Saltar para: Post [1], Comentários [2], Pesquisa e Arquivos [3]




por The Cat Runner, em 24.10.16

ALICE CONVENCEU-ME

ALICESEGUNDA_Easy-Resize.com.jpg

 

 

Dia 23

23/10/2016

 

Coisas de afectos…

 

Pela primeira vez percebi aquela história de o(a) gato(a) ser uma companhia.

E, percebi-o, a ponto de sentir saudades dessa companhia.

Foi a segunda vez que aconteceu, Alice ir para a sala, para junto de nós. Na véspera adormeceu ao colo da dona mais velha, entre a capa do iPad e o próprio iPad.

Era de elementar pertinência Alice ir ter connosco à sala, no dia/noite seguintes.

 Assim fez, Alice já compreendeu que se a porta da cozinha está aberta é para que ela por lá possa passar.

Sacana da gata, inteligente gata, que sai da cozinha, visita os quartos, cumprimenta os miúdos, certifica-se que não há adultos no quarto grande e volta à sua vida, ora regressa à cozinha para dar uma corrida curta e louca, ora vira à direita, para a sala.

O ritual é único.

Vem até à porta, baixa-se, coloca-se em posição de ataque, caminhando, como que a mostrar-se corajosa. Chega à porta da sala, encosta-se, vai indo até ao sofá. Só depois coloca a cabeça de lado e espreita.

Daí a uns segundos está a saltar para cima do sofá, atacando ferozmente as minhas mãos., como que vinda do nada.

Pela primeira vez, depois desses ferozes e doces ataques, Alice ficou.

Eu já estava sozinho, nessa altura, toda a gente tinha ido dormir. Em teoria, Alice ia ali, mordia-me as mãos, corria e depois das boas-noites ia à sua vida.

Mas, enganei-me, e esse engano mexeu comigo.

Alice, em cima do sofá, junto às minhas pernas, parada, sentada, descontraída, a ver televisão.

Senti-me, pela primeira vez, com uma companhia nova, a qual já não dispenso, a qual me provoca saudades e ternura. Jamais ficarei sózinho, tenho a certeza.

Não pense que isto durou muito tempo. Durou uns cinco minutos, esta pausa. A seguir, Alice voltou, literalmente, a andar à roda, a tentar apanhar a cauda – e já consegue -, ou a saltar para o meu peito para me vincar os dentes que mais parecem agulhas de acupunctura.

Houve aqui qualquer coisa. Eu e Alice. Sentiu-se aquele momento, ternura, silêncio, toque.

O mais curioso é que, quando cheguei a casa, à noite, depois de vir da televisão, enquanto esperava que o portão do condomínio se abrisse, dei de caras com algo anormal.

Uma gata. Preta. Grande. Adulta. Uma mancha amarela na pata. Uma mancha amarela na cabeça e junto aos olhos. Uma mancha amarela na cauda.

Estava encostada ao portão, do lado de fora, como que à espera que alguém aparecesse, para que entrasse dentro do condomínio.

Eu já vou habituado aos repentes dos gatos.

Parei o carro, enquanto o portão abria. O barulho do portão afastou-a.

Na minha cabeça um rasgo, lá dentro.

Esta gata é…

Não, não é, convenci-me.

Ainda agora, que escrevo, ainda agora sinto que aquela gata poderia ser a mãe de Alice.

estaría à procura dela.

Que raio, uma mãe não abandona uma filha.

Que raio, os gatos não são humanos, se calhar abandonam, se calhar sentem remorsos, apenas saudades que apertam o coração. Se calhar...

Se calhar nem era a mãe de Alice, embora os sinais...

Eu não sei o que é separar um filho de uma mãe.

Mas, prometo, em nome de Alice, escrever sobre isso.

Aqueles cinco minutos mágicos, com ela sentada junto a mim, só os dois, foram tão inundados de ternura, tão só nossos, que tenho a certeza, fosse ou não, aquela gata, mãe de Alice, Alice quis dizer que precisava de um abraço.

Ou apenas de cinco minutos mais felizes, no sofá da sala.

Depois, encaminhou-se para a sua cama e foi descansar.

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 20:39


2 comentários

De marta-omeucanto a 25.10.2016 às 12:18

Há uma gata lá na nossa rua, abandonada, que volta e meia tinha gatinhos. O meu senhorio, achando-se no direito, uma vez que lhe dava guarida à noite num barracão e era lá que ela tinha tinha os bebés, e não querendo assumir uma responsabilidade que não era dele, matava-os. Nessa altura, a gata miava desesperada à porta de casa dele, à procura dos seus filhotes. Andou deprimida, emagreceu muito. Até que ele resolveu comprar a pílula e dar-lhe. Agora já está muito melhor. Na altura, pensei que não sobrevivesse...

De Marta Rebelo a 25.10.2016 às 20:51

Quando a Alice deixar de ser bebé, lá para o seu ano, ano e meio, esses cinco minutos vão tornar-se horas.

Comentar post



Uma cena sobre corrida em geral e running em particular e também sobre a vida que passa a correr. Aqui corre-se. Aqui só não se escreve a correr. Este não era um blog sobre gatos. A culpa é da Alice.

Mais sobre mim

foto do autor



Arquivo

  1. 2019
  2. JAN
  3. FEV
  4. MAR
  5. ABR
  6. MAI
  7. JUN
  8. JUL
  9. AGO
  10. SET
  11. OUT
  12. NOV
  13. DEZ
  14. 2018
  15. JAN
  16. FEV
  17. MAR
  18. ABR
  19. MAI
  20. JUN
  21. JUL
  22. AGO
  23. SET
  24. OUT
  25. NOV
  26. DEZ
  27. 2017
  28. JAN
  29. FEV
  30. MAR
  31. ABR
  32. MAI
  33. JUN
  34. JUL
  35. AGO
  36. SET
  37. OUT
  38. NOV
  39. DEZ
  40. 2016
  41. JAN
  42. FEV
  43. MAR
  44. ABR
  45. MAI
  46. JUN
  47. JUL
  48. AGO
  49. SET
  50. OUT
  51. NOV
  52. DEZ
  53. 2015
  54. JAN
  55. FEV
  56. MAR
  57. ABR
  58. MAI
  59. JUN
  60. JUL
  61. AGO
  62. SET
  63. OUT
  64. NOV
  65. DEZ
  66. 2014
  67. JAN
  68. FEV
  69. MAR
  70. ABR
  71. MAI
  72. JUN
  73. JUL
  74. AGO
  75. SET
  76. OUT
  77. NOV
  78. DEZ
  79. 2013
  80. JAN
  81. FEV
  82. MAR
  83. ABR
  84. MAI
  85. JUN
  86. JUL
  87. AGO
  88. SET
  89. OUT
  90. NOV
  91. DEZ