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The Cat Run

Uma cena sobre corrida em geral e running em particular e também sobre a vida que passa a correr. Aqui corre-se. Aqui só não se escreve a correr. Este não era um blog sobre gatos. A culpa é da Alice.

The Cat Run

Uma cena sobre corrida em geral e running em particular e também sobre a vida que passa a correr. Aqui corre-se. Aqui só não se escreve a correr. Este não era um blog sobre gatos. A culpa é da Alice.

23.11.16

ALICE SALTA À VARA


The Cat Runner

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Dia 51

22/11/2016

 

Sobre lida da casa...

 

Razão tinha eu quando dizia que os gatos reencarnam qualquer coisa.

Pensava isto, antes de ter uma gata, mantenho a ideia cada vez mais.

A diferença é que, antes, isto provocava-me, digamos, receio.

Agora, provoca-me fascínio.

Nada mais se alterou.

Os gatos reencarnam qualquer coisa.

Está-lhe no olhar, nas poses que assume, no caminhar, nos gestos e nos movimentos.

Por partes, Bolt ainda não morreu, felizmente, mas tem estatuto para reencarnar, Bruce Lee reencarna, Cinderela reencarna, uma mulher reencarna, às vezes até parece que Buakau reencarnou em Alice, embora ele ainda não tenha morrido, felizmente, para ele e para o Muay Thai, do qual é um dos máximos expoentes.

Todos eles parecem terem reencarnado em Alice, razão tinha eu.

Há, no entanto, uma reencarnação que ainda não desvendei.

Alice tem umas patas absolutamente fantásticas, comunicam na perfeição os estados de espírito.

Como gosto de desvendar coisas do mundo.

O mundo que não se assume doente, embora o deixe escapar, a miúde, entre-dentes, que padece de alguma coisa.

Tudo gira em duas direcções, pelo menos.

Alice gira em mais direcções que o mundo. Ela salta, caminha a passo, a trote, corre, por vezes, juro, penso que é um raio, raio que a gata, que a parta.

Juro, quantas vezes olho para ela e vejo-a aqui e em um milésimo ali e depois aqui, de novo.

Raio que a gata, parta.

O Serguei Bubka, que é Russo, e saltava com vara, reencarnou em Alice, pelo menos foi o que me disse Cristina, ela também já é conhecida destas crónicas, porque passa cá por casa duas vezes por semana, para nos dar uma ajuda.

Um sábado até veio cá, estávamos nós fora, numa corrida.

Não sei porquê, mas tive uma má noite.

Indisposto, inquieto, adormeci quando a manhã estava quase a nascer.

Roguei para não ouvir os miúdos a sair para a escola, e não os ouvi.

Comecei a ouvir a Cristina a falar, ao fundo, o que é normal, ela não fala sozinha, como eu, mas fala várias vezes ao telemóvel, o que é normal.

Mas, notei-lhe um timbre mais, diria, incisivo.

Percebi que era entre ela e Alice.

Quando estava pronto para sair:

“Olá, Cristina, a Alice?”.

“A Alice, hoje portou-se mal. Está ali na sala a dormir em cima da cadeira, mas portou-se mal”.

Foi quando recordei o que escrevi em cima, Alice é o sol e a tempestade. Tudo em um segundo.

Como na foto que acompanha este texto.

Alice é capaz disto, mas também do resto.

Sol e tempestade.

“Estava eu aqui a passar esta roupa a ferro e ela sempre a saltar para cima de tudo, a andar em cima da tábua, da mesa”.

“Tem que se impor, Cristina”.

“Estava aqui a passar, e ela, de repente salta-me para as costas”.

“Imponha-se, Cristina. Até para a semana. Bom fim de semana, obrigado”.

Sai, levei comigo uma dúvida, até agora;

Reencarnou Serguei Bubka ou terão reencarnado os Heróis de Shaolim?

Olha, não sei.

Só sei é que no fim, morremos todos.

 

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