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SEM STRESS ( DIA 11 DA MARATONA)

por The Cat, em 09.02.18

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Hoje falhei o primeiro treino, verdade !

Na segunda feira corri pela primeira vez, em dois anos, sem dores, ao fim de cinco semanas de paragem.

Na terça descansei.

Na quarta voltei a correr, numa inquietude só desfeita no fim da corrida.

Hoje devia fazer treino de pernas, no ginásio, e baldei-me.

Mas, como isto é um caso sério pedi a opinião ao meu treinador, que de forma clara me disse que devia fazer o treino.

Só que o dia já ia longo e já não tinha tempo útil de ir ao ginásio - a pessoa tem que arrumar a casa e assim, quando a dona Cristina fica doente e não nos pode vir ajudar -, dediquei-me ao lar.

Arrumei tudo, limpei tudo, e vim escrever.

Perguntei-lhe, então, ao meu treinador se podia fazer “pernas” no sábado.

Que não, que domingo volto a ter treino de corrida e é melhor não.

Sugeri metermos este treino no plano da próxima semana.

“Sem stress”, respondeu-me.

O José Carlos Santos transmite a calma e a segurança necessárias, para acreditar que a minha ideia louca vai fazer sentido.

Salta-se o treino e não se fala mais nisso.

 

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publicado às 17:16

VOU COMER A SOPA TODA (MARATONA DIA 1)

por The Cat, em 09.01.18

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Há pessoas que ficam para sempre registadas na sebenta da nossa história.

O meu treinador é uma dessas pessoas.

Conheci-o apenas há um dia.

Mas, alguém que treina atletas de alta competição e se disponibiliza para preparar um jornalista para uma maratona, sem pedir nada em troca é alguém que está pelo bem, pela ajuda, pelo amor à corrida.

Conheci o José Carlos da Run Advisor por alturas do Natal, mas ele não me conhecia.

Foi um amigo comum, treinado por ele, quem me o apresentou, estávamos no jantar de natal da ZFortes, a nossa escola de Muay Thai.

O meu amigo, o Zé Duarte, tem 50 anos, despediu-se há semanas do emprego de 25 anos. Era chefe de oficina. O Zé faz ultra-trail, este ano vai fazer o mítico Mont Blanc.

Dizia-me ele que descobriu o José Carlos na internet.

O Zé precisava, como eu, de um especialista que o ajudasse a fazer as coisas bem feitas.

Nessa noite comprometeu-se a meter em contacto comigo o seu treinador, mas não estava totalmente certo que eu conseguisse ser treinado por ele. Não custava tentar. Tentei.

Consegui.

No sábado trocámos mensagens, na segunda feira estávamos frente a frente, pela primeira vez, eu e o meu treinador.

Não é difícil criar empatia com o José Carlos, é reconfortante ouvi-lo falar sobre corrida, sobre treino, sobre nutrição, sobre recuperação.

Depois de fazer uma análise visual aos meus pés e às minhas pernas, depois de um questionário ao qual tive que responder, saímos para uma corrida de cinco quilómetros.

Estamos em testes.

Fizemos 33 minutos, entremeados com meia dúzia de metros de caminhada.

Senti necessidade de chegar a um especialista porque quero preparar a maratona, com pés e cabeça, sem ter que navegar à vista.

Em teoria, em Maio, fazia-me à estrada, adiámos para Junho ou Julho, porque precisamos das próximas quatro semanas para recuperar os estragos que permiti infligir a mim próprio.

Mas, aqueles que me conhecem e que me acompanham sabem que os últimos dois anos têm sido um pesadelo para mim.

Para não cair na rotina de deixar de correr, tenho corrido, diariamente, cheio de dores musculares nas pernas.

Até à semana passada, durou dois anos, nunca tinha decidido ir à oficina.

O José Carlos percebeu imediatamente as minhas dificuldades e os meus condicionalismos físicos.

Os meus gémeos não enganam.

