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ALICE E PEDAÇOS DE TUDO

Quarta-feira, 30.11.16

 

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Dia 58

29/11/2016

 

Sobre adições...

 

Tenho passado muito tempo com Alice, nos últimos dias.

Não sei como tem sido com os outros membros da família, estamos a atravessar a fase da “família disfuncional”, no que diz respeito à conciliação de agendas e horários, isto passa, porque tem que passar.

Quando faço noites a vida não me corre de feição, perco-lhe o pulso, e como demora a recuperá-lo, mas passa. Não é nada pessoal.

Tem sido Alice a minha companhia mais próxima, nestes dias feitos noites, como agora, enquanto escrevo.

São duas e trinta e cinco da manhã, escuto Mariza e comovo-me. Eu nunca o disse, mas quando uma música me arrepia, comovo-me.

Alice, a minha companheira nas noites feitas dias, dorme na cama cor-de-rosa, na cozinha. Ontem passámos o dia um com o outro, hoje de novo, ainda estive tentado a ir treinar, mas só agora, quarenta e oito horas (mais) depois é que voltei a ter pernas.

Foi uma ideia que se me deu, até era capaz de arriscar, mas Alice merecia a minha companhia, e eu a dela.

Temos conversado muito.

Quando estou de noite ( a sério, sinto-me um daqueles operários da Era Industrial, no norte de Inglaterra), deprimo-me um tudo nada. Coisas minhas, mas não são só contras de espírito, também tem coisas boas, há menos ruído, vai-se contra a hora de ponta, mas deprime-me, faço o quê? Não é nada pessoal.

Fisiologicamente falando, devíamos ter um subsídio vitalício, por causa da constante mutação horária. O meu mês não é como o vosso.

Há até coisas que me irritam, por exemplo, estar a escrever a esta hora, sem ponta de sono.

Alice, Carla, Rodrigo e Maria dormem. Levantam-se cedo.

Eu escrevo. Levanto-me tarde. Perco metade do dia. Sinto-me morcego.

Tenho conversado com Alice sobre isso.

Normalmente dá-me um toque com a pata, como em muitas ocasiões, sinal para ir acender a lareira, ou colocar mais lenha.

Evitamos ligar a televisão, embora agora tenha óptima imagem, depois da visita dos técnicos, mas o Facebook faz esse papel, mais além, até.

O Facebook é um vício bom e mau. Mas, um vício. Assim o encaro, assim o assumo. Acredito naqueles artigos online que garantem que se trata de uma doença; a hipérbole da comunicação.

O ócio é tramado.

Com base nisto, temos conversado, mais eu que Alice, admito.

São dias de contraste.

Onde tudo acontece, onde tudo ofende, onde tudo apaixona, onde tudo cega, onde tudo parece ser tudo, no final, não há um pedaço de nada em tudo.

Já não há como lhe fugir, ao Facebook, é como as caravelas quinhentistas, aconteceu, faz parte, mais à frente outra arma poderosa será inventada e o Facebook não passará de um mIRC da era moderna.

Até lá, só me baralha.

Alice já me disse que devo levantar-me cedo, treinar, sair, tentar equilibrar os fusos horários, o bio-ritmo, a lucidez.

Mas, depois dá-me aquele toque com a pata, e reparo que a lareira está a apagar-se.

Fica para amanhã.

Prometo não ir ao Facebook.

Acho que Alice detesta que eu vá ao Facebook.

Já marquei consulta no psiquiatra.

Não é nada pessoal!

(Depois dá-nos para isto, no final de todas as contas. Aguardamos por um sunny day, all the time)

 

 

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publicado por The Cat Runner às 09:45





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