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"A DOR EXPULSA A FRAQUEZA" ( DIA 42 DA MARATONA )

por The Cat Runner, em 16.08.18

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( FOTO: RICARDO AREIAS )

 

 

Hoje escrevo sobre mim, por interposta pessoa.

Outra pessoa.

Podia ter sido eu.

Tenho recebido apoio e incentivos de tantas pessoas que, confesso, fico banzado.

O Ricardo Areias tem sido uma dessas molas que alavancam a vontade de levar isto até ao fim.

Ontem, o Ricardo enviou-me um texto dele, que publicou, com uma coragem que raramente se vê.

É ler, para perceber.

Este texto não me sairá da cabeça.

Vai acompanhar-me até ao momento em que cortar a meta, em Berlim.

Já vai entender...

 

 

 

 

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OS DEUSES DEVEM ESTAR LOUCOS ( DIA 41 DA MARATONA)

por The Cat Runner, em 15.08.18

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Sou bipolar.

A corrida trouxe à tona a minha bipolaridade.

Só não sofro é da parte do “transtorno”.

No último texto queixei-me das dores nas pernas.

Hoje as minhas pernas estão novas.

Do Inferno ao Céu em menos de vinte e quatro horas.

Sei lá !

Acha que eu sei porque é que isto acontece?

O que eu sei é que a corrida de hoje foi do diabo.

Depois de ter corrido, pela primeira vez, que vinte e quatro quilómetros, com enorme sacrifício, tudo fiz para recuperar bem.

Mas, o desconforto nas pernas não me largava, até hoje.

Hoje, quando saí para correr eu não tinha pernas, tinha duas bigornas, uma de cada lado.

Cumpri o calendário de preparação mas falhei o objectivo do treino.

Uma hora e um quarto em ritmo progressivo.

Em teoria, uns doze quilómetros, na prática, quase onze.

Foi uma corrida tão pesada quanto o calor que senti.

Não consegui correr progressivamente, a trinta dias da maratona.

Senti-me frustrado, desanimado, stressado, cansado.

Foi, provavelmente, a corrida mais lenta que fiz, desde Janeiro deste ano.

Inquieto, com o pensamento a puxar-me para baixo, terminei o treino onde tinha começado, junto da família.

Logo hoje que fomos fazer um piquenique, logo hoje, não podia estragar-lhes(me) o dia.

E não estraguei.

O meu amigo de toda uma vida, padrinho da minha filha, encarregou-se de iniciar a minha recuperação;

Crioterapia “à la carte”.

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Não havia como ficar desanimado.

Depois lembrei-me da conversa que tive com o Ricardo Areias.

O Ricardo é uma daquelas pessoas ( como todos os que correm a sério ) a quem o país dá valor zero.

Sentido o que eu sinto, de bom e de menos bom, com a corrida, na corrida, a corrida dá-me o privilégio de trocar mensagens e pedir conselhos a atletas “profissionais” (?), mesmo sem nos conhecermos pessoalmente.

A corrida não tem nada a ver com o distante mundo do futebol.

Não que os corredores não trabalhem. Trabalham é muito mais do que se possa imaginar.

Eu imagino.

Aquilo que se sente, sofre, para atingir os objectivos, e os deles são totalmente diferentes dos meus.

O Ricardo é daqueles que correm a maratona em menos de três horas.

Pois bem, lembrei-me da nossa conversa de ontem, no chat do Facebook ( porque ainda não nos conhecemos pessoalmente, será em…Berlim).

E lembrei-me da troca de mensagens com o Francisco, durante a (não) corrida de hoje.

O Francisco, depois de um treino de quarenta quilómetros e outro de dez parou dois dias.

O Ricardo também parou, e também me garantiu que o desconforto não poupa ninguém, mas que será fundamental para “lá chegar”, à meta.

Lembrei-me deles e do que me disseram.

O Ricardo Areias é, se quiser, um dos maiores, se não o maior responsável pela concretização desta aventura demolidora.

Foi ele que, após apelo meu nas redes sociais, me colocou em contacto com a “Maratonas do Mundo”.

Assim conseguimos as nossas inscrições totalmente fora de horas e quando já não acreditávamos.

O Ricardo envia-me mensagens, às vezes.

Como se não fosse bastante enviou-me há dias uma foto com uma mensagem de incentivo, de apoio, de coragem.

Nessa foto estavam as medalhas que o Ricardo já conquistou em Berlim, na maratona.

Ainda a guardo.

Pensei em tudo isso, em tudo o que me disseram e, depois de ter rogado pragas ao meu adorado treinador - sabe tanto disto - durante a corrida, devido ao meu sofrimento, cheguei à conclusão que bate tudo certo.