Agora, para além de começar a corrigir algum desalinhamento provocado por uma gravíssima lesão que tive em 2004 ( altura em que quase tiveram que me amputar a perna ), tenho que eliminar estas dores.

O objectivo é a maratona, mas esta é agora a prioridade.

Se não recuperar não consigo aguentar os treinos que estão para vir, e se aguentar, seguramente, não conseguirei acabar a Maratona.

E, isso é ver desabar tudo à frente dos olhos.

"Deves ter uma enorme capacidade de resistência, não sei como conseguiste correr durante dois anos com as pernas nesse estado", disse-me.

Coisa pouca, fibroses e contracturas musculares crónicas.

Resumindo, os músculos enrolam-se uns nos outros, devido a vários factores, e provocam dores enormes.

Tenho umas 3 ou 4 na perna esquerda, a que sofreu o acidente, e umas 4 ou 5 na perna direita, que durante anos tem suportado a cobardia da esquerda, porque entretanto criei um desconforto na planta do pé, fruto da defesa que a própria perna decidiu encetar.

Chamam-lhe verruga plantar. Chamo-lhe prego espetado no pé.

Não tem sido fácil, não me estou a queixar, e sei que o que está para vir será, provável e igualmente duro, mas cada quilómetro da vida é ele próprio duro, e eu gosto da dureza e do desafio, sem o desafio sou outra coisa qualquer.

Alonguei, no final, fizemos massagem profunda, dolorosa e conversámos mais um pouco.

O enigma é perceber porque tenho estas contraturas crónicas e a prioridade, como disse é eliminá-las.

Desconfiamos que a causa está relacionada com a alimentação deficiente.

Espantado, ficou o José Carlos quando me questionou sobre os meus hábitos alimentares.

Ao logo dos anos e das leituras e das corridas foi-me fácil perceber que o regime alimentar de quem pratica exercício é decisivo. Mas, nunca interiorizei que estava obrigado a isso.

“Bebo um iogurte e um café, vou treinar, como um pastel de nata e um café, vou trabalhar…”

“E o jantar?”

“Como uma tosta e um sumo…”

“E, de madrugada, quando chegas a casa?”

“Bebo bebida de arroz e como o que houver, uma broa, por exemplo”.

“Conclusão: não te alimentas!”

Confesso que tive vergonha.

Nos últimos dois anos, para além das dores permanentes que me obrigavam a sofrer mais do que era suposto, nunca consegui, durante esse período melhorar a minha corrida, antes pelo contrário, chegando ao ponto de querer desistir.

“Tens que mudar os hábitos alimentares já hoje, tens que ingerir proteína e hidratos, tens que ir hoje a um nutricionista”.

E, fui.

Conversei com a Mariana Gameiro, que até dá consultas online, e pouco tempo depois de me ter despedido do José Carlos, na Beloura, já estava a comer frango, com feijão e arroz, e um ovo estrelado extra. Repeti a dose ao jantar e hoje, ao almoço, já ataquei peito de frango, com salada e arroz.

Como as análises clínicas que fiz estão boas, tirando o exorbitante colestrol, começo a concluir o que me disse ontem o meu treinador, é da alimentação, que eu não fazia.

O carro não anda se não tiver combustível, é tão simples, e eu sou tão estúpido.

O meu treinador decidiu que nas próximas duas a quatro semanas não há corrida, para recuperar as pernas, apenas trabalho específico de ginásio, regime alimentar cuidado e muitas massagens daquelas que fazer chorar, mas que depois fazem sorrir.

Estou a seguir tudo à risca, de tal forma que nunca antes as pernas me doeram tanto como hoje.

É das massagens.

Quinta feira há mais e há reavaliação destas primeiras horas.

Quase não mexo as pernas, de tão doridas e pesadas, mas já consigo sorrir.

Ora, voltando ao início desta crónica, se alguém (que nem sequer conhecias) te provoca esse momento intensamente mágico que é um sorriso, esse alguém ficará na sebenta da tua história.

