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Uma ou outra vez, o blog do Gato Que Corre convida amigos, para escreverem sobre corrida, sobre as suas corridas. Já passaram por cá a  Rita Rodrigues, A Mafaldinha, a Carla Moita, e mais um ou dois amigos, das corridas, e não só.
Desta vez convidei alguém, uns dois anos mais velho do que eu, mas que já leva várias maratonas nas pernas.
Curiosidade minha, que vou correr a primeira maratona, em Setembro, em perceber o que se sente durante todos aqueles quilómetros.
Imaginava que era mais ou menos como o Quaresma escreveu, o Jorge.
Isto do nome é mera casualidade.
Espero que goste do relato, na primeira pessoa.
 

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Fui desafiado pelo Zé Gabriel Quaresma a escrever algo sobre a minha participação numa maratona, no fundo, transmitir tudo aquilo que nos vai na alma naqueles “ eternos “ 42.195 metros.
Pois bem!
Tudo passa mesmo pelo desafio, como este que foi lançado, pelo Zé para relatar a minha experiência ( é bem mais fácil correr...).
Tudo começou em 2015, quando em janeiro fui desafiado a participar num grupo de corrida e tentar correr 5 kms, enganaram-me, foram quase 10, mas consegui !
Que vitória, que satisfação , que orgulho.
Duas semanas depois estava a fazer a inscrição para a meia-maratona de Lisboa ( atravessar a ponte 25 de Abril a correr ), era um desafio interessante e exigente, objetivo era terminar ; só este, mais nenhum.
Desafio superado.
"Agora é tempo de pensares numa maratona “, disse-me o meu Amigo.
Outro desafio pela frente prontamente respondido com um enorme não, “ isso nunca “ , foram as minhas palavras que recordo ainda hoje.
No passado dia 22 de Abril fiz a minha sétima maratona.
Que loucura, mas o desafio de fazer 10 maratonas continua bem vivo.
Voltei onde já tinha sido feliz, Madrid, uma prova com mais de 36 mil participantes distribuídos entre meia e maratona.
Ambiente fantástico com imenso público constantemente a chamar pelo teu nome “animo jorge ânimo “, e os kms a passar e sem dar conta disso mesmo , metade já estava feito.
Mas vamos começar ainda antes do km zero, a viagem de véspera, trinta amigos num autocarro , todo um ambiente fantástico e as incertezas a surgirem.
Será que aguento ? Será que treinei o suficiente? Será que a alimentação foi correta? Será que vou conseguir dormir? Tantas perguntas sem resposta.
A noite realmente não foi a indicada, a minha almofada fez muita falta, o pequeno-almoço também não foi o melhor, os intestinos ficaram em Portugal, mais dúvidas surgiam sobre o meu desempenho, em que o desafio é e sempre será, chegar ao fim sem sofrer muito.
Tiro de partida, ritmo muito lento, somos milhares e a estrada fica demasiado estreita, não faz mal, só quero chegar ao fim.
Aproveito mais uma vez para ver a arquitetura da cidade madrilena, vou vendo outros companheiros de corrida, vou conversando com atletas de todo o mundo, e já estão quase 7 kms percorridos.
Não tinha fome, mas a experiência dizia-me que tinha que tomar o meu gel, mas os intestinos não funcionavam, ía ser uma luta até ao final.
Não falhei nenhum reabastecimento, alimentei-me sempre de 10 em 10 kms e sempre com uma garrafa de água na mão, porque o calor apertava.
Aos 16 kms, separação entre a meia maratona e a maratona: primeiro momento emotivo;
os atletas da meia maratona incentivavam-nos batendo palmas e gritando “ ânimo, força, vocês conseguem “, que arrepio, que força.
Passei os 21 kms, meia maratona já está, já só falta outra meia, está quase!
É o pensamento generalizado.
Aos 30 kms, o km conhecido como "O Muro" , onde está a marreta que nos faz quebrar fisicamente e começamos a correr com o coração.
Muita gente a assistir, a bater palmas, a gritar por ti, a dizer que falta pouco, mas as forças a fugir.
É então que surgem os primeiros pensamentos negativos, - não treinei o suficiente, o que estou aqui a fazer ?Mas porque é que me meti nisto? Ainda falta tanto....
Altura de respirar fundo e pensar positivo, pensar nas coisas boas da vida, daquilo que gostamos, daquilo que nos faz feliz e de repente voltas a correr mais leve e vês a placa dos 37 kms!
Já só faltam cinco, está quase.
Era o pensamento daqueles que me acompanhavam e pensavam fazer a prova em 4 horas.
Ainda estou a correr ao ritmo que queria, acho que vou bem, ou vou muito lento?
Tantas dúvidas, é altura de correr somente com o coração e esquecer tudo.
Chegou o quilómetro 41 !
Renasci !
As pernas voltaram a responder, a meta está ali ao nosso alcance, vou conseguir terminar, a emoção apodera- se de nós e quase por milagre voltamos a correr como no início, sem fadiga e com um sorriso enorme.
Os teus amigos da meia maratona estão nos metros finais a apoiarem-te, entregam-me uma bandeira de Portugal para as mãos, as lágrimas de satisfação insistem em sair, mas não saem, apenas um sorriso de felicidade indiscritível, só quem faz uma maratona percebe.
Acabou!
Consegui !
Nunca mais me meto noutra, dói-me tudo!
Recebes a tua medalha, descansas meia hora, depois já digo, onde é a próxima?
O desafio está lançado.
Porque a nossa vida pessoal, profissional é feita de desafios e só assim fazemos algo que à partida parece ser impossível de concretizar.
Quero fazer 10 maratonas, é o meu desafio.
Desafiante foi escrever este texto.
José Gabriel Quaresma, vais sem dúvida fazer e bem a tua primeira maratona, vai ser um misto de sentimentos que depois vais transmitir aqui para as pessoas perceberem esta coisa estranha que é correr.
Espero correr uma contigo.
 
(Jorge Quaresma)
 

 

 
 

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