Quando cheguei a casa tomei banho, tratei dos cuidados habituais, creme no corpo, desodorizante roll-on, cera no cabelo, dentes lavados e pimba, “vou escrever”, pensei.

É quando me dou conta que as minhas pernas, como que do nada, deixaram fugir todo o calor, todo o peso, todo o desconforto que tinham e que tanto me fizeram odiar aquilo que estava a fazer. A sério.

O meu treinador sabe tanto disto.

Os meus amigos sabem tanto disto.

Foi isto, esta corrida diabólica, debaixo de um intenso sol ribatejano, que tratou de recuperar os músculos das pernas.

Do nada, ou não tanto, talvez porque é assim mesmo.

Agora é gerir até domingo, dia de longão.

Ok, eu até admito não ser bipolar e ter usado a palavra para tentar agarrá-lo(a) ao texto, mas as minhas pernas são.

Seja como for, ainda há bocado estava deprimido e agora estou feliz.

Elas estavam mortas e acabaram de renascer.

Cheira-me que vou acabar esta semana em altas.

Soubesse a malta o apoio que me transmitem!

Não tira as dores, mas fá-las desaparecer.

Juro!

Ou não.

Ou então, são os deuses que estão loucos.

E eu também!

 

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O HOMEM SEM CABEÇA ( DIA 40 DA MARATONA )

por The Cat Runner, em 14.08.18

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Aproxima-se aquele que é, provavelmente, o dia mais simbólico da minha idade adulta.

Entrámos na recta final.

Aposto que a ansiedade já se apoderou de todos os que pertencem à nossa equipa.

Isso, somos uma equipa, em nome da amizade pura e das cores do arco-íris.

Até temos um nome, somos os Rainbow Runners.

Somos mesmo e somos amigos puros, todos os onze que vão conquistar o coração de Berlim, onde há um arco-íris só nosso.

O tempo passou tão depressa e eu sinto-me cansado.

É de revolução que falo.

Auto-revolução, porque há desafios do caraças.

Ponha-se no meu lugar, nos últimos oito meses aquilo que mais tive foi dores nas pernas treino após treino. Mas eu acredito que a amizade pura faz milagres, acredito que não ficarei assustado como ontem à noite.

Saia do meu lugar, porque isto não é uma queixa, é um facto com que eu já contava.

Só o (a) convidei para se colocar no meu lugar para sentir um bocadinho, só isso.

Depois do treino longo, que devia ter acontecido no domingo - não posso falhar um treino sequer, falhei o dia, agora tenho que compensar- dei comigo a pensar:

“ acabei de treinar uma meia-maratona, mais uns pózinhos, as pernas clamam, como é que vou correr o dobro?”.

Desanimei, confesso.

No caminho para casa reflecti.

Na verdade não fiz tempos muito diferentes do habitual, na verdade as pernas continuam quentes, muito quentes, mesmo, por dentro, cá dentro, mas há dois dados novos que são importantes;

A recuperação foi muito diferente, para melhor.

A outra outra que me animou;

Não acabei cansado.

As minhas pernas sim, eu não !

Durante quase vinte e quatro quilómetros, a mais longa corrida que já fiz, percebei muito melhor o meu corpo, as diferenças, aquilo com que vou contar.

Nessa reflexão,

Estou consciente que esta carga ( que eu julgava inimaginável) há menos de oito meses, esta carga que as minhas pernas carregam há oito meses, de forma permanente, umas vezes menos, outras mais, vai ser-me extremamente útil durante as quatro horas e meia, o tempo que gostava de fazer na minha primeira ( e provavelmente a única) maratona.

Porque a ideia é que todo este desconforto que me queima os músculos esteja bem longe de Berlim, no domingo, dia 16 do mês que vem, e o meu pavor começou a dissipar-se.

Como que em um filme vejo-me leve, solto daqui a cinco semanas.

É assim,

As últimas duas semanas são tão importantes quanto todas as outras vinte e oito semanas que é o tempo que demora esta aventura.

Nessas duas últimas semanas os treinos vão ter como objectivo retirar-me toda a fadiga das pernas, mantendo a condição adquirida ao longo destes duros, austeros, desafiantes e brutais meses.

Aqui entra outra barreira que tenho vindo a derrubar - e têm sido imensas, acredite, era assim que eu imaginava esta espécie de doce penitência -, os meus dois companheiros de aventura estão de longe em melhor forma do que eu, até porque já têm várias maratonas nas pernas.

Incomoda-me obrigá-los a correr cada quilómetro em seis minutos e meio, quando qualquer um deles o corre em cinco minutos.

Eles vão com esse propósito ( não só mas também ), ajudar-me e estar a meu lado, mas incomoda-me porque esta corrida seria fantástica para eles, se não fossem ao meu ritmo.

