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Nunca fui o primeiro em nada, que me lembre, assim de repente.

Se pensar um pouco, talvez tenha sido primeiro em qualquer coisa, uma ou outra vez, mas não é esse o enfoque. Antes pelo contrário. É a antítese.

Último.

Último nunca fui, em nada na vida, tenho tido uma sorte do caraças.

Na verdade, acho que não conheço alguém que tenha sido, admitido, provado, sei lá, ter sido, ter ficado em último, em alguma coisa.

O mais perto que estive de ser último foi quando entrei para o curso de jornalismo.

Fui o décimo terceiro e o curso só tinha doze vagas.

Lá está, tive a sorte do décimo segundo ser dos Açores e ter desistido.

Fui o último a entrar, mas entrei, por isso não conta, acho eu.

O que conta é que fui, diria, impelido, não é bem este o termo, mas serve, impelido a ser o Embaixador oficial do circuito (EDP) Running Wonders 2017, meias maratonas em património da UNESCO.

Impelido não é o termo porque, em primeiro lugar, nunca imaginei ser embaixador do que quer que fosse, em segundo lugar, porque adorei o convite, que aceitei sem hesitar, e em terceiro lugar, porque até sou capa da revista oficial do circuito.

Em vinte e cinco anos de carreira nunca fui capa de coisa nenhuma.

Pois bem, é uma responsabilidade do caraças, mas também é uma forma de participação cívica, através das corridas, do desporto e da valiosa cultura portuguesa (ou parte dela).

Spread the word.

Fazia por isso sentido estrear-me na primeira corrida de forma marcante, pelo menos para mim, porque cada corrida que faço é uma viagem que completo dentro ao meu eu. Gosto, ponto. Viajo.

Mais,

Temos a mania de falar dos outros – eu tenho – umas vezes bem, outras mal, sem nunca calçar os seus sapatos.

Eu faço isto, eu sou aquilo, eu tenho isto, eu posso aquilo, mas nunca olhamos para o caminho que os outros pisam, eu não o faço regularmente, confesso, e devia.

Pois bem, assim pensei, assim fiz.

É uma minoria elevado ao expoente máximo. O último.

Nunca ninguém dá importância ao último.

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Ele é a minoria, personificada num só, o último.

Quando o último corta a meta já os primeiros celebraram a vitória, já os voluntários e o staff se preparam para desmontar a festa, já quase não há corredores, em redor, mas ainda há gente nas bermas, nas curvas, nas subidas, na chegada, ainda há palmas e muito mais que isso. Há empurrões à alma e às pernas.

Nunca tinha sido o último em nada, fui-o lá no alto, na Guarda, até a Serra eu vi, pintada de branco nos topos. Há registos disso.

E, estava bom, estava fresco, havia muita gente.

Foi a forma que encontrei de ser um Embaixador marcante, mas foi mais que isso, foi querer sentir e querer perceber aquilo que sente o último, como o olham, como ele se olha, como ele se desafia, a si próprio, ao ponto de ser o último.

O que lhe passa pela cabeça, pelo coração e pelas veias.

Um exercício útil, naquele contexto que é o da condição humana, porque as minhas corridas são experiências marcantes e boas.

Não sou um corredor rápido.

Sou um tipo que gosta de correr, e de muitas outras coisas mais.

Confesso, já tentei uma vez ser último numa meia maratona, mas há sempre alguém, muitos, que ainda são mais lentos do que eu, não me permitindo por isso estragar as minhas marcas, que também as tenho.

Esses, normalmente, arrastam-se, num prazer penoso, de penitência dissimulada.

Não dá, terminar uma meia maratona com duas horas e meia ou três horas. Era abusar, admito.

Mas, na Guarda, na estreia do circuito, lá no alto, onde o ar é em menor quantidade, era o momento ideal.

A ideia surgiu-me na véspera, enquanto treinava no ginásio do hotel onde fiquei.

Como Embaixador tenho um ou outro privilégio, como por exemplo partir onde e quando quiser.

Não tenho, mas pronto, escapei à segurança e fiz-me ao lance, resultou.

Fomos beber um café, quinze minutos antes da partida, enquanto milhares de pessoas faziam o aquecimento ao som de uma música que ainda não era por mim apreciada, não por nada, só porque ainda passava pouco das dez da manhã.

