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ATÉ À ETERNIDADE ( DIA 26 DA MARATONA )

por The Cat Runner, em 23.05.18

 

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( Texto escrito há 48 horas, publicado dois dias depois devido à fraca internet, no paraíso, faz sentido )

 

 

Ontem voltei aos treinos de séries.

Treinei num sítio fantástico, quase tão fantástico, como o sítio que está aqui à minha frente, enquanto escrevo. É isto que vejo e que me rodeia, nos próximos dias.

A foto só não tem o som do ribeiro e da cascata, dos pássaros, devem ser dezenas de espécies, que parecem envolver-nos num concerto a várias vozes.

Na verdade, estou num local encantado, secreto, dentro de um bosque, que lhe dá o desenho que acabei de traçar.

O médico aconselhou-me várias coisas, treinar, treinar muito, viver, estar com os mais queridos, mas descansar, muito.

Provavelmente, não sabe, há tempos fui ao médico porque não conseguia dormir. Há dois meses que não dormia em condições. Ainda não consigo dormir em condições, mas já recuperei alguma estabilidade.

Não era suposto escrever isto, mas é uma questão de respeito.

O exercício que me foi recomendado pelo médico é aquele que eu faço há anos, a corrida, que chocou com a minha preparação para a maratona de Berlim. Uma casualidade.

Se devo treinar, porque o médico diz que devo, então, faço-o com a maratona em vista, algo que antecede em muito esta minha paragem profissional - temporária.

Por isso, nas minhas redes sociais vê publicações sobre as corridas, e tudo aquilo que tenha a ver com a terapia que estou a seguir, recomendada pelo meu médico de família. Nada mais, nem eventos sociais, nem rigorosamente nada que me faça sair destas de dentro destas duas paralelas; usar tudo ao meu alcance para dormir, uma noite, como deve ser, recuperar tranquilidade e serenidade.

O exercício, a alimentação, o descanso, a família, os amigos, um comprimido e a escrita, tudo conjugado, provocam o equilíbrio que estava a perder. Falta consolidá-lo. É o que estou a fazer.

Posto isto, de regresso aos treinos de séries, tomei consciência que andava enganado, que vergonha!

O treino de séries não serve, em exclusivo, para ganhar velocidade, serve, sobretudo, para ganhar resistência. Correr distâncias mais curtas, a um ritmo mais elevado, com curtos intervalos de recuperação. Aprendi à minha custa, até porque, quando treino séries, como ontem, as últimas são sempre um pouco mais longas que as primeiras.

Por isso fui ler e perguntei ao meu treinador. Na verdade, ele já me tinha explicado, mas é sempre assim !

Interessa-me o objectivo; correr três quilómetros a baixo dos seis minutos por quilómetro, foi cumprido. O problema - já reparou que em todos os textos há um problema - é que consigo encurtar o tempo e adaptar-me à intensidade, mas as BPM, agora, já não as atinjo como há umas semanas.

Para fazer as séries entre as 145 e as 150 Batidas Por Minuto tenho que correr muito mais rápido, em relação ao mais rápido que corro, nas séries, comparado com os outros treinos. E, não consigo. Quero dizer, até consigo, porque ao longo de cada série de três quilómetros, a partir de meio, as BPM vão para o patamar pretendido, mas só nessa altura.

Frustra um bocado, olhar para o relógio e ver 131, em vez de 142, embora esteja a correr mais rápido. Eu sei, é o coração que está mais forte.

Deixando os lamentos, o meu treino de ontem foi absolutamente fantástico.

Começou ao acordar, cedo, nove da manhã.

Tomei o pequeno almoço no alpendre da casa, contemplando o mesmo cenário da foto principal deste texto, mas de uma perspectiva superior, mais ampla.

Pássaros, muitos, cada qual na sua pauta, o som da água, na cascata, o fresco do bosque, o sol que entra pelas árvores, a espaços. Foi perante este cenário que demorei quase uma hora a tomar o pequeno almoço.

Meia torrada de pão escuro, com fiambre de frango. Uma fatia de bolo seco. Uma banana. Uma bebida de arroz com café de máquina- aqui no paraíso as casas são antigas, mas têm máquina de café. Tem tudo, até o bosque.

Seguimos para a eco pista, que fica a uns quatro quilómetros para lá dos portões do bosque encantado.

Um local brutal. Uma eco pista, ao longo do Rio Minho. Três quilómetros para cada lado. Rio, verde, com uma pista no meio. Foi assim, foi aqui.

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Já recebi os parabéns do meu treinador, embora também ele me tenha levantado agora a questão. Bons ritmos - para mim - de corrida, mas pulsações de corrida de recuperação.

Às vezes penso que devo estar registado na maternidade do Entroncamento, na parte dos fenómenos, mas depois lembro-me que não, são mesmo coisas enigmaticamente estranhas, que me alavancam a vida, encantadoramente enigmáticas, como este sítio para onde me retirei. Retiro.

Hoje faz vinte anos.

Há vinte anos um sonho de miúdo tornou-se uma realidade, materializava-se, concretizou-se.

Há vinte anos casei com a mulher da minha vida.

Vinte anos depois, como que num sonho, viemos parar a este lugar encantado,como nós, tanto nos encanta.

Hoje devia ter treinado, mas não treinei.

Amanhã vamos correr juntos (as celebrações em privado serão inúmeras, brutais, estou a brincar, mas quase). O sono tranquilo há-de chegar, que começo a não ter idade para ansiedades.

Aqui, no bosque encantado, contigo, para sempre. Tenho a eternidade toda.

Temos toda a eternidade.

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2 comentários

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De Carlos Domingos Ferreira Alves a 24.05.2018 às 15:11

Meu caro amigo,
Não sei se deva destacar o texto, as fotos, o(a) fotógrafo(a) ou mesmo a escolha deste fabuloso local. Tudo (quase) perfeito!
E é isto. Como alguém que conheço costuma dizer - conto rápido!

Ansiedades, fraquezas, momentos de menor confiança, temos todos. isto é. Os humanos :) Ainda bem. Temos que aproveitar o prazer que nos dá ultrapassá-los para depois ganharmos outros, noutro patamar.
Voltamos ao início......

Adorei.
Abraço,
Carlos Alves
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De The Cat Runner a 24.05.2018 às 15:34

Meu estimado amigo, e eu adorei as suas palavras, muito obrigado.
Boa meia do Douro :)
Forte abraço

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