É uma barreira que será quebrada, já quebrei outras, como correr sem dores nas pernas a mando apenas do sub-consciente, sem qualquer dor, na verdade, mas com a sensação que as tinha, às dores.

Em outras corridas mandei-os embora, para fazer a corrida ao meu ritmo.

Em Berlim não.

Em Berlim quero-os ao meu lado.

São eles as asas que me vão fazer voar, porque eu acredito que a amizade pura faz milagres.

Passei de assustado ao estado oficial de crente.

Eu creio na corrida.

Eu creio na amizade.

Os milagres só existem nas nossas cabeças, mas existem.

A não ser que não tenha cabeça.

This is crazy !

 

 

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CORAÇÕES BONS ( DIA 39 DA MARATONA )

por The Cat Runner, em 06.08.18

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...É por isto que vou a Berlim...   ( CLIQUE E VEJA )

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É ATÉ AO FIM ( DIA 38 DA MARATONA )

por The Cat Runner, em 21.07.18

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Hoje fiz aquilo que não devia fazer, para fazer aquilo que tinha que fazer.

Têm sido dias angustiantes, estes.

Para mim e para muitas pessoas.

Tenho o defeito, disseram-me um dia, de “carregar todo o peso do mundo, nas minhas costas”.

Alguém aqui é perfeito?

Desde que me tornei adulto, há pouco tempo, que cheguei a uma conclusão, provocada pelo caminho feito até então: isto é só altos e baixos, para duros, porque a vida tanto te empurra para cá, como para lá, para onde ela quiser.

A angústia devia ser um sentimento banido pela ciência.

Ela suga-me.

Tenho um amigo que está desaparecido desde segunda feira. Desapareceu enquanto treinava.

Amigo dos tempos de escola, grande amigo quando precisei dele, obeso, como eu, há uns cinco anos.

Serve-me de exemplo, quando me cruzo com ele, em treino, eu para a minha maratona, ele para as suas provas de Iron man ou Triatlo.

Ando angústiado com o seu desaparecimento.

E, hoje fiz aquilo que não devia fazer; deixei um treino para trás.

Quer dizer que segunda feira será dose dupla, em vésperas de séries de vinte minutos.

Vou ter que ir buscar forças onde elas estão escondidas, para recuperar o calendário.

Mas, não fiz aquilo que devia fazer, para fazer aquilo que devia fazer.

Passei praticamente todo o dia em casa, a trocar mensagens, contactos, porque por um amigo dás tudo, incondicionalmente.

Ao fim da manhã pensei fazer  o treino que a angústia me impediu de fazer ontem.

Interiorizei que tinha que ir, por todos os motivos.

Foi quando recebi uma mensagem.

O comandante Jorge Manuel Mendes, um operacional, que me dá a honra de ser meu amigo, fez-me chegar a informação que tinha formado um grupo, voluntariamente, um grupo de voluntários, uns trinta.

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Este sábado estiveram a bater o terreno até a noite cair.

Este domingo voltam ao terreno, agora com outros mapas, outras pistas, outras estratégias.

Estão a fazer um trabalho paralelo ao das autoridades, pois estão como voluntários, mas estão em perfeita sintonia com as autoridades, afinal também eles fazem parte de organizações de busca e salvamento.

Quando recebi a mensagem do comandante JMM decidi ficar em casa e começar a filtrar, receber e a fazer chegar informação. Estivemos assim até ao fim do dia.

Quando lhe agradeci - o Jorge é dos lados de Sintra, o meu amigo é da minha zona e nunca se conheceram - o comandante respondeu-me com um soco no estômago:

“Não tens que agradecer, é um dever de cidadão”!

Esta semana, durante todos os treinos que fiz tive esse obstáculo invisível que se chama angústia.

Empurra-te para trás, quer que te arrastes, prende-te.

Compete a ti ser mais forte e ir mais além.

Que luta é essa se comparada com esta luta tão desigual?

Hoje não fui treinar porque tinha que fazer algo mais importante.

Este domingo tenho que fazer uma hora e meia intensa.

Levarei a angústia comigo, vou deixá-la no rio, espalhada até à foz.

Faltam-me oito semanas para chegar ao fim do arco íris.

Falta tão pouco, não é momento para correr com a angústia a meu lado.

Falta tão pouco, é até ao fim.

É seguir o teu exemplo.

É até ao fim !

E, mesmo que ande perdido é até ao fim.

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SORRISO SOFRIDO ( DIA 37 DA MARATONA )

por The Cat Runner, em 19.07.18

 

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Há um livro que me marcou, para sempre.

