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The Cat Run

Uma cena sobre corrida em geral e running em particular e também sobre a vida que passa a correr. Aqui corre-se. Aqui só não se escreve a correr. Este não era um blog sobre gatos. A culpa é da Alice.

The Cat Run

Uma cena sobre corrida em geral e running em particular e também sobre a vida que passa a correr. Aqui corre-se. Aqui só não se escreve a correr. Este não era um blog sobre gatos. A culpa é da Alice.

10.10.16

ALICE E OS SALTOS ALTOS


The Cat Runner

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Dia 9

09/10/2016

 

“Quando eu pensar que aprendi a viver, terei aprendido a morrer”.

Não estou certo, mas penso que foi Leonardo da Vinci quem se lembrou desta tirada, que agora me deu jeito para este texto.

Alice está a aprender a viver, como qualquer um de nós aprende, até que morre.

Alice já aprendeu a morrer e não quis aprender mais, quis viver, porque para morrer já aprendeu o suficiente.

Está viva, tão viva que dá saltos tão altos como nunca sonhou saltar, como nunca sonhou lá chegar. Cada vez mais altos e seguros.

A fotografia é de Alice a brincar com o meu filho Rodrigo.

Saltos altos!

Alice salta, roda, corre, pára, agacha-se, estica-se, esconde-se (atrás da perna da mesa, que é basicamente da sua largura) e até já escolhe a refeição.

“Hoje não há mais frescos, Alice”,diz-lhe a Carla cá do fundo.

Alice segue para a sua sala de refeições, como os tais “frescos” que a Carla lhe comprou, deixa os “flocos”. Só torna a eles mais tarde, quando a fome aperta e ela percebe que não há mesmo mais “frescos”.

Nunca tinha visto;

Depois de comer, Alice trata da sua higiene, limpa as patas, a boca, prepara-se, de barriga cheia, para ir à descoberta do mundo inteiro.

Basta apanhar a porta da cozinha aberta.

Passeou há dois dias pelo quarto do Rodrigo.

Este domingo quando entrámos na cozinha, como normalmente, percebemos que Alice tinha ido socializar.

O Rodrigo esqueceu-se da porta aberta e ela não pediu autorização.

Não entrámos em pânico. Mobilizámos as tropas, cada um procurou numa divisão, até que ao entrar no meu quarto lembrei-me:

Ela gosta do ar mais quente da casa de banho, aposto que está lá.

Não estava, nem na casa de banho do meu quarto, nem na principal.

No quarto da Maria também não, que ela tería dado conta.

Na sala tinha dado conta eu.

O Rodrigo espreitou o gavetão, a última escolha de Maria, mas nada.

Podia estar em qualquer buraco, cabe em quse todos.

“Shiuuuu…olhem…”,disse eu.

A pequena cabeça de Alice aparece, lá ao fundo do quarto, escondida pela cama.

“Alice”, chamo-a.

Antes de vir, passa pelo cadeirão, por baixo, porque ela gosta de se sentir protegida, volta a sair, pára, olha-nos, vira à direita, entra numa das prateleiras do móvel, contorna os livros, pula para o chão, caminha em nossa direcção.

Passa por nós;

“Alice, volta para a cozinha”, ordeno, como que a dizer, se quiseres, claro.

Assim faz.

Passa por todos os da casa, elegante no passo, coloca-se à nossa frente, qual andor, connosco atrás, em procissão.

Encaminha-se para a cozinha.

Entra, vira à direita, sobe ao cesto, deita-se na manta cor-de-rosa, enquanto os da casa, com ar totalmente espantado se entre-olham e sorriem com cumplicidade.

Fechou os olhos, foi descansar.

É que isto de dar saltos altos cansa imenso.

Eu que o diga.

 

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