Mais do que o sorriso é a mudança que estou a viver;

Estou a lutar por um objectivo, estou dedicado de alma e coração, estou a adaptar a minha vida pessoal e profissional e a sacrificar, em nome desse desafio.

Eu sei que vou correr a Maratona, não que lhe tenha perdido o medo, só que quando me desafio os medos transformam-se em determinação e em coragem.

Se ontem eu queria correr os 40 e dois quilómetros e picos e terminar bem, hoje eu quero correr a Maratona em menos de quatro horas.

E vou conseguir.

Porque as pernas vão parar de me doer e eu já voltei a sorrir.

É assim que tem que ser e assim será.

Ah, e prometo comer a sopa toda.

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publicado às 21:00

LEVEI OS PAIS AO PARQUE INFANTIL

por The Cat, em 05.06.17

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O meu domingo foi especial.

Levei os meus pais a uma corrida.

Foi, aos 65 e 68 anos, a sua primeira vez, e a minha, também.

Uma das mais belas manhãs dos meus domingos, e como os meus domingos são belos, mesmo aqueles que teimam em fazer-me cara de mau. Às vezes acontece-me o domingo fazer-me cara de mau, que não há dias perfeitos.

Nem eu sou perfeito, eu atraso-me, em tudo, até mesmo enquanto corro.

Mas, nunca me atraso quando vou correr, isso nunca.

Às sete e meia da manhã estava à porta de casa dos meus pais.

O meu filho disse que queria ir, o meu irmão também disse, mas eles são tão, mas tão parecidos, que até nesta falta de afecto, porque esta foi uma prova de afecto, eles falham da mesma foram.

Irrito-me, quando os meus não dão o valor devido às coisas, ao casamento, aos pais, aos momentos únicos.

Depois, tudo passa.

Eles ficaram a dormir, bons sonhos a ambos.

Foi a única coisa que me irritou, nesta especial manhã de domingo.

 

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publicado às 16:27

EU, CORREDOR, ME CONFESSO

por The Cat, em 12.05.17

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Encontrei muitos peregrinos nestas duas últimas semanas.

Quando digo muitos quero dizer muitos mesmo.

Vinham todos da Estrela do Sul, lá do lado longe, que lhes oferece a caminhada obstinada, que se-me atravessam ao caminho, de frente, fé.

Durantes as duas últimas semanas encontrei e cruzei-me com muitos peregrinos, todos os dias, enquanto corria no meu santuário espiritual, junto ao meu rio de afectos. Via-lhes no rosto, afecto, felicidade, ou quando saía da auto-estrada, para entrar no meu mundo secreto, casa, família, trilhos.

Todos os dias, nas duas últimas semanas.

As imagens que guardo são dos dias de corrida.

 

 

 

 

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publicado às 21:13

AO DOMINGO NÃO SE CORRE

por The Cat, em 09.05.17

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( HUAWEI P10 & LEICA) 

 

Os domingos são dias mágicos, por isso corro quase todos os domingos, como que por magia.

Mas, aos domingos não se corre, porque o céu de domingo não se compadece com coisas mundanas.

O domingo é o dia litúrgico, o mais de todos, o dia da celebração da brisa que nos toca o rosto, do mar de peregrinos que se te atravessam na pista, o louco que te obriga a ser parte da sua própria e solitária loucura.

Como o sagrado e o profano.

Um mar de peregrinos, no teu caminho, que te engole a cada passada, em contra-mão.

Um mar que abres, enquanto corres por ele adentro, com movimentos das mãos, como Moisés, eventualmente, terá feito, quando abriu o Mar Vermelho durante o Êxodo.

Os peregrinos, em contra-mão, afastam-se abrindo caminho pelo centro da corrente.

Deixei-me, continuei, as mãos em movimento, por eles adentro, como se a pista fosse um mar e eu apenas «o mais humilde do que todos os homens que havia sobre a face da terra» .