Vou reler, pela segunda vez, agora que se estreita o caminho para Berlim e a vida nos vai colocando, aqui e ali, obstáculos, para que não nos esqueçamos da nossa condição, quando, legitima e finalmente começamos a sorrir, por este ou por aquele motivo.

É assim, a vida é feita assim, não à medida do homem.

Esse livro foi escrito por um japonês que, depois de ter mudado de vida e de se ter dedicado apenas à escrita decidiu começar a correr.

Correu dezenas de provas de longa distância, triatlos, até que decidiu reflectir nesse livro o que significa para ele correr e como a corrida  passou a influenciar a sua maneira de escrever e de viver.

Os treinos diários, a paixão pela música, a consciência da passagem do tempo, os lugares por onde viaja acompanham-no ao longo de um relato.

Aqui, neste livro, escrever e correr traduzem a forma de Haruki Murakami estar na vida.

Ler este livro impele para uma meditação sobre nós próprios, na permanente busca  da verdade sobre quem somos, afinal?

Marcou-me pelos ensinamentos e pela outra história que ele conta.

“Auto-Retrato do Escritor Enquanto Corredor de Fundo” foi-me emprestado por um querido amigo, colega de trabalho, corredor de fundo, que tinha ganho a batalha contra um cancro. Ele emprestou-me o livro que me mudou, enquanto ser humano.

Nunca lhe o devolvi.

Ele morreu na véspera de uma meia maratona, ele ia correr a dele, eu ia correr a minha, noutra cidade.

Recebi a notícia da sua morte, de repente, no quarto do hotel, na manhã da minha corrida.

Nunca tive oportunidade de lhe devolver o “Auto-Retrato do Escritor Enquanto Corredor de Fundo” .

Está ali, na minha estante, em frente à minha cama.

Por vezes olho-o. Assalto-me por dentro. Por vezes evito-o.

Vou pegar nele e voltar a lê-lo.

A preparação para o maior desafio da minha vida está na recta quase final.

Vai ajudar-me, reler Murakami vai fortalecer-me, por vários motivos.

Porque vou reviver e relembrar coisas, porque vou reaprender outras, porque preciso de me preparar psicologicamente para a minha maratona.

Não quero chegar ao fim em dificuldades, isso quer dizer que não me preparei como deve ser. Quero passar a meta com todas as minhas faculdades físicas e mentais no auge.

Mas, vou voltar a ler o livro de Murakami porque estes têm sido dias difíceis.

Tal como foi dolorosa aquela corrida, poucas horas de pois de saber da trágica notícia do meu amigo JP, também dolorosos têm sido os meus treinos, esta semana.

Um querido amigo está desaparecido desde o início da semana.

Andámos juntos na escola, ajudou-me muito quando tive dois restaurantes que quase me levaram a falência, é um bom homem.

Sensivelmente, pela mesma altura em que comecei a correr, há uns cinco anos, o meu amigo era obeso, inchado.

Agora, com cinquenta anos é Iron Man, faz Triatlo, uma máquina.

Um ser humano sempre pronto para os outros.

Cruzo-me com ele muitas vezes, no jardim, no passeio ribeirinho, enquanto treinamos.

Desde o início da semana.

Ninguém sabe nada dele, apenas o telemóvel foi encontrado.

Paira uma onda de choque por estes lados, de choque e de solidariedade, de voluntarismo, de fé.

Tenho treinado com ele no meu pensamento. E, quantos pensamentos me têm passado pela cabeça, enquanto treino!

Vou seguindo as horas, com inquietação.

Vou continuando a treinar, cada vez mais duro, mais forte, mais rápido.

Não quero fazer má figura quando cortar a meta, em Berlim, amigo Grilo.

Quero cortar a meta como tu, naquela fotografia da semana passada, de braços no ar, esforço espelhado na cara que mostra aquele sorriso de quem corta uma meta.

Só quem corta uma meta entende esse sorriso sofrido.

Já tenho saudades de me cruzar contigo e te dizer: "bora lá, amigo Grilo".

O que nunca te disse é a inspiração que me tens dado desde que deixámos os dois de ser gordos.

Quero dizer-te, finalmente.

Olhos nos olhos.

 

 

 

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Pronto, meti zoom 300 porcento na página e assim já vejo bem, para escrever esta crónica.

Estou confrontado com sensações que nunca tinha experimentado antes.

Ainda há poucos dias escrevia sobre o início da aventura Road2Berlin2018;

Faltam nove meses, dizia eu, o parto perfeito. Tinha tempo para tudo, para recuperar as lesões crónicas das pernas, para modificar hábitos alimentares, fruto das circunstâncias, tinha tempo até para treinar.

Faltavam nove meses para a minha primeira e mais importante maratona, Berlim.

Pois, agora faltam dois meses e meio.

Pois.

