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The Cat Run

Uma cena sobre corrida em geral e running em particular e também sobre a vida que passa a correr. Aqui corre-se. Aqui só não se escreve a correr. Este não era um blog sobre gatos. A culpa é da Alice.

The Cat Run

Uma cena sobre corrida em geral e running em particular e também sobre a vida que passa a correr. Aqui corre-se. Aqui só não se escreve a correr. Este não era um blog sobre gatos. A culpa é da Alice.

17.10.16

ALICE E AS COISAS QUE FAZEM SENTIDO


The Cat Runner

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Dia 16

16/10/2016

 

Coisas da saudade...

 

Foi um Domingo em família.

Só faltou acender a lareira.

Há muitas semanas que não tínhamos um domingo assim, em família, envolvidos em ternura, com meias grossas calçadas, pijamas vestidos, afagos nos corações, todos sentados à mesa, para almoçar.

Todos a arrumar a cozinha, depois de um café e de uma conversa sobre nós, que à svezes nós somos o eu.

Todos, cada qual no seu espaço, a descansar de não estarem cansados, que as tardes de domingo convidam a descanso, cansados ou não.

Nós e os miúdos.

E, Alice.

Claro.

Para que o contexto fique completo, faltava Alice.

É o primeiro outono em que temos uma gata cá em casa.

Dizem os entendidos, a maioria entendidas, que no Inverno é que é; nas noites frias, a gata aos pés, a gata na cama, a gata nos braços, a gata não sei onde.

Quero ver!

A gata vai é deitar-se por baixo dos aquecedores de parede, na carpete, em frente à lareira e, depois, se lá entender, talvez se aninhe nos braços de alguém.

Um simulacro do que está para vir.

Só faltou acender a lareira, no Domingo, porque de resto estava lá tudo, para o simulacro ser perfeito.

E, foi Alice, quem completou o que faltava, naquele ambiente, onde a cozinha estava estranha e acolhedoramente aquecida, por causa do bolo de laranja acabado de fazer, e a lareira ainda apagada, que me falta transportar os troncos da garagem para a sala..

Estávamos todos, mais a gata. ATé a gata.

Dizia eu, antes de os miúdos chegarem:

- “que cena estranha, às vezes dou comigo a sentir que não estou sozinho em casa.

A Alice, mais que não seja o facto de eu vir à cozinha, de tempos a tempos, para ver e se está tudo bem com ela, faz-me sentir acompanhado, quando vocês não estão cá. Já não estou mais sózinho"!

-“Sabes que também já senti isso?”.

Os nossos filhos não são adultos, não têm vida própria a cem porcento, mas têm a sua própria vida, pelo que, aquela ideia de há anos:

quando os putos crescerem a casa vai ser enorme só para nós dois, para que é que vamos para uma vivenda?”, já caiu por terra. A casa já é grande só para nós os três, eu ela e a agata.

Os miúdos vivem connosco, literalmente, mas fruto dos seus relacionamentos, amizades, ligações, interesses, saem à noite todos os fins de semana, uma vez pelo menos.

No Domingo cumprimos a rotina, por isso habitual, por ser rotina, e fomos todos ver o jogo do Rodrigo, depois juntámo-nos em casa e por lá ficámos, como gostamos, a "lontrar" (vem de lontras).

Durante a semana, os horários estáveis deles contrastam com os alucinantes horários dos pais, pelo que, incluindo o desporto que fazemos, todos,  e outras tarefas diárias, são poucas as vezes em que durante a semana nos sentamos à mesma hora, à mesa, todos juntos.

Sentamos. Sentimos.

Sentimos, eu e ela, que a casa começa a ficar grande só para os dois.

Para os três, que Alice é gente,m enche-nos o coração de afecto, a alma de calor e faz-nos soltar gargalhadas tão felizes, que não nos damos conta que a felicidade está num gesto, num olhar, quantas vezes apenas num simples abraço.

Alice, às vezes, aninha-se nos meus braços.

Mas, eu sinto sempre saudades deles.

Se pudesse abraçava-os, agora mesmo!