Aquele momento recordou-me outros momentos. Alterei o trajecto, na volta do caminho, impelido para aquela rua onde brinquei, lá mesmo no fim da volta do caminho, onde tudo também começa.

As minhas corridas são também as minhas peregrinações.

De quando em vez mudo de rumo e deixo-me viajar pelos sítios que me fizeram, e revivo.

É aos domingos que eu faço as minhas peregrinações, porque os domingos são dias litúrgicos, os mais de todos, e essa magia transporta-me sempre para memórias que ainda estão por chegar. Só, eu, comigo, em viagem.

Na volta do fim do caminho, segui para o largo da vila.

Detive-me junto da estátua do médico-santo, que é objecto de romaria anual, há muitos anos, mas isso é lá em cima, no castelo, no cemitério, onde dá consultas do outro mundo, a crentes que não eu.

Nem as flores de plástico vivem para sempre, aprendi há muito tempo.

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( HUAWEI P10 & LEICA)

 

Fui com fé, diferente da fé deles.

Meti-me pela rua da morgue, onde, logo ao início, fica o antigo hospital, agora lar da Misericórdia.

Misericórdia. Faltavam-me mais quatro quilómetros para chegar ao carro e a viagem ia a meio.

O antigo hospital mantém as grades e o portão em ferro, que deixam ver o pátio, a portaria, o edifício castanho.

Não parei, apenas olhei, porque olhava sempre, quando era pequeno.

«O mais humilde do que todos os homens que havia sobre a face da terra» estava agora ali, à minha direita, vi-o através das grades.

Deu para ver.

Inspirei o final de tarde, estava fresco, não estava frio, estava morno, não estava quente, mas ele, ele olhava em frente, em movimentos estudados, lentos.

As pernas, os pés, rodavam, parecia um boneco.

Tinha um sorriso altivamente digno e louco espelhado no rosto.

Dirigiu-me o olhar, sacou de uma muito bem feita continência, como que em câmara lenta, sem qualquer pressa.

Não há pressa aos domingos.

Ao passar pelo portão olhei-o, ele percebeu, mas não desfez a continência.

O muro do hospital velho é baixo e feito com grades largas, não o suficiente para deixar a loucura sair cá para fora, mas o suficiente para permitir uma troca de continências, o acto mais humilde e digno entre dois homens, mágico, como os domingos.

Ao meu segundo virar de cabeça encontrámos os olhares.

Não o escutei, a música não me o permitiu, mas consegui ver claramente que não tinha desfeito a continência, nem mesmo após um direita-volver, que o colocou em linha de fogo comigo.

Li-lhe os trejeitos e os lábios, ao longe. enquanto passava, como se olhasse uma fita do tempo.

Obriguei-me a fazer-lhe continência, enquanto continuava a correr, agora muito lentamente. E

ra eu também uma personagem daquele momento.

“Estava a ver que não me prestava continência”, pareceu-me ter dito, de lá do meio do pátio, atrás das grades que guardam a loucura, que apenas a deixam sentir a brisa do final de tarde, nas tardes de domingo, as únicas que valem a pena.

Levei-o comigo até ao fim da corrida, lá no meu jardim mágico.

 

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( HUAWEI P10 & LEICA)

 

 

O rio não mente. A corrente leva-nos, se quisermos ir.

Peguei na passada de uma miúda gira, deve ser, não consegui passá-la, só seguir-lhe a passada, através daquele perfume de creme Nívea, feito feitiço.

Era morena, apareceu do nada, elegante.

Não a consegui acompanhar, só lhe vi o rosto, já vinha ela de regresso, em sentido contrário.

Era bonita.

Nem tive tempo para mais nada senão ver-lhe o rosto.

Os rostos das pessoas também são diferentes, aos domingos.

Ele usava um boné, tinha uma camisa branca, de manga curta, umas calças bejes, sapatos castanhos, e estava ali, no meio do pátio.