Fruto das circunstâncias, tenho tempo suficiente para pensar na minha corrida.

Vejo vídeos, com os quais aprendo técnicas, que me têm ajudado nos treinos.

Leio sobre recuperação, métodos de treino físico e mental, treino a vários ritmos e intensidade, durante quatro dias, os outros dois dias faço ginásio e descanso um.

Tenho atingido os objectivos de treino, com extrema dificuldade, dada a intensidade e a cadência das sessões, mas tenho sentido resultados.

Disse-me o meu treinador: “ hard work paid off “.

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Fruto das mesmas circunstâncias - estou de baixa "prolongada" - tenho conseguido dedicar-me à preparação para a corrida, acontece que, vou repetir-me, sorry, sinto-me melhor a correr hoje do que me sentia há um ano, seis meses, quatro meses, dois meses, um mês, sinto-me bem melhor. Ponto.

Mas, a dois meses e meio da Big One pergunto-me várias vezes se estou no momento de forma em que devia estar?

Não sei se devia estar mais forte, mais consistente, mais rápido, mais resistente.

Estou mais do que estava, mas não sei se chega.

Sei que dois meses e meio dão para fazer muito, basta olhar o mesociclo; séries de 3X3 kms ou 3X4 kms, situações de treino que me levam quase à exaustão, sessões que, por vezes me obrigam a parar uns segundos.

Correr é sofrer, e essas pequenas paragens fazem-me voltar a sentir o equilibro enquanto corro, mas vou evitá-las, cada vez mais. Sofrer, mas com calma.

Sei que nestes dois meses e meio vou continuar a perder peso, vou continuar a melhorar, sei que vou passar para outro patamar, em breve, muito em breve.

Isso dá-me confiança, sobretudo quando dou comigo a visualizar a corrida mentalmente, porque já comecei a planificá-la dentro da minha cabeça.

Uma tarefa que será ainda mais trabalhada, se a minha forma continuar a evoluir.

Em Janeiro, o meu treinador disse-me: “a ideia é trabalhar, cumprir os objectivos, com calma. Trabalhamos para, em Setembro, estares no pico da forma, no momento programado”.

Hoje, depois de me queixar da alucinação do treino semanal de séries, ao fim de uns minutos de perguntas e respostas, mais da minha parte, várias ele dúvidas, explicou-me que “estes treinos de séries, em função dos BPM são treinos que vão ser úteis durante a maratona, quando chegares ao quilómetro trinta”.

Pronto, disse tudo.

O quilómetro trinta.

Recordo-me que, em Janeiro, quando falámos pela primeira vez, pessoalmente, ter-me dito: “ vamos treinar, durante estes nove meses, todos os factores que terás que enfrentar numa maratona. A alimentação antes, durante e depois da prova, as dores, a estratégia mental, a parede, ao quilómetro trinta, vamos treinar a forma de ultrapassar esse obstáculo e acabar a maratona bem”.

É incrível, tudo bate certo, menos a minha dúvida.

Um eu diz que sim. O outro eu também.

Mas, eu ainda tenho dúvidas.

E certezas.

 

( EM BERLIM SERÁ ASSIM, ATÉ RIMA E VAI SER VERDADE )

 

 

 

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Não tem volta a dar, vou correr uma maratona.

Está tudo preparado, menos eu, estadia, viagens, inscrição.

Não há, nem quero que haja volta a dar.

No primeiro dia do ano, quando decidi meter-me nesta aventura, porque é uma aventura, aquilo a que me propus, fi-lo porque queria materializar uma profunda decisão, interior, sobre mim, enquanto homem, enquanto pessoa, enquanto pai e marido, enquanto amigo, enquanto profissional.

A decisão mais difícil que jamais tomei não foi correr uma maratona;

Vou a meio da vida, não conto viver muito mais que 96 anos.

Digamos que estou no limbo da vida.

Perante aquele momento em que te equacionas, na busca de uma resposta, seja ela qual for.

A maratona de Berlim é a materialização de uma profunda mudança de vida, enquanto pessoa.

Ainda há dias disse-o ao telefone, a um amigo;

“Estou a meio da minha vida, gostei da primeira metade, mas a segunda, por ser a última, terá potes no final do arco-íris, mesmo que não haja ouro dentro”.

Dia 15 de Setembro será a data, o dia, o momento da minha individual e egoísta celebração.

Quero celebrar-me, porque sei que virei de Berlim um homem melhor, comigo.

Mais forte, mais corajoso, mais amigo, mais solidário, mais disposto, um homem melhor.

Porque, quando estiver a duzentos metros da meta final sei que a minha figura vai elevar-se, deixar o meu corpo - eu vou ver - e esfumar-se.

