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por The Cat Runner, em 26.10.16

A MÃE DE ALICE

 

alicequartafeira.jpg

 

 

Dia 24

24/10/2016

 

Uma data de nascimento. Uma mãe.

São estes, para mim, os dois factores X que tornam qualquer indivíduo num indivíduo único.

Não há cópias.

É assim para qualquer animal.

Isto, a propósito de Alice.

Prometi, há dias, falar sobre a mãe de Alice.

Alice tem mãe.

Desde há dias, tem também uma data oficial de nascimento; 20 de Agosto de 2016.

Foi a veterinária quem, através da aparência e de outros sinais de Alice lhe determinou a data de nascimento.

Alice é, agora, um ser vivo com um princípio de vida para contar.

Há dias vi uma gata parecida com Alice, uma gata adulta, junto ao portão de entrada da minha casa.

Vi-lhe semelhanças, pêlo escuro, mas tricolor, pêlo de gata rafeira, só as gatas fêmeas são tricolor,

engraçado, as coisas que Alice me vai ensinando.

Aquela gata podia ter sido a mãe de Alice.

Pode ser, mas mesmo que não o seja, o princípio é universal: uma mãe nunca abandona um filho.

Uma mãe nasce para amar o filho. Um filho nasce para amar a mãe. Eu gosto do curso natural das coisas.

Não sei se, no mundo dos gatos é suposto as mães abandonarem os filhos e, mais tarde, procurarem por eles. Não sei, os animais não racionais (?), no caso os gatos, vivem num mundo muitas vezes inacessível a nós, os racionais (?).

Quero acreditar que não.

Acredito, sim, que aquela gata, que parece Alice adulta, não é a mãe de Alice. Eu acredito, mas...

Suponhamos que é, que era.

Se fosse mãe de Alice ela nunca a abandonaria.

Se fosse mãe de Alice ela defendia-a até ao seus próprios limites.

Se fosse mãe de Alice ela amava-a.

Se fosse mãe de Alice ela estaria à minha porta no dia seguinte.

Aquela gata não era, nem é a mãe de Alice, mas podia ser.

O amor que uma mãe tem por um filho é amor diferente de todo o resto do amor.

A minha, eu tenho a minha mãe, terei sempre a minha mãe, prova-me isso há 46 anos. Todos os dias.

Todos os dias trocamos mensagens, telefonamos, vêmo-nos, às vezes trocamos mensagens tão simples quanto: "Era só para te dizer que te amo".

"Também te amo muito, meu filho".

Coisas simples.

Dela nasci, ela me criou, ela abdicou por mim, ela dedicou-se a mim, ela acompanhou-me, ela defendeu-me, ela abraçou-me, ela beijou-me, ela fez-me ser eu, no todo, por ela, até hoje e até à eternidade, que eu acredito que somos eternos. O nosso amor é.

Acho que, também no mundo dos gatos, deva ser assim, pelo menos as gatas dão-nos exemplos; as mães limpam tudo em seu redor, quando as crias nascem, transportam-as na boca para local seguro e, até que deixem de mamar, as mães são como a minha; tudo pelos seus filhos.

A minha mãe continua a zelar por mim. 

As gatas desprendem-se dos filhos, passado um tempo.

Será isso que nos torna racionais e a eles não?

Talvez não, porque só estou a falar de amor, incondicional, único.

Por veze,s a vida coloca-nos curvas inesperadas no caminho, e a natureza inverte o seu curso, uma mãe e um filho separados é inverter o curso da natureza.

Não sei se aquela gata é a mãe de Alice, ainda tenho as minhas dúvidas.

 Não sei se não o é.

Se ela aparecer, de novo, prometo perguntar-lhe.

Se a resposta for afirmativa convido-a a entrar, desde que me garanta que não me leva Alice.

Deixarei que a visite sempre que queira, mas não deixo que me a leve daqui.

É que um filho nasce para amar a sua mãe.

Alice nasceu para a amar-mos.

 

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publicado às 15:03



Uma cena sobre corrida em geral e running em particular e também sobre a vida que passa a correr. Aqui corre-se. Aqui só não se escreve a correr. Este não era um blog sobre gatos. A culpa é da Alice.

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