Ela passou e ele prestou-lhe continência, tenho a certeza.

Numa destas corridas vou voltar a ligar a máquina do tempo, para confirmar.

Mas, tenho quase a certeza.

 

 

 

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publicado às 15:09

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Nunca fui o primeiro em nada, que me lembre, assim de repente.

Se pensar um pouco, talvez tenha sido primeiro em qualquer coisa, uma ou outra vez, mas não é esse o enfoque. Antes pelo contrário. É a antítese.

Último.

Último nunca fui, em nada na vida, tenho tido uma sorte do caraças.

Na verdade, acho que não conheço alguém que tenha sido, admitido, provado, sei lá, ter sido, ter ficado em último, em alguma coisa.

O mais perto que estive de ser último foi quando entrei para o curso de jornalismo.

Fui o décimo terceiro e o curso só tinha doze vagas.

Lá está, tive a sorte do décimo segundo ser dos Açores e ter desistido.

Fui o último a entrar, mas entrei, por isso não conta, acho eu.

O que conta é que fui, diria, impelido, não é bem este o termo, mas serve, impelido a ser o Embaixador oficial do circuito (EDP) Running Wonders 2017, meias maratonas em património da UNESCO.

Impelido não é o termo porque, em primeiro lugar, nunca imaginei ser embaixador do que quer que fosse, em segundo lugar, porque adorei o convite, que aceitei sem hesitar, e em terceiro lugar, porque até sou capa da revista oficial do circuito.

Em vinte e cinco anos de carreira nunca fui capa de coisa nenhuma.

Pois bem, é uma responsabilidade do caraças, mas também é uma forma de participação cívica, através das corridas, do desporto e da valiosa cultura portuguesa (ou parte dela).

Spread the word.

Fazia por isso sentido estrear-me na primeira corrida de forma marcante, pelo menos para mim, porque cada corrida que faço é uma viagem que completo dentro ao meu eu. Gosto, ponto. Viajo.

Mais,

Temos a mania de falar dos outros – eu tenho – umas vezes bem, outras mal, sem nunca calçar os seus sapatos.

Eu faço isto, eu sou aquilo, eu tenho isto, eu posso aquilo, mas nunca olhamos para o caminho que os outros pisam, eu não o faço regularmente, confesso, e devia.

Pois bem, assim pensei, assim fiz.

É uma minoria elevado ao expoente máximo. O último.

Nunca ninguém dá importância ao último.

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Ele é a minoria, personificada num só, o último.

Quando o último corta a meta já os primeiros celebraram a vitória, já os voluntários e o staff se preparam para desmontar a festa, já quase não há corredores, em redor, mas ainda há gente nas bermas, nas curvas, nas subidas, na chegada, ainda há palmas e muito mais que isso. Há empurrões à alma e às pernas.

Nunca tinha sido o último em nada, fui-o lá no alto, na Guarda, até a Serra eu vi, pintada de branco nos topos. Há registos disso.

E, estava bom, estava fresco, havia muita gente.

Foi a forma que encontrei de ser um Embaixador marcante, mas foi mais que isso, foi querer sentir e querer perceber aquilo que sente o último, como o olham, como ele se olha, como ele se desafia, a si próprio, ao ponto de ser o último.

O que lhe passa pela cabeça, pelo coração e pelas veias.

Um exercício útil, naquele contexto que é o da condição humana, porque as minhas corridas são experiências marcantes e boas.

Não sou um corredor rápido.

Sou um tipo que gosta de correr, e de muitas outras coisas mais.

Confesso, já tentei uma vez ser último numa meia maratona, mas há sempre alguém, muitos, que ainda são mais lentos do que eu, não me permitindo por isso estragar as minhas marcas, que também as tenho.

Esses, normalmente, arrastam-se, num prazer penoso, de penitência dissimulada.

