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A SENSAÇAO DE VIVER ÀS PORTAS DA GRANDE CIDADE ( DIA 22 DA MARATONA)

Terça-feira, 08.05.18

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Os esquecimentos irritam-me, mais que os atrasos. Quanto a atrasos sou um “Ás”.

Os esquecimentos é que me tiram do sério.

Os meus treinos passam por correr, com regras determinadas, com objectivos que tenho que alcançar. Por isso, o relógio é decisivo.

A recuperação é passado, as pernas estão boas, é um recomeço, do zero. Essa fase já lá vai. Começou no dia oito de Janeiro, acabou

Neste momento treino para a maratona de Berlim - estamos no mês em que dizem sim ou não às acreditações, mas o nosso serviço secreto trabalha bem.

O meu plano de treinos já inclui subidas, num determinado tempo, dentro de um registo cardíaco definido.

Também treino rectas, como hoje;

Fiz quinze minutos de aquecimento, com um patamar cardíaco definido e depois, bom, depois como se tivesse treinado rampas. É assim que sinto os treinos de velocidade, intensos, que cansam, que sentes que estás a trabalhar, a carregar, a desenvolver, tal como nas rampas acabo dobrado, com as mãos nos joelhos. Ofegante.

Um quilómetro vezes cinco, com um intervalos com cerca de um minuto.

No fim, mais dez minutos de corrida idêntica à corrida inicial.

Já disse que os esquecimentos me irritam, mais ainda quando me esqueço de carregar no botão do relógio, para começar o treino.

Parece de somenos, mas não é, então, a pessoa vai ali, téctéca, na sua passada, a fazer os seus quinze minutos de fama, antes das rectas malditas, quando repara que o relógio está parado.

O relógio parado.

Parou o relógio, mas não parou o tempo, e durante esse tempo, antes das rectas, pensei numa realidade que está à frente dos nossos olhos, mas parece que não existe.

A interioridade, na grande cidade.

Por causa da corrida tenho conhecido o “território” português e tenho visto quem são e como promovem o território, o esforço que fazem. Quase sempre no Interior, por vezes bem lá no interior.

É tramado, para eles, se querem ver um jogo do Sporting ou do Benfica, ou se querem ir ao concerto dos U2, ou simplesmente visitar família.

Há pessoas que nunca viram o mar.

Cá, em Portugal.

Por isso, entendo-os como ninguém.

E, é mais ou menos assim que me sinto sempre que meto os calções e a camisola e calço as sapatilhas. Um tipo que vive no interior, a apenas meia hora da capital do império.

Ao contrário dos meus concidadãos do interior, aqui ao lado, eu, simples cidadão posso ir ao jogo, ou ao concerto, ou visitar a família, mas é-me difícil praticar desporto. Nas cidades do interior não, nas cidades maiores muito menos, aqui sim, quase impossível.

Sinto-me como as pessoas de Bragança, da Guarda, de Castelo Branco, atenção; não estou a estabelecer uma comparação, estou a mencionar um estado de espírito.

Imagine-se, viver a meia hora da capital e o único local, num raio de 20 ou 30 quilómetros que tem para praticar desporto, no meu caso correr e treinar corrida, é um belo, fantástico, calmamente passeio ribeirinho, ao longo do Tejo. Mas, só isso, nada mais.

Nem mais um único sítio para praticar desporto, tirando as ruas e os cães e as pessoas, as estradas com os seus camiões, ou então, no meu caso, a Lezíria, mas ao que consta a Lezíria ainda não é um parque desportivo, continua a ser a maior propriedade agrícola do país, apenas isso.

Lisboa a Cascais quase que se pode fazer a correr, junto ao rio, o parque de Monsanto, o Estádio do Jamor, o Estádio Universitário, em Lisboa há imensos equipamentos desportivos que podem ser usados por pessoas que gostam e precisam de praticar desporto.

Lá, nas terras que conheci, há a distância que impede, mas há uma qualidade de vida que deixa a desejar, cá por estas bandas.

Em todas as cidades onde corri, ou em provas, ou por prazer, tive sempre um sítio apropriado para o fazer. Sim, no Interior há qualidade de vida, preocupação com as pessoas.

São trengas, essas campanhas contra o sal, contra o sedentarismo, blá, blá blá, se depois esquecem-se do desporto, esquecem-se das pessoas e, como eu me irrito com esquecimentos.

De Lisboa, até onde eu vivo, zero.

A excepção é o passeio ribeirinho de Vila Franca, é bonito, é bom, mas parece-me pouco.

Creio que os líderes desta zona (Vila Franca de Xira e Benavente - digamos que vivo nos dois sítios), bem às portas de Lisboa, não querem saber do desporto para nada, nem sequer, isso é que é grave, da saúde e do bem estar dos seus eleitores.

Todos os dias são cada vez mais e mais aqueles(as) que, ao fim do dia caminham, correm, fazem exercícios, onde calha, pois.

Eu treinei no passeio ribeirinho, onde treino normalmente (faço 7 kms de carro para cada lado) e esqueci-me de meter o relógio a funcionar, o que me ia dando cabo dos nervos.

É que eu detesto esquecimentos.

Detesto que se esqueçam das pessoas, muito mais do que quando me esqueço de ligar o sacana do relógio.

Os esquecimentos irritam-me.

Devia haver uma lei que obrigasse todos os políticos a praticar desporto.

Era garantia que havia locais para correr, para treinar, para respirar.

Só que não há lei nenhuma igual a essa.

Esqueceram-se de a fazer, porque as pessoas, afinal, importam pouco entre cada ciclo eleitoral.

Querem correr?

Corram na rua.

Nós corremos, descansai.

Mas, não é isso que me fará esquecer, porque os esquecimentos irritam-me.

Prefiro dez mil vezes esquecer-me de ligar o relógio antes do treino.

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publicado por The Cat Runner às 21:31





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