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EM ESTADO DE CHOQUE ( DIA 24 DA MARATONA )

Segunda-feira, 14.05.18

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Estou em estado de choque.

Não é caso para tal, mas eu gosto de dramatizar um bocado, para a coisa subir de tom.

Estou um pouco em estado de choque, isso sim.

Entro hoje no terceiro mesociclo, na minha preparação para a minha primeira maratona.

Mesociclo é uma palavra estranha, no meu caso consiste em quatro semanas de treino, quer dizer que oito semanas já lá vão.

Se o primeiro mesociclo foi para recuperar as minhas pernas, o segundo já teve como objectivo começar a re-adaptar-me à corrida.

Este terceiro mesociclo deixou-me abananado e ainda nem o comecei.

Depois de o receber e de o ler enviei um email ao José Carlos Santos, o meu treinador.

Dizia mais ou menos isto: vou ter que subir para patamares de intensidade para os quais não sei se as minhas pernas conseguem estar à altura.

Tinha acabado de enviar o email quando a minha mulher me pergunta como tem corrido a preparação.

Contei-lhe que sinto evolução, se calhar mais lentamente do que eu pensava, mas sinto a minha corrida a evoluir.

Confidenciei-lhe o meu drama; a partir de uma certa altura as minhas pernas, sem dor, nunca mais tive dores, não conseguem responder mais-além. Mantenho aquela cadência e dali não consigo passar.

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É, quando acabo de lhe dizer que "isto está a sair-me do bolso, está a começar a ficar exigente, mas foi por isso que me meti neste desafio, só tenho que me aguentar e acreditar", que recebo o email de resposta, do meu treinador, que estava em Espanha com a selecção portuguesa de Trail, da qual ele é o selecconador nacional.

Escrevia-me ele: "o que é importante são as batidas cardíacas por minuto, tens que as atingir".

Isso sei eu, pensei, e disse-o à minha mulher, "o problema é correr duas vezes três quilómetros acima das 145 BPM e as pernas colaborarem, deixarem de se sentir ultra-pesadas ( sinal que os treinos estão a dar resultado)".

- "Sabes o que me respondeu o Zé Carlos?", perguntei à Carla.

- "O quê?".

-"Aquela velha máxima, mas que é uma verdade absoluta: - no pain, no gain".

Confirmo.

Sem sofirmento não há conquista.

O sofrimento faz parte.

A lei da natureza impede a evolução, se não formos mais-além, se não puxarmos os nossos limites, se não sentirmos o cansaço.

Faz parte. É uma parte. 

Do outro lado da moeda está o prazer, o prazer de conseguir, o prazer de ver, o prazer de sentir, porque a seguir a uma pain vem um gain, como a tempestade a a bonança.

Mas, que dá para ficar meio em estado de choque dá, digam o que disserem. 

Começamos assim;

segunda feira, trabalho core e tronco e braços.

Terça feira, dez minutos de aquecimento abaixo das 130 BPM, a seguir duas vezes três quilómetros numa janela entre as 145 e as 150 BPM, e mais cinco minutos, no fim. Ou seja, tenho que fazer seis quilómetros na casa dos 5,30"/km. Medo.

Quarta feira, cinquenta minutos, nas 130 BPM.

Quinta feira, quinze minutos de bike e trabalho de pernas, massagem.

Sexta feira, uma hora de corrida, abaixo das 30 BPM.

Sábado, descanso.

Domingo, uma hora e um quarto e corrida. No início 130 BPM, no final 145 BPM.

Repete nas três semanas seguintes, mas aumenta gradualmente, ao longo da semana.

Para a próxima, em vez de duas vezes três quilómetros será quatro vezes três quilómetros, e por aí fora.

Neste terceiro mesociclo posso dizer que começo a treinar  para a maratona.

Até porque, ia eu uns parágrafos lá em cima, recebo este email do meu treinador:

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Confesso, ainda ontem, como me acontece algumas vezes, no meio da Lezíria, no meio da minha corrida dei comigo a pensar que não vou conseguir fazer a maratona.

Depois, lembro-me de emails como este, de amigos que começaram a correr depois de mim e fazem maratonas acima dos níveis em que ainda me encontro, lembro-me do dinheiro que esta aventura me está e vai custar, lembro-me dos compromissos de amizade que assumi, lembro-me, sobretudo, que me meti nisto para me confrontar comigo próprio e dar início a um novo ciclo na minha forma de viver e na minha vida.

É muito importante, para mim, chegar a setembro em forma e fazer a minha primeira maratona, mais que importante, um desafio decisivo, enquanto ser humano. Só que, já só faltam quatro meses.

E essa é a minha dúvida, será que nestes quatro meses vou conseguir tirar um minuto a cada quilómetro que corro, na verdade é isso que me falta.

Correr um quilómetro até seis minutos vezes quarenta e dois quilómetros.

A dúvida é minha, a certeza é a do meu treinador e do meu recuperador, Pedro Mimoso, com quem acabo de falar ao telefone.

Eles têm a certeza.

Quem sou eu para duvidar?!

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Falamos no final desta semana, para ver como está a correr esta nova e dura etapa da preparação.

Até porque, este fim de semana decidi perder dois quilos até sexta feira.

Hoje acordei por volta do meio dia e almocei o que a foto documenta.

Comer de três em três horas, cortar com doces, fritos, gorduras.

Se na sexta feira tiver perdido dois quilos, e se o meu corpo e cabeça tiverem aguentado o plano de treino, a minha dúvida cai por terra.

Se os outros acreditam em mim, porque raio eu não hei-de acreditar?

Vou comer um iogurte, uma banana, que daqui nada há treino.

E, que bom que isto me tem feito à cabeça, nestes últimos dois complicados e difíceis meses. 

Dois meses difíceis, porque como diz um amigo meu "a vida não é só correr".

Mas, é a correr que me equilibro e reencontro com a vida, embora demore, está a demorar, o meu reencontro, tal como a minha corrida, que me levará à forma perfeita.

Eu sei, tudo tem o seu tempo. 

 

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publicado por The Cat Runner às 15:22


2 comentários

De Luís Marado a 31.05.2018 às 22:59

Já deu para perceber que corridas por essa zona são regulares. Ainda se faz uma corrida em conjunto um destes fins de semana.

De The Cat Runner a 03.06.2018 às 01:20

combinado. e, obrigado, pelas fotos. bom domingo.

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