E, ainda só ia no segundo café do dia.

Tirámos umas fotos, demos uns abraços, conversámos, rimos, acertámos as app´s para a corrida. Tudo pronto.

Nessa altura, como sempre, já tinha gafanhotos dentro da barriga.

Obviamente, fico nervoso nos momentos antes da partida. A pessoa tem sentimentos.

Sou sempre invadido por uma espécie de orgasmo cósmico (nunca tive um), tipo comecem lá a correr, que eu quero ir, mas é já. Um vertigem. Cenas.

Havia uma viagem para fazer.

Soou o tiro de partida.

“Viva, bom dia”, disse, sorrindo, ao presidente da câmara, “vire-me essa pistola para lá”, fiquei receoso, com aquele dedo ali encostado ao gatilho, e a pistola virada para mim, quando distraidamente me saudou, acenando-me, bem junto à minha cabeça, cruz credo!

Nisto, já a meia maratona tinha partido, os dos dez e dos oito quilómetros também, e os da caminhada preparavam-se para entupir as ruas imediatas à partida.

Naquele momento não percebi quem era quem, apenas comecei a dar conta quando comecei a correr.

Misturado com aquelas pessoas, corri, fui correndo, correndo, até a multidão se dissipar, o que aconteceu uns quatro ou cinco quilómetros depois.

Aos dez quilómetros percebi, finamente, quem era quem.

Eles seguiam pela direita, nós os da meia, pela esquerda.

Faltavam onze quilómetros.

Olhei para trás, ninguém.

Tranquilo, há-de haver alguém que vai aparecer lá atrás, daqui nada.

Neste contexto, solitário, dei comigo a pensar que ia fazer um tempo igual ou pior ao da última meia maratona, uma semana antes. Tranquilo. Ia bem, a gozar a corrida, tranquilo.

Neste contexto, quer dizer, dois terços da corrida eram a subir, ainda mais, e eu fui convencido, ingénuo, que a corrida era quase toda a descer. Cenas.

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Arrependo-me, agora, tarde demais, de não ter aceite o convite do campeão Paulo Gomes, que até é dali, para ter ido reconhecer o percurso, na véspera.

Valeram-me as descidas, que tudo o que sobe, também desce.

Assim foi, até ao fim.

Bom, não foi só assim, mas isso fica para outro texto (e mais fotos e vídeo) daqui a uma meia hora.

Resto de boa manhã.

 

 

 

 

 

 

 

 

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publicado às 10:32

A TVI e a TVI24 são parceiros oficiais.

A corrida dá em directo, na tv.

Vão lá estar milhares de pessoas (eu e a minha gata somos duas delas).

Esta é a promo.

Será um sucesso, como todas têm sido.

O Gato continua a correr...(Alice é que vai ficar sózinha em casa todo um fim de semana).

Miauuuuuuu...

 

 

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publicado às 13:37

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(Passeio Ribeirinho VFX - Ontem) 

 

Continua a minha (não) preparação para a meia maratona de domingo.

Hoje foi dia de dormir.

O chamado treino passivo. Dormi até ao meio dia.

Depois fui ganhar core, tinha que dar uma entrevista, na Escola Superior de Comunicação Social de Lisboa (passa terça, na RTP2).

O treino ia a meio e o meu dia também – estou em outra latitude e fuso horário -.

Voltei a casa, dormi a sesta e vim apresentar notícias, mas só quando o dia mudar.

Gosto do dia a mudar, gosto de mudar o dia, de entrar num dia e sair no outro, separados por uma hora e meia, o mesmo tempo que dura um treino de Muay Thai, menso meia hora e picos que demoro a correr a meia maratona.

Estou em contagem decrescente.

Esta sexta feira vou levantar o dorsal.

Domingo é dia da raça, de a mostrar, a minha raça, a que tenho aprendido a ter e fazer uso, mostrá-la só a mim.

Parece que não, mas eu faço isto por mim, para mim. Tudo o resto faz parte do “show”, assumidamente.

Vou levantar o dorsal, depois de mais um treino de Muay Thai, pela manhã.

É o tal cheiro fresco do Napalm.

Até domingo não corro mais.

 

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publicado às 21:32


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