Saltar para: Post [1], Comentários [2], Pesquisa e Arquivos [3]

The Cat Run

Uma cena sobre corrida em geral e running em particular e também sobre a vida que passa a correr. Aqui corre-se. Aqui só não se escreve a correr. Este não era um blog sobre gatos. A culpa é da Alice.

The Cat Run

Uma cena sobre corrida em geral e running em particular e também sobre a vida que passa a correr. Aqui corre-se. Aqui só não se escreve a correr. Este não era um blog sobre gatos. A culpa é da Alice.

09.01.18

OBRIGARAM-ME A PARAR DE CORRER (A MARATONA DIA 0 )


The Cat Runner

DIAZEROEasyResize.com (1).jpg

 

 

Há decisões que os adultos tomam na vida que não passam de impulsos.

Depois vem o resto, quando te colocas frente a ti mesmo e percebes que não há caminho de volta.

Se há quatro anos não imaginava correr um quilómetro, sequer, muito menos sonhava correr meias-maratonas.

Já corri uma dúzia delas.

Mas, esta não é uma crónica sobre um corredor de fundo, das corridas.

Esta é a primeira crónica sobre um corredor de fundo, da vida.

Aprendi a partir de trás, lentamente, até atingir o ponto de rebuçado, a frente.

Percebi que por vezes a luz ao fundo do túnel não passa, apenas, do combóio que se aproxima.

Nessa encruzilhada a decisão segue o seu impulso, apanhas o combóio ou ficas na eternidade de uma dúvida, se a luz existe, lá ao fundo do túnel?

A minha vida é como a minha corrida;

Comparo as decisões, os impulsos, a dor, a alegria, o suor, o descanso merecido, o bom e o mau, que somos todos, porque o caminho não o escolhemos, apenas o calcorreamos.

Desde que há quatro anos comecei a praticar exercício físico com regularidade que sempre me recusei a alimentar a ideia de correr a prova que transforma um qualquer num maratonista;

A Maratona (com M grande).

Sempre que me perguntavam pela maratona (aqui, com m pequeno), eu tinha a resposta pronta; “nem pensar, isso é só para heróis, não é para mim”.

E, dizia-o com toda a franqueza, aliás, não sei sair daí, das paredes da honestidade, da seriedade, não sei e não quero sair daí. Faz-me feliz ser assim, tal como a corrida me faz feliz.

Sete mil quilómetros depois decidi voltar ao ponto de partida.

São mais de sete mil quilómetros que as minhas pernas já suportaram, até este momento, já passei Moscovo, sei lá, já devo estar na Ásia, por esta altura.

Quatro anos de corridas, mais de sete mil quilómetros fazem de mim um perfeito anormal, não fazem de mim um corredor de fundo.

Porque a minha vida é como a minha corrida, há dias, porque a vida me encosta cada vez mais à parede, tomei a decisão que nunca imaginaria ter coragem para tomar:

Correr a Maratona.

Foi preciso muito pouco para perceber que esta decisão vira a minha vida de cabeça para baixo.

Mal decidi e já tinha essa percepção.

Correr a Maratona não é para meninos.

A mim, mete medo, cria-me ansiedade, provoca-me tensão, exige-me respeito profundo.

Não quero acabar a maratona, quero fazer a maratona bem e acabar bem.

Quero poder olhar-me ao espelho e dizer: “ és o teu maior orgulho “.

Iniciei, por isso, uma bateria de exames médicos, análises, raio-x, ecografias, quis saber como sou por dentro, fiz uma parceria com um treinador de elite, que me definiu regras e treinos, consultei uma nutricionista, porque eu simplesmente não me alimentava, comia, às vezes, iniciei um plano alimentar diferente.

E,  parei de correr.

Juro!

Fiz reset a tudo.

Comecei do zero, ontem.

E, como é bom recomeçar do zero, o ponto virgem.

Não só na corrida, na vida também, ou não andassem as duas de mãos dadas pela rua.

Se leu esta crónica até aqui, deve estar a perguntar; se o tipo começou a preparar-se para uma maratona porque raio parou de correr?

Pois, isso vem explicado na próxima crónica ( ahahaha ).

 

 

 

 

6 comentários

Comentar post