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Duzentos metros depois, quando cortar aquela meta, serei eu, novo, porque a minha fé, a fé em mim, levou-me até ao fim de uma aventura que terá exactamente nove meses de duração.

Começou em Janeiro.

Só há pouco tempo é que comecei, de facto, a estabelecer uma ligação entre uma coisa e outra, uma depende da outra.

Porque também posso não cortar a meta, em Berlim.

Tudo conta.

Berlim será tudo ou exactamente o mesmo.

Acredito que será tudo. Finalmente, em meu redor, as coisas começam a conjugar-se.

Começo a encontrar-me, de novo.

Sobretudo, por corro.

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Parece que foi ontem, “são nove meses de preparação”, mas não foi. Faltam dois meses e meio.

Estou a guardar tudo para Agosto, quando faltar um mês e meio.

Vou espreitando uns vídeos, no Youtube, com algumas técnicas de corrida, que aplico nos treinos e que, ultimamente, tem dado resultado.

Aprendi a aumentar a passada, aprendi colocar os pés, as pernas, os quadris como deve ser, aprendi a respirar, aprendi a correr com os olhos no horizonte.

Espreito os vídeos, experimento e coloco em prática nos treinos definidos no meu plano.

Tenho melhorado os meus tempos, nas duas últimas semanas, depois da meia maratona de Guimarães.

Mas, melhor, tenho sentido, no corpo, todo o trabalho que tenho feito, desde Janeiro.

Momentos houve em que sentia que não estava a evoluir nada.

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Hoje, sinto-me mais seguro, mais forte, mas ainda com um profundo respeito pela maratona, que é disso que este texto trata, pela importância que ela ganhou, na mudança que quero, para mim, enquanto gente.

Penso nos meus amigos que correm a maratona em três horas e meia.

Penso nos que correm em menos tempo.

Penso nos amigos que vão correr comigo, ao meu ritmo.

Penso que eles não sabem, mas vão ficar surpreendidos comigo.

Agosto marca a recta final deste processo.

Em Agosto começo a parte da afinação, afinar, alinhar, definir, em Agosto quero sentir que sou muito mais feliz, outra vez, mesmo antes do final deste propósito meu.

A maratona, logo a seguir, será o selo oficial desta aventura, aventura de vida, de uma vida, da minha vida.

Eu acho que tenho o direito de ser feliz.

É só isso, nada mais.

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CONQUISTAS ( DIA 34 DA MARATONA )

por The Cat Runner, em 28.06.18

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Correr uma meia maratona, sem dormir pelo menos oito horas não me parece bem.

Muito menos se essa corrida parte do castelo, na cidade que fundou Portugal.

É responsabilidade, gente.

Muito menos se essa corrida é feita, em grande parte, nas ruas, ruelas e passeios carregados de história, do centro de Guimarães, Património Cultural da Humanidade.

Agora percebo porquê!

Fantástica viagem no tempo, na história.

Esta, era uma das meias maratonas que faltava no meu curriculum de pré-maratonista amador.

Dizia-me alguém que eu escrevo melhor que corro.

É isso que quero inverter.

Certo é que a corri a meia maratona, dura, para duros, e cheguei ao fim.

A humidade, em Guimarães, no grande terreiro, junto ao castelo, era de 80%.

Às nove e meia da manhã já estavam trinta graus.

“ Amigo, ainda não começou a correr e já está a transpirar assim?”, lançou-me um daqueles tipos, com mais de cinquenta anos, bigode negro, sorriso malandro, daqueles que fazem a meia em pouco mais de hora e meia.

Era tudo junto, a humidade relativa do ar, a temperatura, as emoções, a noite anterior, e eu, ali mesmo, onde nunca tinha partido, no meio do pelotão, no meio dos duros.

Esta, era uma corrida que, por motivos pessoais, não estava para fazer mas, porque estou a levar à risca o plano de preparação tive que me fazer homem e fiz-me à estrada.

Valeu a pena, desde que cheguei até que vim embora. Há coisas que valem a pena.

Ali estiva eu, no meio dos corredores.

Ali ia eu, a abrir pelas ruelas fora, para não ser atropelado.

Fiz os três primeiros quilómetros abaixo dos cinco minutos cada.

Já sabia o que estava para vir, quebra.

Nunca eu imaginara o que aí estava para vir.

O pequeno almoço…

A parir do quarto quilómetro comecei a sentir tudo às voltas no estômago.

Alimentei-me correctamente, mas cometi o mesmo erro - pela terceira vez - que foi comer apenas uma hora antes da corrida.

Andei ali uns quilómetros aflito, a controlar a respiração ao limite, para que o oxigénio me ajudasse a passar aquele indisposição.

Foi assim até aos dez quilómetros. Já tinha o tempo todo lixado.

