Dias sem apego à liberdade

Não é por não ter havido, que não existiu.
Não é por não ter sido dito, não é por ter sido dito que não foi vivido.
As histórias vivem, tantas vezes em silêncios longos, em olhares que procuravam e não encontravam. Mas, que se conheciam e se perderam.
A verdade, guardada numa gaveta funda, junto a fotos que não se tiraram, a palavras que não se disseram, fica lá no fundo, guardada.
Em cima do muro, o ligeiro toque nas costas, um olhar, parado a meio-caminho, e um vôo no vazio. Um segundo, durou o olhar.
Um fim que crescia, lentamente, entre o sim e o talvez, a caminho do princípio, porque nem todas as histórias seguem a narrativa convencional.
E, a traiçoeira paixão, que não se vende, não se oferece em saldos, que se veste de fogo, mesmo que a porta esteja fechada.
Arde. Arde sozinho. Até que um portal te irá resgatar, de ti.
Solitude é escolha.
Solidão é erro.
O silêncio era um abraço. A paz. Vestiu-se de diabo e fez das dele.
A solidão, como um Adamastor incontrolável.
Ali, tão perto, ao mesmo tempo tão longe.
Como no deserto, onde o perto não existe, enquanto te aproximas.
É uma miragem.
Mas, o longe é desenhado na linha horizontal, que gira e não termina nunca.
Um abismo que engole, sem grito.
Amor que só foi apenas um "eu" a mais.
Promessas de corações apressados, que a boca ousou dizer.
Um toque leve que foi um empurrão brutal, com a subtileza de um rio, que leva tudo com ele.
No fim, fica a margem vazia. A folha em branco de um amor, que não teve tempo nem lugar, nem amor.
Amar é apenas amar.
Sem esperar nada em troca, mas a contar com o abraço.
E, a paixão, que não se vende, não se oferece em saldos, que se veste de fogo, mesmo que a porta esteja fechada.
Arde. Arde sozinho.
O belo está na luz que te fazer amar, arder, olhar, sentir, viver ou morrer, mesmo que a escuridão seja a única testemunha.
Na coragem de arder das cinzas renasces.
A vida é isto, a acontecer.
Um contraste.