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The Cat Run

Uma cena sobre corrida em geral e running em particular e também sobre a vida que passa a correr. Aqui corre-se. Aqui só não se escreve a correr. Este não era um blog sobre gatos. A culpa é da Alice.

The Cat Run

Uma cena sobre corrida em geral e running em particular e também sobre a vida que passa a correr. Aqui corre-se. Aqui só não se escreve a correr. Este não era um blog sobre gatos. A culpa é da Alice.

21.11.16

ALICE E O ARCO DA VELHA


The Cat Runner

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Dia 48

19/11/2016

 

Sobre coisas do Arco da Velha...

 

Alice abeirou-se da cama, subiu para as minhas pernas, sentou-se e disparou à queima-roupa:

-“Porque é que gostas dos teus filhos?”.

Convidei-a a ficar, enquanto ganhava tempo para formular um pensamento.

Alice olhava-me com ar sério.

Tentei fintar e ganhar superioridade numérica.

-“Alice, que pergunta é essa...”, não me deixou concluir.

-“Eu olho para vocês, observo, nos intervalos das minhas ocupações, que sou uma gata ocupada...”, não a deixei concluir.

-“ A tua mãe, Alice, é por isso que perguntas, para tentar perceber que depois do sol vem a chuva, mas logo aparece uma brisa morna, os ciclos, é por isso que perguntas?”.

-“Também, mas sabes, eu ainda ando a aprender a vida”, não a deixei concluir.

-“Alice, não sou a pessoa mais indicada para te dar uma resposta, afinal, se olhas para nós consegues perceber a imperfeição que sou. Também eu ando a aprender a vida”.

-“Mas isso não te impede de tentares ser todos os dias alguém melhor do que foste no dia anterior, melhor contigo, com os outros, olha, melhor, comigo”.

- “Isso. É isso que me conduz todos os dias, o meu caminho é apenas um, os meus filhos, sempre eles, e tu, Alice, já és a nossa menina, dos quatro”, não me deixou concluir.

- “Mas, tu não me amas como amas os teus filhos?”.

- “Não, não, Alice, mas não és só tu, nem eu me amo assim.

Já sei, finalmente, (espero estar correcto, desta vez) porque me perguntaste porque é que gosto dos meus filhos".

-“Fi-lo, perguntei-te, porque vos observo e queria perceber. Aqui, com vocês sinto-me bem. Quero, por isso, entender-vos e, olha, vi uma coisa que foi o que me fez fazer-te a pergunta”, não a deixei concluir.

-“Eu sei, foi aquele abraço!”.

- “Foi, eu nunca tinha visto um gesto assim”, não a deixei concluir.

- “Nem eu, Alice. Nem nunca o tinha sentido, me sentido, assim”, não me deixou concluir.

- “Ele surpreendeu-te?”.

- “Todos os dias, sim, mas nesta noite tirou-me o chão”.

- “O que é que ele te disse?”.

-“Viste?”

-“Sim, estava na cozinha a observar-vos pelos vidros da porta”.

- “Então viste tudo?”.

- “Tudo”.

- “Quando entrámos em casa e fechei a porta ele virou-se para mim e disse-me: dá-me um abraço. Depois, abraçados, pediu-me desculpa, ao ouvido, sussurrou-me, o abraço tornou-se mais forte, um pai e um filho abraçados é um abraço forte, que não se destroi jamais e disse-me que me amava. Sussurrou-me ao ouvido.Respondi-lhe que o amava muito, que me orgulhava do ser humano que ele é, que estaria eternamente ao seu lado, para o ajudar”.

- “E depois?”.

- “O abraço pareceu-nos sem fim”.

- “Vês, a minha pergunta fazia sentido”.

- “Nunca disse que não, mas não tenho uma resposta para te dar. Às vezes acontece-me”.

- “O que é que aconteceu, mesmo, entre vocês os dois?”.

- “Nada de especial. Pai e filho. Coisas de adolescentes e de adultos. Coisas de amor e de carácter”.

Coisas do Arco da Velha, digo eu!

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