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RUNNING FOR CHITAS

por The Cat, em 12.12.16

 

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Recebi o convite por email.

Perguntavam-me se eu queria acompanhar um evento secreto, uma corrida sem rota, sem tempos para cumprir, sem competição, uma corrida secreta.

À partida não podia ir, informei por email, mas ia fazer os possíveis para estar presente.

Eu gosto de correr corridas especiais, só participo nessas, naquelas que me trazem conhecimento, me sensibilizam pelos seus propósitos, e esta, senti-o, era uma dessas corridas.

A #secretrun é por assim dizer uma empresa que só organiza corridas secretas, várias por ano.

Uma “subsidiária” da empresa-mãe, a “Correr Lisboa”, os “Vicentes”, que estão presentes em todas as corridas especiais.

Vi-me sempre obrigado a recusar os convites, por força da minha agenda profissional (nome pomposo para definir vida sem horários). A esta eu tinha que ir.

A chita é o animal mais veloz ao cimo da terra.

Mas, a chita, o mais veloz de todos, não conseguiu ser mais veloz que a voragem do homem.

Os caçadores destruíram o habitat natural, dizimaram a espécie, para oferecer casacos em pele natural às mulheres dos magnatas da morte.

São sete mil. Não são mais que sete mil, as chitas que existem no planeta.

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E, nós, sentados, nas redes sociais, em manobras de activismo virtual, assistindo à extinção de uma espécie, de mais uma, até que chegará o dia em que não conseguiremos ser velozes o suficiente, para corrermos da nossa própria extinção.

Talvez fossemos uns trinta felizardos, calçados com sapatilhas de correr e sorrisos de corredor.

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Felizardos, aqueles que desenrolaram o enigma e o decifraram, na página do Facebook da corrida.

Running For Chitas.

Só eu e a organização sabíamos onde a corrida ia terminar, porque é que íamos correr, e o nome da corrida. Mais ninguém.

Na verdade, o percurso só era conhecido do Bruno Claro, nem a mulher, a Sandra o conhecia.

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O Bruno e a Sandra são duas pessoas fantásticas que conheci nas corridas.

Estão em todas.

A Sandra dedica-se à empresa “Correr Lisboa” e à gestão dos eventos, o Bruno é o homem-chave do projecto. O planificador-mestre.

Fazem muito pela corrida.

Dão treinos quase todas os dias da semana, organizam eventos de corrida, participam em quase todos, divulgam a corrida nas redes sociais num registo tão positivo e apelativo, que só mesmo o mais insensível consegue não mostrar vontade de se juntar a eles.

São eles que também organizam as “Secret Run”.

O bruno recebeu os participantes, um grupo restrito de pessoas, na Quinta da Alfarrobeira, em São Domingos de Benfica, à hora marcada.

Não era uma hora certa; 15.36h.

O evento começava vinte minutos depois.

Os participantes foram recebidos por pessoas vestidas de negro, da cabeça aos pés, os pés denunciavam tudo, as sapatilhas de corrida davam um ar friendly ao ambiente de secretismo.

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Fomos informados que havia guias, não havia pressas, porque íamos parar várias vezes.

Saímos, depois de uma volta no interior da quinta (onde apenas um bloco de prédios divide a barulhenta cidade daquela quinta noutro lado qualquer, onde as árvores e os pássaros nos convidavam a não partir).

Saímos pelo grande portão verde da Quinta da Alfarrobeira, invadimos a esplanada do Califa, galgámos viadutos, atravessámos floresta, avistámos casais de namorados, velhinhos sentados em bancos de jardim, jovens pais em infantil perdição, enquanto corríamos.

Eu sabia para onde íamos, mas nunca o revelei, nem ao meu primeiro amigo, que conheci antes da partida, que as corridas provocam-me isto: amizade, antes e durante.

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Mais ninguém sabia.

Chegados à linha de fronteira, ou íamos para a Serafina, ou para a ponte 25 de Abril, ou para Sete-Rios.

Já com o grupo reorganizado, recomeçámos a corrida.

Virámos à esquerda, atravessámos vias-rápidas, estradas, passadeiras, sorrimos sempre, os automobilistas também.

Fomos pela zona dos autocarros, enquanto o fumo das castanhas deste Outono da vida nos entrava pelos pulmões dentro.

