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DESPERTAR VIOLENTO ( DIA 5 DA MARATONA )

por The Cat Runner, em 15.01.18

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A custo lá fui para o ginásio fazer o primeiro treino da semana.

Recordo-me bem das palavras do meu treinador, “nunca treinas o mesmo grupo dois dias seguidos, tens que intercalar”.

E, lembrei-me à força, porque embora me locomovesse (palavra cara, hã? ) com mais ligeireza, continuo com as pernas a gritar, e esta terça feira volto às massagens, aquelas que fazem chorar.

Nem quero imaginar.

Também foi difícil imaginar o meu pré-treino.

Como sempre, desde há oito dias, tomei o pequeno almoço, é inédito, eu sei.

Um pão escuro, com manteiga de amendoim, fiambre de perú, bebida de arroz, com café de máquina. Tomei sózinho, não tive companhia no pré-treino.

A minha mulher estava branca, em silêncio, percebi depois.

Diz que viu o chão da cozinha a ondular, todas as portas do nosso palácio a vibrar, isso, o tremor de terra.

Foi o mais forte desde há 20 anos, com origem em terra.

Este veio do Alentejo, subiu por ali acima, passou pelo Ribatejo, Oeste, ainda visitou a zona da capital, e só foi parar lá para Coimbra. Um dos grandes.

A Carla já tinha tomado o pequeno almoço antes, quando foi levar os miúdos à escola, mas normalmente acompanha-me. Hoje não, sentou-se na sala a olhar os push-ups das notícias. Estava com medo, que eu conheço-a há uns 30 anos.

Eu, nestas coisas, estranhamente, porque sou um tipo quente, mantenho uma frieza incomum.

O que me lembro?

Lembro-me de estar quase a acordar. As minhas pernas acordam-me, juro.

Pela manhã as pernas acordam, pesam e esticam-se, involuntariamente, como que num processo de auto-alongamento. Depois acordo, tem sido assim nas últimas semanas.

Estava eu a sentir esta cena, quando a Alice (a minha gata louca) salta da cama, de repente e desata a fugir pelo quarto fora (ainda são alguns 30 metros quadrados).

Disse-me a minha mulher, depois, que cinco minutos antes do tremor de terra já a gata andava alucinada, digo alucinada, poprque ela é doida, logo, não posso usar essa palavra.

Mal Alice saltou para o chão senti a cama a abanar. A minha cama não é uma cama qualquer, é gigante, comporta umas quatro pessoas, embora só lá durmam duas, eu e ela.

A cama abanava de tal forma que me acordou, o que não é tarefa fácil, nada fácil.

Quando acordo sou um bicho estranho, que precisa de umas boas duas horas para descer à terra. Mas, nunca tinha acordado com duas mãos de um gigante qualquer, invisível, que decidiu abanar a minha cama, comigo lá dentro, como se de uma pequena caixa de fósforos se tratasse, provavelmente, eu sería o fósforo.

Segundos depois, talvez uns dez, não consigo precisar, saltei para o chão e, aí sim, aquela porcaria abanava muito.

Mantive a frieza, apesar de ter mal-acordar – a Valeriana faz milagres – e encaminhei-me para o corredor do quarto que faz ligação com as restantes divisões da casa.

Parei em frente à cama e, a cena seguinte é digna de um filme de Woody Allen;

A minha mulher entra no quarto, assustada, e olha-me com um olhar estranho.

Ali estava eu, de pé, a segurar dois quadros, para que não caissem, tinha a terra acabado de tremer.

“Foi grande…”, disse-me.

“Acho que sim, consegui com que os quadros não caissem”.

Que estranha e estúpida preocupação, segurar os dois quadros, enquanto aquilo tremia tudo.

Já na cozinha, enquanto preparava o pequeno almoço (tenho desculpa, ainda não estava totalmente acordado), como se nada fosse, liguei para a minha mãe, que não sentiu nada, a Carla ligou aos miúdos, a Maria, na escola não sentiu, o Rodrigo estava na explicação e sentiu, e eu fui onde tudo acontece: ao Facebook.

Recebo um push up com a intensidade e o epicentro do sismo e trinquei a sandes de fiambre de perú, emborquei o copo com magnésio e tomei o complexo B.

A terra tinha parado de tremer.

Era hora de ir treinar, que os tremores de terra também não se importam connosco, porque é que haveria de me importar com ele, ou com as réplicas, no caso?

Lembrei-me do que me disse o treinador, nada de treinar os mesmos grupos dois dias seguidos.

Aqueci na bicicleta, lancei-me nas pranchas, nos abdominais, nos braços, no tronco, alonguei e saí a correr para ir fazer um raio-x, que vou mostrar ao meu treinador.

Vai servir para alinharmos as pernas, se for preciso alinhar, para melhor definir, no futuro próximo, a melhor forma de corrida.

Foi um dia cheio, como se vê.

Mas, aquilo que me lixou não foi a terra a tremer, as dores nas pernas, a correria para encaixar tudo numa só tarde, até porque ainda tinha que preparar a primeira refeição grande do dia, e preparar o jantar para trazer para a televisão, mas não foi por isso.

O que realmente me chateou foi um caramelo que costuma ir ao ginásio.

O tipo deve achar-se especial, embora não seja grande coisa, comparado com os bodybuilders a sério, mas pelo olhar que faz à matador, e pela postura que mantém deve achar que é importante,

Pois o gajo fez aquilo que rapidamente me tira do sério;

Entrou no balneário e saiu, sem sequer dizer boa tarde. Só lá estávamos os dois.

Não te desejo um tremor de terra que ainda ia ficar com peso na consciência, mas que as pernas te tremam até à língua, que é para aprenderes a ser bem educado.

A sério, pequenas coisas que me fazem bater em algúem, embora não bata, se não era o escândalo: "jornalista da TVI agride otário" !

Os online até salivam por histórias destas, mas comigo têm azarico. Na escola onde eles andaram já eu era lá professor.

Quem me lê agora deve achar que estou a stressar por falta de corrida, mas não, não estou e até estou surpreendido.

O esforço que agora faço compensa a ausência e sei que daqui a três semanas volto à estrada.

O problema é que acho que fui influenciado pelo meu acordar abrupto e inesperado, acho que foi isso.

Eu tenho mal-acordar, como se prova.

Mas sou bem educado, ao contrário de alguns otários desta vida.

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2 comentários

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De Anónimo a 16.01.2018 às 00:09

Foi um acordar atribulado! Mas a "luta" continua com um foco fixo...Maratona ! Quanto a otários estão por todo o lado. Keep fight !!!
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De The Cat Runner a 23.01.2018 às 23:24

Obrigado, "anónimo" :)
Cada vez mais o foco.
Agora só pára quando cortar a meta, em setembro.
:)

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