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ALICE E AS CABEÇADAS NA VIDA

Sexta-feira, 28.10.16

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Dia 26

26/10/2106

 

 

Sobre fracassos e conquistas...

 

Custa-me ouvir pessoas que dizem “já dei algumas cabeçadas, na vida”.

Remete para o fracasso e para o arrependimento, apenas.

Fracasso é aprendizagem.

Arrependimento é inconsciência.

Eu fracassei algumas vezes na vida. Algumas dessas vezes custaram-me amizades, milhares de euros, depressões, jantares de comemoração, traições, amizades novas, nunca achei que “tivesse dado cabeçadas na vida” que me levassem ao arrependimento.

“As cabeçadas” que dei, para simplificar, não me causam arrependimento, simplesmente porque tudo o que fiz foi com paixão.

Faría tudo igual, de novo, no mesmo contexto.

Como pode o arrependimento sobrepor-se à criação.

Fracasso sim, “cabeçadas não”!

Alice é especialista em cabeçadas. Mas, cabeçadas a sério, sem arrependimento, sem fracasso.

Sem fracasso, porque se retira ensinamento, fortalece por dentro e por fora, aporta coragem.

Não consigo contabilizar as cabeçadas que Alice dá por dia, confesso.

Tudo o que seja passível de dar uma cabeçada, Alice dá.

Nas nossas pernas, nas pernas das cadeiras, mais recentemente, nas pernas e no tapo inferior da mesa branca da sala.

Tente imaginar, feche os olhos (vai ser difícil para continuar a ler, mas tentemos), Alice vem da cozinha, a trote, em direcção à sala.

Em menos de um nanograma de segundo transporta-se da mesa de jantar para a mesa da sala.

Damos conta disso, o barulho é perceptível. O barulho quando a cabeça bate no tampo inferior da mesa.

Olhamos.

Em menos de um segundo aparece do outro lado da mesa, que é grande, salta para o sofá, e deita fogo à peça.

Porque não pára, por vezes dá cabeçadas no próprio chão, seja quando rebola em cima do tapete, com a luz do sol que entra pela janela da cozinha a aquecê-la, seja quando luta ferozmente com o pequeno tubarão de borracha, ou com a pobre ovelha de PVC, seja quando corre em cima das costas do sofá e cai para o lado esquerdo de quem lá se deita, chão. Pum!

Seja, quando cai para o lado direito, alcatifa. Póf!

Também me dá cabeçadas, a mim, sim, quando decide andar às voltas atrás da própria cauda, junto à minha cabeça e perde o equilíbrio, o que é raro, admito.

O equilíbrio, é uma das coisas que me impressiona naqueles que o conseguem alcançar, é das coisas mais difíceis, nesta passagem por cá. Creio que todos o procuramos. Insistente e às vezes até inconscientemente.

Eu já cometi erros, de cálculo, de avaliação, de atitude, de acção, mas aprendi com todos eles.

Estou certo que Alice também vai aprender com os seus e, também ela vai deixar de dar “cabeçadas” em tudo o que é passível de dar cabeçadas, na vida.

Que as únicas cabeçadas que dê sejam no iPhone, como a foto documenta.

Para o resto já basto eu.

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publicado por The Cat Runner às 15:43





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