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The Cat Run

Uma cena sobre corrida em geral e running em particular e também sobre a vida que passa a correr. Aqui corre-se. Aqui só não se escreve a correr. Este não era um blog sobre gatos. A culpa é da Alice.

The Cat Run

Uma cena sobre corrida em geral e running em particular e também sobre a vida que passa a correr. Aqui corre-se. Aqui só não se escreve a correr. Este não era um blog sobre gatos. A culpa é da Alice.

24.09.16

INDO EU INDO EU, A CAMINHO DE VISEU


The Cat Runner

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FOTO: THE CAT RUN 

 

 

Ontem fiz a viagem para Viseu, onde vou participar, este domingo, na “Corrida da Emoção”, a convite do Paulo Costa, da Global Sport.

Um notável amigo, um notável amante do território e das pessoas que o fazem.

Mal sai da televisão fiz-me à estrada e, felizmente, falhei a saída para Viseu, distrai-me e fui dar a um restaurante, onde matei uma sandes de leitão. Felizmente por isso, bem entendido.

Voltei para trás e dei com a saída para o IP3.

Podia dizer: dei com a saída para a estrada que me levava a Viseu, mas o IP3 não é uma estrada, é uma arma mortífera, autorizada por um Estado que não cuida em cuidar dos seus, há quem cuide, uns quilómetros mais à frente.

Um engano que valeu mais 10 quilómetros de caminho extra, umas milhares de calorias a mais, e a juntar ao que comi ontem e hoje ao jantar, mais uns bons dois quilos.

Ou seja, este domingo, em vez de carregar com 79 quilos, vou carregar com 80 ou 81 durante dez quilómetros.

Burro!

Guloso e burro.

Mas não resisto ao presunto, aos queijos, ao carpaccio de pato, aos bifes de vitela, muito menos às pataniscas.

É, com a viagem, que começo este texto, porque todas as viagens têm um começo.

Aqui chegado, logo aos primeiros sinais, embora fosse de noite, deu para perceber que Viseu é uma cidade do caraças.

Limpa, bonita, romântica, encantadora, surpreendente, arrumada, impregnada de história, onde até as rotundas se encaixam na perfeição (há uma de cem em cem metros, passe o exagero).

Não é conversa fácil; há coisas que se vêem logo aos primeiros instantes.

Confirmei-o durante este sábado.

Viseu é comandada por um homem da política, verdadeiro político, que soube sair das galerias dos retratos a preto e branco e transformar o granito em história e modernidade, não é fácil.

Esta noite, no jantar oficial do evento ( Running Wonders Dão – Corrida da Emoção), ao escutar o presidente da câmara, Almeida Henriques, quando discursava, apareceu-me o mote para este texto, a propósito da viagem de ontem e deste jantar de hoje.

Viseu é “A Melhor Cidade Para Viver”.

Não tenho dúvidas, dá-me a sensação que ficava aqui a viver, mesmo com um IP3 a separar-me da vida, tal como a conheço.

A vida é diferente em Lisboa e o IP3 mete medo. Só isso.

“A Melhor Cidade Para Viver” é um título atribuído pela DECO, e não é favor nenhum.

A cidade está toda ligada por wi-fi, só isto já é demonstrativo do que digo.

A cidade tem um politécnico, a cidade tem parques verdes, a cidade tem escolas (todas informatizadas, em rede), a cidade tem equipamentos desportivos com qualidade, a cidade tem praticamente taxa zero de reprovação no ensino primário, a cidade tem edifícios cuidados, antigos, e até as dezenas de rotundas passam despercebidas, afinal cada uma tem decorações diferentes das outras.

As pessoas cuidam-se, andam bonitas, até aquele sotaque das beiras se conjuga como se produzido exactamente para isso.

Viseu é feliz.

Ora, ao ouvir o presidente da câmara, percebi que Viseu tem um tipo à frente dos destinos, que está aqui para trabalhar, fazer, conseguir, desenvolver, conquistar, topei-o pelo discurso.