Observei as pessoas, naquela tarde de domingo, em passo de fim de tarde, rumo não sei onde.

Os portões em frente a nós eram grandes e verdes, como os da Quinta da Alfarrobeira, de onde tínhamos partido há cinco quilómetros.

Ali, nunca ninguém tinha corrido, ali, jamais alguém irá correr. Nós entrámos lá a correr.

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A corrida tomou o Jardim Zoológico de Lisboa. É lá que vive uma pequena comunidade de chitas, da já pequena comunidade de chitas.

A corrida era por elas.

A corrida era secreta, até aquele momento, em que entrámos no zoo, naquele fim de tarde, quando os animais começam a recolher, quando a noite os transporta para os continentes de onde vieram, onde deviam estar, mas estão a desaparecer.

O Jardim Zoológico de Lisboa é uma causa, em si.

Em boa-hora se associou a esta “Secret Run”.

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“Quando fizeram o convite para o Jardim Zoológico participar neste evento de sensibilização para a extinção das chitas, a propósito da Semana Mundial da Chita, vimo-nos obrigados a pensar, não era fácil abrir o zoo para uma corrida, junto aos animais”.

Mas, rapidamente Laura Dourado percebeu que esta era uma forma eficaz de dar a conhecer às pessoas a tragédia que só alguns parece estarem a assistir.

“Decidimos então aceitar esta parceria, para alertar para a extinção das chitas, ao mesmo tempo que promovemos o desporto, juntamente com a Secret Run”.

Laura correu durante todo o tempo na cabeça da corrida.

Mas, enquanto nós estávamos equipados para correr, Laura Dourado estava com botas, calças de ganga, camisola de gola alta e suor no rosto.

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No entanto acompanhou-nos ao longo das pontes, das subidas, dos jardins, dos leões, das hienas, das zebras, dos rinos, dos hipopótamos, das focas, dos macacos, dos linces, Laura não só não descolou da crew um único momento, como foi fundamental para as explicações que nos foram sendo dadas à medida que corríamos de um continente para o outro, dentro daquele jardim tão mágico.

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A ambiência inesquecível.

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Fim de tarde, cai a noite, há fumo no ar, será nevoeiro, outono apenas.

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O Jardim Zoológico é ainda mais mágico quando a noite cai e o silêncio só é cortado pelos risos das hienas.

Aposto que nunca tinha pensado nisto, praticar exercício no zoo.

Dificilmente conseguirá, por isso esta crónica é tão minuciosa, para que sinta a corrida como eu a senti, aceito alguma maldadezinha neste meu comentário, mas continuemos.

A “Secret Run” tem um sólido apoio da Reebok Portugal.

São parceiros. Por isso, Paula Dias, responsável pela marca, reforça tudo o que acaba de ser escrito:

“Sob os motes “Gym is Everywhere” e “ Be More Human”, a Reebok procura quotidianamente associar-se a eventos e embaixadores que refletem estas assinaturas.

A Secret Run é, assim, fruto da sua organização em parceria com a Correr Lisboa e destaca-se pela prática da corrida e de várias modalidades do fitness em locais onde, normalmente, a prática desportiva não está associada.

Os participantes têm, assim, acesso privilegiado e “secreto” a  locais inesperados, onde poderão praticar desporto, relembrando que este poderá ser feito por toda a parte, sem desculpas. Que é e deverá ser  uma atitude e estilo de vida, podendo estar presente sempre que a vontade o ditar.

Ser parte do que somos, quotidianamente, como qualquer outro hábito.

Nem só de ginásios e mensalidades se faz o bem-estar.

É esta a atitude que a Reebok assume e que todos os participantes da Secret Run puderam ontem experienciar no Jardim Zoológico de Lisboa.”.

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 No fim, já as chitas estavam a descansar, estas que o podem fazer, que outras correm nesta altura, pela própria vida, no fim, uma aula de Body Atack, junto ao coreto do zoo, já imaginou, depois de uma corrida destas, uma aula junto ao coreto do zoo, num ambiente irrepetível.

Nesta altura já eu ia a corer para o ponto de partida.

O carro tinha ficado na Quinta da Alfarrobeira.

Enquando os resantes felizardos terminavam o seu domingo em comunhão de abdominais, flexões, saltos e alongamentos, eu tinha-me feito à estrada.

