O Apocalipse

O solstício de inverno, a noite mais longa deste ano que termina hoje.
A noite de que muitos temem pela escuridão, é, na verdade, o grito inicial do nascimento da luz.
Leio parte do “Apocalipse”; eleva-se a promessa e com ela o espírito.
A partir daqui, o dia ganha corpo, a luz intensifica-se e, simbolicamente, a verdade e o conhecimento acabam sempre por esmagar a ignorância. É inevitável.
O inverno não é castigo, é convite.
Tal com o “Apocalipse” não é destruição. É renascer.
É o recolhimento sagrado.
É o momento de "morrer" para os vícios, de mergulhar na nossa gruta interior, no mais fundo de nós, à procura da semente da virtude, ela está dentro de nós.
Muitos olham para o fim do ano como um apocalipse, o fim de tudo, a destruição do mal, para que no novo ano apenas o bem permaneça.
Estão errados.
O verdadeiro apocalipse é revelação, é o despir do velho para o renascer do novo.
É tempo de silêncio e de retificação.
É o tempo de cada um de nós pegar na sua própria "pedra", trabalhá-la com suor e alma, para que ela possa, amanhã, ocupar um lugar digno na construção de um futuro feito de espiritualidade profunda e amor fraternal. Todos os dias, até ao último dia, onde tudo se repete, como um ciclo com fim.
É a sabedoria que só o silêncio e a maturidade do pensamento trazem.
O dia mais longo do ano recordou-nos que nada na Natureza, nem na vida, é estático.
Tudo é ciclo.
O rigor do frio? É o descanso necessário da terra para que a vida se alinhe na primavera. As dificuldades? São as provas de fogo para temperar o caráter.
Não é o fim. É o recomeço.
É o renascimento das cinzas do que já não nos serve.
Que venha o novo ano, com a força de quem sabe que o apocalipse é, afinal, a nossa maior oportunidade de sermos melhores.