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Agora já não há volta a dar-lhe, já não há nada a fazer, a não ser correr.

Correr com todas as forças, com toda a alegria, com toda a energia, com tudo o que tenho e não tenho, porque, aprendi durante estes longos meses, os sonhos existem para se tornarem reais.

Faltam horas, já não faltam meses, semanas, dias, faltam horas.

São horas, "senhor"!

Já cá estamos todos;

O Francisco, a Alice, o Quaresma, a Carla Moita, a Maria, a Adriana, a Kika, a Cristina e a Carla Fernandes.

Finalmente.

O ambiente na cidade imediatamente nos fez esquecer o cansaço da viagem, a todos ( quase de directa ).

Esta sexta feira fiz aquela que foi, provavelmente, a corrida mais rápida deste ano, a mais fantástica, até ver, a mais feliz de todas.

Corri, em Berlim, pela manha cedo.

Quando chegámos o cansaço era tal que às nove da noite ( hora de Portugal ) estava a dormir.

Recuperado, dez horas depois, saí para este treino, que devia ter sido na véspera, o último - meia hora - antes da minha primeira maratona.

Foi incrível. 

Junto às Portas de Bradenburgo, onde tudo acontece, eram milhares de pessoas, milhares mesmo, mexicanos, argentinos, brasileiros, espanhóis, alemães, britânicos, franceses, japoneses, australianos, tantos, mais de 130 nacionalidades.

Um ambiente brutal.

Acho que nunca vi tanta gente a correr, sem ser em prova.

Até mesmo à noite havia gente a correr.

O meu último treino foi feito à mesma hora da maratona, para ambientar o corpo.

Não podia ter corrido, literalmente, melhor.

Conheci parte de Berlim em passo de corrida, como eu tanto gosto, passei pelo memorial em tributo aos judeus mortos pelos nazis, pelas embaixadas, dos EUA e da Rússia, pelas Portas de Bradenburgo, outrora a única entrada na cidade dividida, uma coisa quase indiscrítivel.

Berlim é uma cidade onde se sente o peso da história.

O nosso apartamento - a nossa base em Berlim - por exemplo, está situado precisamente em cima do bunker onde Hitler se suicidou, juntamente com Eva Braun. 

Mesmo por cima.

Ao contrário dos outros monumentos espalhados pela cidade, apenas uma placa assinala o local.

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É um banal ( ou talvez não ) parque de estacionamento.

As autoridades alemãs nunca quiseram mais do que isso, porque nunca quiseram que este espaço se tornasse local de culto para os neo-nazis. Existem, infelizmente, apesar de tudo.

Mas, foi debaixo dos nossos pés que o monstro deu um tiro na própria cabeça.

A poucos metros mais de 2 mil blocos de betão recordam-nos os judeus mortos.

Tudo neste monumento, ao ar livre, é desnivelado.

Inquietude.

Inquietação.

A mesma que ensombrou as almas da humanidade.

Pouco depois, o epicentro do sonho, já passei vezes sem conta nas Portas de Bradenburgo, o local que marca o quilómetro 42, a recta final.

De cada vez que passei, de todas as vezes que passei, olhei lá para o fundo e imaginei-me a chegar.

Coisas minhas...

Durante o dia, depois dos cinco quilómetros e tal de corrida, fizémos mais de doze quilómetros a caminhar, visitámos quase tudo o que havia para visitar.

Pela manhã encontrámos o Ricardo Areias.

Foi fácil, não somos muitos portugueses no pelotão, por isso bastou ouvir a palavra "bom dia".

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A Alice e a Adriana ( que veio de Inglaterra ) chegaram a meio da manhã, os restantes chegaram já a noite estava a descansar.

Enquanto cumprimentava o Ricardo, que só conheci pessoalmente aqui em Berlim, a Carla Moita dizia-me:

" Temos que encontrar a Alice e a Adriana".

Bastou olhar para o lado, ali estavam elas, todos juntos em menos de dez metros quadrados, em menos de um minuto.

Os sorrisos não mentem.

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O Ricardo foi quem, através do Facebook, nos forneceu o contacto que possibilitou arranjar as inscrições, tudo isto dois meses antes da prova, mesmo em cima do joelho.

Combinámos novo encontro para hoje, já com os de Viseu e com o resto da nossa equipa.

À hora que lê este texto, já tomamos o pequeno almoço juntos, vamos fomos à "feira", no antigo aeroporto, levantar os dorsais.

Depois vamos almoçar com os runners de Viseu - a Clara e mais três corredores-, com o Ricardo, vamos celebrar a vida, a amizade e as corridas.

Vamos passar o resto do dia às voltas pela cidade.

É mágico.

Correr é mágico.

Eu nunca tinha estado com o Ricardo, que conheci aqui em Berlim, a Carla, a minha, nunca tinha estado com o Ricardo, nem sequer com o Francisco e com a família dele, muito menos com a Alice.

Nem a Carla, nem a minha filha Maria, que está a adorar tudo isto, como eu.

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É como se nos tivessemos conhecido há anos, mas não.

A Clara também não nos conhecia, até hoje, nem os seus três companheiros.

Somos 13 pessoas unidas por um momento.

Os que vão correr, os que estarão à nossa espera, no final, para chorarem de alegria connosco, mais todos aqueles que ficaram em Portugal.

Se isto não é magia, venha o Luis de Matos e faça desaparecer as Portas de Bradenburgo, era o fazias!

Daqui nada, quando por lá passar, vou voltar a olhar para a recta, onde me imagino a cortar a meta, com a Alice e com o Francisco.

Porque ninguém as vai fazer desaparecer, às Portas, muito menos à magia.

À noite temos o "habitual" jantar de massa.

Dizem que é tradição, na véspera das maratonas.

Não sei, nunca corri uma.

Vai ser a primeira vez.

Massa já comi muita, ainda na noite passada.

Mas, uma coisa eu sei;

Nada voltará a ser igual, a partir de amanhã.

Nem a vida, nem a amizade, nem o medo, nem a coragem, nem a alegria, nem as lágrimas, nem os sorrisos. Nem sequer as dores nas pernas, que já não tenho.

É que eu acredito no ser humano.

Eu acredito que tudo poderá ser melhor, até nós, enquanto seres humanos.

Berlim faz questão de nos lembrar isso, a cada passo.

Afinal, Hitler morreu, aqui mesmo, debaixo dos nossos pés.

Ele não ia gostar nada de saber que amanhã, mais do que tudo, amanhã é dia de celebrar a vida.

Estou vivo,

Estou feliz.

Obrigado.

Como diz o "Gabriel"; ajoelhou, então vai ter que rezar.

E vou mesmo!

 

( PS: Desculpe eventuais gralhas, são 3.30h da manhã, pela primeira vez não reli um texto, não dá para tudo, por isso deixo uma musiquinha, do seu "Gabriel", pois então )

 

 

 

 

 

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