jamais alguém irá mudar.

Foi por isso que me sujeitei a muita coisa, coisas que jamais alguém se sujeitaria, antes, durante e depois.

Foi por isso, para poder dizer, em voz bem alta: "Sou Maratonista".

O resto, o resto são ilusões.

Ilusionistas.

Ilusionismo.

Faz parte da condição humana.

E, tão diferente que o ilusionismo é da magia.

Magia.

Foi isso.

Magia.

Foi por isso.

Entrámos no quilómetro dezassete.

 

 

 

 

 

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