Nunca tinha corrido em Lisboa sózinho.

Gosto de correr sózinho em Lisboa.

Lá fui eu, a correr, não fosse alguma chita decidir fugir.

É que eu não fui à aula de Body Atack, e não esqueço que a chita é o animal mais veloz do mundo, ainda mais veloz que eu, e está em extinção.

Disso não esqueço.

Depois, cheguei a casa e liguei a tv.

Ia começar o jogo da bola.

 

Agradecimentos:

Sandra Ramos Claro, Bruno Claro, Correr Lisboa, Secret Run, JDYoung – Letícia Gonçalves e Cátia rangel Santos, Reebok Portugal

Fotos. The Cat Run & Sandra Ramos Claro - Secret Run

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publicado às 22:53

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(Passeio Ribeirinho VFX - Ontem) 

 

Continua a minha (não) preparação para a meia maratona de domingo.

Hoje foi dia de dormir.

O chamado treino passivo. Dormi até ao meio dia.

Depois fui ganhar core, tinha que dar uma entrevista, na Escola Superior de Comunicação Social de Lisboa (passa terça, na RTP2).

O treino ia a meio e o meu dia também – estou em outra latitude e fuso horário -.

Voltei a casa, dormi a sesta e vim apresentar notícias, mas só quando o dia mudar.

Gosto do dia a mudar, gosto de mudar o dia, de entrar num dia e sair no outro, separados por uma hora e meia, o mesmo tempo que dura um treino de Muay Thai, menso meia hora e picos que demoro a correr a meia maratona.

Estou em contagem decrescente.

Esta sexta feira vou levantar o dorsal.

Domingo é dia da raça, de a mostrar, a minha raça, a que tenho aprendido a ter e fazer uso, mostrá-la só a mim.

Parece que não, mas eu faço isto por mim, para mim. Tudo o resto faz parte do “show”, assumidamente.

Vou levantar o dorsal, depois de mais um treino de Muay Thai, pela manhã.

É o tal cheiro fresco do Napalm.

Até domingo não corro mais.

 

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publicado às 21:32

NÃO SEI SALTAR À CORDA

por The Cat, em 02.09.15

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Ontem foi um dia diferente.

Ontem, o dia foi marcado por momentos que ficam registados no disco duro da memória.

Ainda ontem falámos da necessidade de manter alguma regularidade em relação aos textos publicados no blog, e como essa intenção é difícil de levar adiante.

Foi ao fim da tarde.

Ao fim de um dia marcado por momentos, um dia diferente.

Ainda ontem falámos das corridas, da forma como gostamos de correr, em que é que a corrida nos modificou, enquanto pessoas. Falámos sobre como a corrida condiciona os nossos dias e as nossas vidas e as vidas dos outros.

Falámos dos nossos amigos, dos conhecidos, dos familiares, das famílias.

Foi ao fim da tarde.

 

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publicado às 15:01

A MARIA E ABRIL

por The Cat, em 25.04.15

BLOG 0

 

Todos os anos, neste dia, desde que existem as redes sociais, conto a mesma história.

No dia 25 de Abril andava à roda. Era uma quinta-feira. Nessa altura andava à roda às quintas-feiras. Era o sorteio da lotaria.

Não me lembro se há 41 anos chegou a haver sorteio, mas andou à roda.

Nessa quinta-feira, como habitualmente, era dia de ir à escola.

Eu andava na segunda classe. Fiz a primeira classe em um dia e saltei logo para a segunda. Era muito inteligente, dizia a professora. Recordo-me das sardas que tinha na cara.

Nessa altura andava nas piscinas. Nas piscinas municipais funcionava uma escola, nessa altura. As piscinas só enchiam de gente nos meses de Verão, quando a escola terminava.

Só depois fui para a escola do Bacalhau, na vila, onde andou a minha mãe e os meus filhos.

Nessa altura, em que eu andava na escola, nas piscinas, só era obrigatório estudar até à quarta classe. Os professores estavam autorizados para agir com autoridade, precisamente. Nunca me confrontei com professores assim. Recordo-os(as) a todos(as) no coração. Mas, tinhamos que saber os nomes dos rios, das estações de combóios, das Colónias e das províncias.

Os homens ainda iam para a guerra.

 

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publicado às 21:14


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