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The Cat Run

Uma cena sobre corrida em geral e running em particular e também sobre a vida que passa a correr. Aqui corre-se. Aqui só não se escreve a correr. Este não era um blog sobre gatos. A culpa é da Alice.

The Cat Run

Uma cena sobre corrida em geral e running em particular e também sobre a vida que passa a correr. Aqui corre-se. Aqui só não se escreve a correr. Este não era um blog sobre gatos. A culpa é da Alice.

07.06.18

DE BESTIAL A BESTA ( DIA 32 DA MARATONA )


The Cat Runner

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De bestial a besta já fui algumas vezes ( não tantas assim, felizmente ).

Do céu ao inferno também já fui algumas vezes ( as suficientes ).

Nada espantado, é assim o caminho, não há grandes voltas a dar-lhe, é ser resiliente, ter a capacidade de lidar com problemas, de se adaptar às mudanças, superar obstáculos e resistir à pressão de situações adversas.

Quem nunca foi besta, nem bestial, quem nunca foi do céu ao inferno, nunca tocou ambos os lados da equação.

O meu último treino de séries foi infernal.

Ecoava na minha cabeça uma dúvida; quando é que vou recuperar disto?

Pior, questionava-me como é que não tinha atingido os patamares de intensidade exigidos.

Foi o inferno.

Escusa de perguntar; então porque corres?

Isso vinha já a seguir.

É que, depois, do nada há coisas que viram tudo ao avesso, ficando então o teu mundo na posição correcta.

Uma boa notícia e uma boa corrida e tudo muda.

Ou será, uma boa notícia é que te empurra para uma boa corrida?

Talvez tenha acontecido ambas as coisas no meu último treino, o melhor de todos, desde Janeiro.

Senti-me bem a todos os níveis. Choveu durante os cinquenta minutos de corrida. Era só eu, de olhos semi-cerrados, como eu tanto gosto.

Os primeiros quilómetros foram a um ritmo desenhado pelo treino que tenho feito, corri os primeiros quilómetros abaixo dos seis minutos por quilómetro.

Sabia que mais à frente ia sentir cansaço.

Estranhamente, a meio da corrida ainda ia abaixo dos seis minutos. Não quebrei, como nos outros treinos.

Stronger !

Senti isso.

Tentei manter o ritmo.

Devia correr abaixo das 130 BPMs, corri sempre acima das 140.

Sentia-me bem.

Consegui, finalmente, sair do patamar dos seis minutos e meio por quilómetro, que me estava a prender, como entre quatro paredes, dentro da minha cabeça, ao longo das minhas pernas.

Credo, sinto-me bem, ainda me sinto bem.

Houve um momento até em que limpei os olhos, olhei a pista lá ao fundo, vazia, o rio cinzento, escuro, como ele é nestes dias, cheguei a sentir-me o corredor mais giro da pista.

Não vi uma única pessoa durante cinquenta minutos.

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Fitei o longe e senti-me corredor, confesso.

Foi um grande momento, do meu melhor quilómetro, ia a 5.45”.

Depois foi voltar a controlar o treino, verificar as batidas cardíacas, o tempo de corrida, e já agora o ritmo.

Nada de especial, mas uma vitória, do José Carlos, o meu treinador, do Pedro Mimoso, o meu recuperador.

Graças a eles, depois da dureza de alguns treinos, consegui, finalmente, treinar na plenitude, gozando e tendo prazer no treino, cumprindo os objectivos definidos, voltei a gostar e a correr por prazer, embora estivesse em treino.

Mas, acho que é, basicamente, isto que pretendemos.

Se há dois dias eu estava no inferno.

Bastou as massagens do Pedro para hoje ter estado no céu.

Se no treino de séries fui uma besta.

Bastou uma boa notícia para me sentir bestial.

Amanhã é outro dia.

Começa outra corrida.

E, é sempre assim, até ao fim.

 

 

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