A cidade tem patrocinadores, parcerias, imensos eventos culturais, ao longo do ano, todos eles auto-sustentáveis, como a “Corrida da Emoção”, por exemplo.

Não conhecia Almeida Henriques (que foi secretário de estado de Passos Coelho), mas ele conhecia a minha mulher, das campanhas eleitorais (dezenas), do parlamento e da vida política.

Antes de terminar o jantar estivemos um quarto de hora à conversa. Pude escutar e comprovar o que pensava, mas pude dizer o que achava, e fui ouvido, e aprendi ali umas coisas.

É possível estar na vida pública e política com criatividade, com inspiração, fundamentalmente com vontade de fazer, de contribuir para os nossos, de deixar uma marca.

Podem até ser poucos, mas havendo homens-políticos com tamanha vontade, genuína vontade, há sempre uma esperança, porque havendo uma vontade há sempre uma forma.

Almeida Henrique encerrou o discurso com uma frase que me inquietou, por conter duas palavras (são quatro e uma letra, mas parecem duas): qualidade de vida e felicidade.

Nunca tinha ouvido um político dizer isto, muito menos guiar a sua acção por estas duas palavras.

Admirei-me.

É o mote de/em Viseu.

Bem sei que Viseu é uma capital de distrito, mas à escala, esta frase levou-me até à minha vila.

Felizmente que só atravessei o IP3 em pensamento.

Este domingo é que regresso, mas se calhar vou pela A25.

Vila Franca de Xira é cidade, capital de concelho, mas será sempre a minha vila, porque era vila quando nasci, quando cresci, e mesmo depois de tornada cidade nunca deixou de ser a vila, a minha e a daqueles que dela gostam.

Ouvi o presidente de Viseu, e pensei na vila e naquilo com que não me identifico.

Se em Viseu, muito maior que Vila Franca, é possível colocar em prática as ideias que parecem utopia, porque do “poder político” dependem - mas não a cem porcento -, em Vila Franca, muito mais pequena que Viseu, deve ser igualmente possível.

Almeida Henriques despertou em mim uma vontade e uma decisão, entretanto adormecidas:

Quero participar na vida política da minha cidade, e tudo farei para que tal aconteça.

Tomei esta decisão há cerca de um ano, mudar de vida, deixar a televisão, o jornalismo. Agora é público.

Mas, as coisas não acontecem só porque as queremos, por isso demora, se calhar nem acontece, e adormeceu, até hoje.

Quero fazer a minha parte, deixar o sofá da crítica e meter as mãos na massa, dar o meu contributo, o que sei, o que sou, sobretudo, o meu know-how, o meu trabalho, a minha criatividade, a minha vontade, o meu desejo, na minha terra, no meu território, por é disso que se trata: o território.

E, o território são as pessoas que nele vivem e viveram.

Quero sentir que é bom ser e estar na e da vila.

Que as pessoas são felizes por ali viver, porque têm condições – porque VFX tem tantas condições para ser aquilo que quiser -, porque se identificam, porque é ali que pertencem.

Sobre este assunto irei escrever algumas vezes, daqui para a frente.

Nos últimos anos, nos últimos actos eleitorais, fui várias vezes sondado, convidado até, mas sempre recusei.

Não me identifico com a forma como , genericamente, se faz política, em Portugal.

Não tinha, e isso é igualmente importante, decidido mudar de vida. Aconteceu depois desses convites ou sondagens.

E, fui sondado por partidos diferentes, porque é público que sou apartidário.

Esse facto não deixa de fazer de mim um ser político, que é aquilo que todos somos, eu, eles, você.

Todos temos consciência.

Agora, só me falta construir uma alternativa ao IP3, que aquilo é uma certidão de óbito, e a “Melhor Cidade Para Viver” merece uma estrada sem fim.

Deve ser bem mais fácil construir essa estrada que alguém levar este texto a sério.

Bom, há uma pessoa que sei que o levará a sério; eu.

E, caso lhe o mostrem, o presidente da câmara de Viseu também.

Tenho a certeza.

 

 

 

 

 

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