Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

The Cat Run

Uma cena sobre corrida em geral e running em particular e também sobre a vida que passa a correr. Aqui corre-se. Aqui só não se escreve a correr. Este não era um blog sobre gatos. A culpa é da Alice.

The Cat Run

Uma cena sobre corrida em geral e running em particular e também sobre a vida que passa a correr. Aqui corre-se. Aqui só não se escreve a correr. Este não era um blog sobre gatos. A culpa é da Alice.

21.02.18

METADE DA VIDA


The Cat Runner

 

IMG20180220015006EasyResizecom.jpg

 

 

A TVI fez 25 anos.

É uma porção de tempo respeitável.

É uma porção de tempo que merece respeito.

Sobretudo, respeito por aqueles, tantos, que ao longo de 25 anos deram e receberam, muito.

Nunca o disse, mas tenho uma TVI só minha, não dá para me a tirarem.

Metade da minha vida foi passada dentro dela, com ela.

Tenho 48 anos, estou lá há 24 (23 e meio), ela tem 25.

Entrei solteiro. Casei.

Entrei sem filhos. Tenho dois.

Entrei novo. Estou velho.

Entrei com sonhos. Concretizei alguns.

Entrei ninguém e ninguém continuarei a ser quando sair.

Mas, não há volta a dar, a TVI, é como a olho, corre-me nas veias, bomba-me o coração, está tatuada na pele.

Entrei tinha ela um ano e meio, estava a começar a dar os primeiros passos.

Ela mudou, muito, muitas vezes.

São as pessoas que fazem a história e, tantas que por lá já passaram. Eu, continuo.

Por quanto tempo?

Não sei, não faço ideia.

Toda a vida defendi a minha TVI com dentes cerrados. Quando ela não tem defesa limito-me a calar-me.

Tantas vezes me zanguei com ela, tantas vezes me desiludiu, tantas vezes me revoltei.

Tantas vezes chorei, mais de alegria, tantas vezes me senti orgulhoso, tantas vezes, a caminho da TVI pensava “vou fazer aquilo que se calhar milhões adoravam fazer”.

A TVI ensinou-me a valorizar a vida.

No deve e haver, os maus momentos não conseguem, de todo, superar o tudo de bom que a TVI me deu e me fez. Muito menos mesmo os piores momentos.

A nossa relação é de marido e mulher.

Mesmo quando ela não me liga nenhuma faço questão de lhe mostrar que eu estou ali.

A TVI fez 25 anos.

Apeteceu-me escrever sobre ela, a minha TVI, não é sobre a TVI que toda a gente vê. É sobre a minha.

Foi ela que me abriu as portas para ensinar, para dar aulas, foi ela que me criou condições para casar, comprar uma casa, constituir uma família, foi ela que colocou o esforço do meu trabalho aos olhos das pessoas.

Foi ela que me deu algo que nunca pensei ter; o reconhecimento do meu trabalho, no meu país, por parte dos meus concidadãos.

No dia que eu morrer haverá pelo menos uma alma que dirá: aquele gajo foi jornalista da TVI.

A TVI mudou tantas vezes que, por vezes, dou comigo a perguntar se é a TVI.

É.

Será sempre.

Por isso acabei o jornal da meia noite de uma forma extremamente intensa, para mim;

A TVI fez 25 anos.

Espero que nos acompanhe nos próximos 25.

(Mesmo que eu já lá não esteja)

A TVI é como os meus braços, pernas, coração, alma, faz parte de mim.

Peço menos, a minha TVI.

Que eu tenho uma só para mim !

21.02.18

É A VIDA, JOSÉ ! ( DIA 12 DA MARATONA )


The Cat Runner

IMG20180211220252419EasyResizecom.jpg

 

 

As coisas estão a correr bem.

Quero dizer, algumas, que não podemos agradar à vida a cem porcento, nem ela a nós.

Coisas da vida!

Bom, neste momento sei que acordo com o meu coração a bater ali à volta das 155 batidas por minuto, todos os dias.

Há quase dois meses que tiro a pulsação, sempre que acordo, de acordo ( a repetição da palavras foi de propósito ) com o determinado pelo meu treinador. Também registo outros dados diários, que não são para aqui chamados, agora. Faz parte do plano.

Este mês fiz seis corridas. Hoje faço a sétima.

As coisas estão a correr bem.

Mas, não é para deitar foguetes, que a qualquer momento tudo pode mudar.

Coisas da vida!

As primeiras corridas, de 35 minutos, foram servindo para testar o estado das minhas pernas.

As seis corridas que faltam, para completar o mesociclo (este mês) têm o mesmo objectivo das primeiras. As próximas vão passar a ser de 45 minutos. Faz parte do plano.

Acontece que, sinto as pernas cada vez melhores.

Na última corrida, pela primeira vez, em dois anos, praticamente não senti desconforto no gémeo direito. Apenas um resquício.

A corrida foi feita em passadeira ( uma vez não faz mal ). Agora, na próxima, na rua, é o tira-teimas. Ou vai, ou racha (mais rachas não, please).

Para lá deste brutal desafio que é conjugar o treino com a regeneração das pernas, há o desafio psicológico.

Por exemplo, enquanto escrevo apareceu-me a tal sensação de desconforto.

É mental.

Estou a escrever e o meu sub-consciente está a correr, com dores e desconforto.

Só pode ser ele, visto que eu ainda estou no sofá, só vou correr ao fim do dia.

Isto pode não parecer nada, mas para um tipo que quer ir correr uma maratona, pela primeira vez, isto é imenso.

Nunca, na vida, me deixei derrotar pela mente, mas passar esta barreira está a ser mais difícil que o Harry Potter passar a parede da plataforma 9 3/4.

Hoje, finalmente, vou ao tira-teimas.

hojeEasyResizecom.jpg

 

Tenho o estômago colado e uma dispensável sensação de ansiedade.

Pode parecer nada, mas isto é imenso, para mim.

Se hoje as pernas não me doerem, de todo, estou apto a passar à fase 3 do plano de treino.

Concluir as corridas que faltam, em Fevereiro, porque aproveito sempre e coloco mais quilómetros nas pernas, e continuo a garantir que o calvário chegou ao fim.

Depois, em Março, começamos os treinos mais focados na maratona. As rampas, as séries, o ginásio, que quanto à alimentação a coisa vai indo, embora seja chato ter que comer 5 vezes por dia, e preparar tudo, e isso.

O que sinto é que estou a conquistar coisas, umas atrás das outras.

E, já que não podemos agradar à vida a cem porcento, nem ela a nós, ao menos que alguma coisa faça sentido.

Correr faz todo o sentido, para mim.

É a vida. Faz parte do plano.

Viver.

Correr.