O meu treinador definiu uma corrida calma, em patamares baixos, apenas para ver as reacções.

Eu, não lhe o disse, mas quis ir mais além. Lixei-me, no entanto, ainda assim, cumpri com o que ele me disse, pelo que me deu os parabéns, ao fim do dia.

Começo a sentir o efeito dos treinos duros.

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As ancas não cederam nas primeira subidas, as pernas comportaram-se bem durante os vinte e um quilómetros, sem dores, sem mal-estar, o pior é que depois de descer tem que se subir e as subidas eram mais que as descidas.

Por alturas dos quinze quilómetros já estava a prever uma porcaria de tempo. O calor tinha apertado, a humidade mantinha-se, e depois - detesto - há sempre aqueles cromos, na beira da estrada que tem mandam uma boca: “então, assim não chega ao fim”.

Para a p@€£‰¶ que te pariu, pensei, não disse.

Siga, subidas, descidas, a Alice, já em sentido contrário, que a Alice está uma máquina, para brilhar em Berlim;

“Anda, eu espero, vou contigo”, ela já sabe a resposta, “nem pensar, segue”.

Pouco depois, também em sentido contrário, a Joana.

A Joana é bonita e elegante e sobressai no meio dos corredores.

Ela não me viu, confessou-me, no final, que queria fazer cinquenta minutos (ela estava a correr os dez quilómetros), mas que a determinada altura caiu de joelhos, exausta.

Eu disse que o traçado era duro.

Fez uma hora e quatro. Excelente.

Um dia alguém me explicará porquê, mas é ao fim de uma hora e tal de corrida que começo a sentir-me melhor.

Pensei recuperar tempo, estava quase a chegar ao fim.

Ele foi hidratante, na água, ele foi Red Bull, ele foi Isostar - só não vi as laranjas - eu fiz todos os abastecimentos, mas o que é para ser é, e o que não é para ser não é.

Não era para ser mais do que foi, cumprir os objectivos e ficar por aí.

Como sempre a Carla apareceu-me ao caminho, para tirar a selfie da ordem. Ao Francisco perdi-lhe o rasto desde a noite anterior, na rua das "quengas", apesar de ele me ter ligado antes da partida.

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Uma coisa esta meia maratona veio provar-me, quanto mais a dureza aumenta, mais aumenta a tua capacidade e a forma como conftontas os obstáculos.

Desta vez não festejei, quando passei a meta.

Limitei-me a cumprir o ritual; é sempre a Teresa Batista quem me coloca a medalha.

Nesta etapa, de Guimarães, a que me faltava no curriculum, tinha que ser a Teresa, e foi.

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Faz parte do ritual dar um abraço ao senhor Alfredo, que dei.

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Respirei fundo.

Respirámos fundo.

Há abraços que atalham caminhos, mesmo depois de duras subidas e de descidas traiçoeiras, que te dão cabo dos joelhos.

Sou um homem de sorte.

No fim, ainda almocei com a Joana. Roam-se de inveja !

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A medalha é linda.

Agora, em teoria, até Setembro não faço mais nenhuma prova, apenas treinos.

Sempre quero ver se a medalha da maratona da minha vida, que vou correr em Berlim é tão bonita quanto a que conquistei em Guimarães.

É que Guimarães é terra de conquistadores.

Lá, conquistam-se coisas, corridas e pessoas.

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VISITA À TWILIGHT ZONE ( DIA 33 DA MARATONA )

por The Cat Runner, em 28.06.18

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Estamos no ano 1345.

É noite de festa, nas ruelas, nos largos junto ao castelo, no adro.

Os nobres estão escondidos, ou entretidos em guerras lá entre eles, um ou outro, vêm-se aqui e acolá, numa esquina escura.

O clero reza nas trevas.

Não se mistura com as prostitutas, com os bêbados, com os mercadores, nem assiste aos espectáculos mais medonhos.

É cobarde.

Inquisição.

Os pobres, em noite de festa e de loucura enchem as ruas de Guimarães, noite dentro, noite carregada, como se não houvesse amanhã.

Um caos perfeitamente ordenado, assustador, ao mesmo tempo uma festa imensa, uma orgia.

Dizem-me que aquela a rua das “quengas”, e avisam-me: “toma cuidado, podem meter-te a mão pelos calções dentro, podem apalpar-te todo”, interrompo; “demoramos muito a lá chegar?”.

Por ordem do rei, naquelas noites, em que o real se confunde com o bom e o mau, as pessoas só podem caminhar numa única direcção, em cada rua.

Desde o castelo até cá ao casario que rodeia o largo principal.

Fez-me lembrar o Colete Encarnado, na minha terra, a movida.

