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The Cat Run

Uma cena sobre corrida em geral e running em particular e também sobre a vida que passa a correr. Aqui corre-se. Aqui só não se escreve a correr. Este não era um blog sobre gatos. A culpa é da Alice.

The Cat Run

Uma cena sobre corrida em geral e running em particular e também sobre a vida que passa a correr. Aqui corre-se. Aqui só não se escreve a correr. Este não era um blog sobre gatos. A culpa é da Alice.

22.06.15

EM CADA FIM HÁ SEMPRE UM COMEÇO


The Cat Runner

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Hoje é o meu dia D.

Falta pouco.

Escrevo com a barriga cheia de borboletas.

Parece a primeira vez.

Sinto-me inseguro, nervoso, ansioso, incerto.

Apesar da força, do apoio, do carinho que me têm transmitido ao longo deste dia.

Ao longo dos dias.

Hoje, quando acordei, acordei cedo, ao contrário do que é habitual, ponderei correr pelo fresco da manhã.

Senti que estava a precisar muito.

Mal comecei a ponderar imediatamente recuei.

As borboletas não iam deixar e ia acabar a corrida com ainda mais borboletas do que as que por aqui voam neste momento, dentro de uma barriga que não é a delas.

Preferi ficar deitado, janela aberta, a observar as vizinhas a caminhar.

O bairro parece finalmente rendido.

Já se vêem pessoas a caminhar e algumas, entre elas eu, a correr.

Fiquei ali, durante horas, a pensar em nada e em tudo. Tudo misturado.

Já estou sentado em frente ao computador, a escrever.

Tinha que escrever hoje, em especial.

E vou escrever à noite.

O antes e o depois, a frase que sempre uso: em cada fim há um começo.

Daqui a pouco vou entrar no estúdio, sentar-me na cadeira do pivot e recomeçar, relançar, reconstruir, provar e isso provoca borboletas a voar dentro da barriga.

O peso de recomeçar, de relançar, de reconstruir, de provar, a vida é uma prova constante e pesa nos ombros, nas pernas, na cabeça e no coração.

Desta lição retenho algumas coisas que me tornaram mais homem, mais forte, mais determinado, mais corajoso.

Aprendi que há amigos fantásticos que desaparecem mal desapareces da tv.

Planos que falham. Amigos que na verdade mais não faziam que tentar aproveitar-se de algo que saberiam que nunca iriam ter.

Há valores dos quais não abdico.

E aprendi que há amigos fantásticos que nunca desaparecem, por muito que desapareças.

Esses ficam sempre.

Alguns até hoje e a esses não tenho como agradecer. Não tenho, de todo, porque a gratidão será eterna.

As sugestões vão voltar à velocidade da luz, eu sei.

Desta vez vão bater contra uma parede.

Tudo mudou!

Nada será igual, também sei.

O meu dia de hoje, a segunda feira que faz a semana começar, ficará assinalada na minha agenda da memória: 22 de Junho de 2015, o dia em que tudo mudou.

Tudo será muito diferente de hoje em diante.

Levei cinco meses a preparar-me.

Quando sair dos estúdio às oito da noite irei correr.

Preciso de correr muito, estou certo que depois das oito muito mais ainda e muito ficará por correr.

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Tenho todo o resto da semana.

Amanhã começo a treinar muay thai com o mestre Zé Fortes, o melhor dos melhores.

Ainda este fim de semana foi campeão europeu em Londres.

Conheço o Zé Fortes desde que me conheço.

Chamavamos-lhe Grace Jones, por causa do perfil dele.

A minha filha pratica muay thai com ele e foi ela, sem querer, que me trouxe até aqui.

Não irei, por isso, parar de correr. Jamais. Continuarei a correr todos os dias.

Domingo tenho uma prova na Lezíria mas este é o caminho que escolhi e decidi percorrer.

Chamemos-lhe o dia zero em vez do dia D.

Hoje tudo começará, tudo vai recomeçar, com o grau de desafio elevado, com a responsabilidade que um recomeço encerra.

Depois vou correr.

Hoje, em especial, tenho que ir correr. Muito.

Se vou correr bem, se a corrida vai correr bem, lá para o meio da noite saberei.

Hoje há um começo.

É sempre assim, depois de cada fim.

 

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