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por The Cat Runner, em 23.11.16

ALICE NA CONCERTAÇÃO SOCIAL

IMG_1893.JPG

 

 

 

Dia 50

21/11/2016

 

Sobre direitos laborais...

 

Segunda feira.

Dia de folga.

De meia folga, porque quem sai às duas da manhã só está de folga quando acorda, oito horas depois, mas isso não importa a quem emprega, desde que haja pares de braços, o resto é problema de cada qual.

Ainda por cima, dia de a Cristina passar lá por casa, e de levar alguém para reparar uma pequena fuga do poliban.

Uma tarde de sono perdida, portanto.

Uma meia-folga desgraçada, digo eu.

Vale-me Alice.

A sua presença, em casa, muda todo um ambiente.

Parece que passou uma eternidade e, afinal, apenas passaram cinquenta dias, quase dois meses, desde que esta aventura felina começou.

Continuo a acordar mal-disposto mas, mal a vejo, esqueço-me, continuo a vaguear pela casa, quando acordo mas, ela segue-me, e obriga-me a ter cuidado, para não lhe dar biqueiros na cabeça, continuo a ser aquilo que sempre fui mas, com Alice sou muito mais eu.

Ainda há dias disse a um superior hierárquico meu: "tal como tu disseste uma vez eu sou mais isto - apontei para o coração - do que isto - apontei para a cabeça - e, não é agora, aos 47 anos que haverá grandes mudanças".

Nunca fui tipo que mudasse para agradar aos outros. Moldo-me, moldo-me muito para evitar situações embaraçosas, para mim e para os outros, porque os outros, como eu, não andam com um espelho atrás e, raramente tomamos consciência das tristes figuras que fazes.

Eu evito sempre, para mim e para os outros, incomoda-me ver pessoas em situação débil, sobretudo se nem disso têm noção.

Não, não mudei, até aqui, não será daqui para a frente que irei mudar. Mudar acaba por ser uma palavra pesada, na verdade nós mudamos todos os dias, crescemos, adaptamo-nos, adaptar é mudar, mas há mudanças e mudanças.

Sobre elas falarei um dia.

Voltando a Alice, ouço quase diariamente a frase: " é tão giro ver a tua relação com ela, como tu mudaste, é incrível".

Ainda esta segunda feira a ouvi, quando voltámos da corrida.

Agora, sempre que posso, saio para correr com a Carla.

Apesar de Alice ter sido encontrada pela Maria, sou eu e a Carla quem dela tratamos, Maria deixou de se importar com o dia-a-dia da sua gata (haja quem cuide), Rodrigo tem lá a vida dele, e nós temos o bebé nos braços.

Temos passado imensas horas com Alice em cima das pernas, Alice já se deita sobre nós, permite festas e afecto, contudo, é ela quem escolhe quem quer, em determinado momento.

E, tal como temos passado imensas horas com Alice, também as corridas são cada vez mais a dois.

Na segunda feira saímos para mais um treino, que domingo temos prova, em Évora, e deixámos Alice em casa, com a Cristina.

Quando regressámos, (vinhamos felizes, a corrida faz-nos mais felizes, porque corremos juntos), mesmo antes de ir ao duche e de arrumar a roupa e os ténis, fomos os dois, quase telecomandados, para a cozinha:

"Alice, onde estás?".

É já a frase feita; "Alice, onde estás?".

Alice estava na cozinha. Deixámo-la ficar.

Só demos conta dela, mais tarde, já depois do banho, da troca de roupa, do jantar feito, quando passou por cima do sofá, em silêncio e, como sempre ou quase sempre, me deu um toque com a pata, na cabeça, não quedando a marcha.

Alice tem a mania que é malandra.

O que ela não sabe é que há algumas coisas que eu detesto:

Odeio que me batam nas costas.

Odeio que me puxem os cabelos.

Odei que me dêem carôlos.

Passo-me, mesmo.

Alice, tem a mania que é malandra e não sabe que os únicos toques na cabeça que me dão prazer são os dela.

Aquele jeito, como que em deprezo fingido, de quem passa, gingona, te dá um toque na cebaça e segue; só para ver se estás atento.

Já era noite.

A folga terminou, sem me dar quase conta dela, num instante.

Foi só meia folga, na verdade.

O patrão é que acha que foi o dia todo.

 

 

 

 

 

 

 

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publicado às 15:57



Uma cena sobre corrida em geral e running em particular e também sobre a vida que passa a correr. Aqui corre-se. Aqui só não se escreve a correr. Este não era um blog sobre gatos. A culpa é da Alice.

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