Reparei que a Sílvia já estava à conversa com uma das muitas meretrizes, que aquela é a rua delas, sentada ao lado de uma outra, em cima de uma mesa de madeira, manca, mesmo no meio, no início da rua empedrada.

A mesa e a puta, mancas e gastas.

Se as duas trabalhavam para o taberneiro, que de lá de dentro do estabelecimento espreitava o que se passava cá fora, isso não sei. Reparei-lhes nas unhas, grandes, sujas, e nas sapatilhas de ginástica, daquelas brancas, com um elástico que todos usámos em miúdos, quando faziamos educação Física.

Isso, sapatilhas de ginástica nos pés de uma puta fingida.

Uma irrealidade desconcertante.

Tudo irreal, hiper-real.

Começava aqui uma viagem vertiginosa, na noite anterior à meia maratona (eu sei, não devia andar nestas vidas, mas...)seguimos em fila indiana, controlávamos a marcha com um braço esticado, apoiado no ombro do da frente.

Nunca entendi por que é que se chama fila indiana a uma fila de gente.

Só assim mantenhamos o sentido, misturados com centenas e centenas de pessoas como nós, vestidos como nós, sim, gente que vive no século XXI, só que...

A Sílvia não aprecia mulheres com buço e dentes podres, cabelos desgrenhados e crespos, pelo que começámos a descer a rua, em fila indiana, para não nos perdermos, que aquela é a rua das perdições.

O Francisco, a Joana, a Carla e os restantes seguiam lá mais à frente, que a fila já não era indiana, já não era fila.

“Prostitutas nada, só as duas lá do cimo da rua, gajos bêbados e feios, mulheres com lepra cravada no rosto, pobres almas condenadas ao inferno da Inquisição".

Era a Sílvia que me acompanhava, tinha sido ela a dar-me as dicas para entrar naquela rua, pimba, era ela que levava comigo.

Vai ser difícil esquecer ( e parar de rir ) a cara daquela miúda, olheiras escuras e gigantescas, olhos vidrados, abertos, muito brancos, aquele olhar entre o desespero e o ódio, a compaixão.

Assustei-me, quando a senti parada, junto a mim, bem ali à minha frente.

Eu levava o olhar cravado no chão, para não cair, quando de repente, ali, do nada, uma miúda vestida com um retalho preto como aquela noite, apenas iluminada pelos lampiões e pelas fogueiras das bruxas e pelo fogo do demónio.

A Sílvia conhece essa tal miúda, que me deteve, como se estivesse na presença de um fantasma, mas ao mesmo tempo não, olhando para as pessoas que me rodeavam.

Mostrou-me a foto dela, no telemóvel.

O Facebook ajuda imenso.

Era linda, gira, mais que isso tudo, era mesmo gira.

“ Tens que cá vir a Guimarães, mas sem ser para correr, vais adorar a cidade”, atira a Sílvia.

Continuámos a caminhar;

Uma mulher, numa casota de um cão, que acabára de dar à luz (uma boneca, para o efeito).

Mais adiante as pessoas quase paravam.

Agora sim,

Sinto um lenço, carmim, a passar-me na cara.

Olho, quase em câmara lenta.

Junto à porta, ali está ela, a mulher mais bonita que vi naquela noite.

“Te gusta, guapo?”.

Não me contive,

“Eu dizia-te, guapa, acaba lá isso e vem mas é ver-me correr amanhã de manhã e depois podemos almoçar ou assim…”.

Siga, que aquilo não é para estar parado.

Ainda me lembro da cara dela.

Acabámos a noite com uma sangria, no largo principal, onde desaguava a rua das “quengas”.

Aquela hora os tendeiros ainda vendiam carne viva (animais não racionais), sopas e poções mágicas, algodão doce, porco assado, com pão da zona a acompanhar.

Acabava a noite, para mim, em Guimarães, em plena feira Afonsina.

Uma viagem até às entranhas da Idade Média, só que em pleno século vinte e um.

Por isso não fui dormir em casa de passe nenhuma, nem sequer bebi em casa de pasto alguma.

Dormi no hotel, que já chega de Twilight Zone experiences.

Só que, chegado ao quarto, ligo a televisão, afinal, estamos na Idade dos Media e eu tinha acabado de sair da Idade Média.

Estava a dar aquela situação daquela assembleia geral.

Por pura curiosidade deitei-me, a ver.

Adormeci eram quase três da manhã.

Às sete, a pé.

A Meia Maratona de Guimarães era a única etapa que me faltava no curriculum das Running Wonders.

Casualmente, foi o meu treino longo da semana, assim estava definido.

Mas, isso vem no texto seguinte, porque para correr sem dormir como deve ser já me bastou no fim de semana.

Ontem e hoje foi dia de treino.

Tende paciência.

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