Não dá, terminar uma meia maratona com duas horas e meia ou três horas. Era abusar, admito.

Mas, na Guarda, na estreia do circuito, lá no alto, onde o ar é em menor quantidade, era o momento ideal.

A ideia surgiu-me na véspera, enquanto treinava no ginásio do hotel onde fiquei.

Como Embaixador tenho um ou outro privilégio, como por exemplo partir onde e quando quiser.

Não tenho, mas pronto, escapei à segurança e fiz-me ao lance, resultou.

Fomos beber um café, quinze minutos antes da partida, enquanto milhares de pessoas faziam o aquecimento ao som de uma música que ainda não era por mim apreciada, não por nada, só porque ainda passava pouco das dez da manhã.

E, ainda só ia no segundo café do dia.

Tirámos umas fotos, demos uns abraços, conversámos, rimos, acertámos as app´s para a corrida. Tudo pronto.

Nessa altura, como sempre, já tinha gafanhotos dentro da barriga.

Obviamente, fico nervoso nos momentos antes da partida. A pessoa tem sentimentos.

Sou sempre invadido por uma espécie de orgasmo cósmico (nunca tive um), tipo comecem lá a correr, que eu quero ir, mas é já. Um vertigem. Cenas.

Havia uma viagem para fazer.

Soou o tiro de partida.

“Viva, bom dia”, disse, sorrindo, ao presidente da câmara, “vire-me essa pistola para lá”, fiquei receoso, com aquele dedo ali encostado ao gatilho, e a pistola virada para mim, quando distraidamente me saudou, acenando-me, bem junto à minha cabeça, cruz credo!

Nisto, já a meia maratona tinha partido, os dos dez e dos oito quilómetros também, e os da caminhada preparavam-se para entupir as ruas imediatas à partida.

Naquele momento não percebi quem era quem, apenas comecei a dar conta quando comecei a correr.

Misturado com aquelas pessoas, corri, fui correndo, correndo, até a multidão se dissipar, o que aconteceu uns quatro ou cinco quilómetros depois.

Aos dez quilómetros percebi, finamente, quem era quem.

Eles seguiam pela direita, nós os da meia, pela esquerda.

Faltavam onze quilómetros.

Olhei para trás, ninguém.

Tranquilo, há-de haver alguém que vai aparecer lá atrás, daqui nada.

Neste contexto, solitário, dei comigo a pensar que ia fazer um tempo igual ou pior ao da última meia maratona, uma semana antes. Tranquilo. Ia bem, a gozar a corrida, tranquilo.

Neste contexto, quer dizer, dois terços da corrida eram a subir, ainda mais, e eu fui convencido, ingénuo, que a corrida era quase toda a descer. Cenas.

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Arrependo-me, agora, tarde demais, de não ter aceite o convite do campeão Paulo Gomes, que até é dali, para ter ido reconhecer o percurso, na véspera.

Valeram-me as descidas, que tudo o que sobe, também desce.

Assim foi, até ao fim.

Bom, não foi só assim, mas isso fica para outro texto (e mais fotos e vídeo) daqui a uma meia hora.

Resto de boa manhã.

 

 

 

 

 

 

 

 

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publicado às 10:32

A TVI e a TVI24 são parceiros oficiais.

A corrida dá em directo, na tv.

Vão lá estar milhares de pessoas (eu e a minha gata somos duas delas).

Esta é a promo.

Será um sucesso, como todas têm sido.

O Gato continua a correr...(Alice é que vai ficar sózinha em casa todo um fim de semana).

Miauuuuuuu...

 

 

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publicado às 13:37

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O blog do Gato que Corre vai oferecer 10 - leu bem - 10 vouchers para a "Évora Running Wonders - EDP Distribuição Meia Maratona Corrida Monumental".

É dia 27, domingo.

No ano passado, na primeira edição, cerca de 6.500 participantes, de vários pontos do país e do mundo, marcaram presença na novel etapa de Évora do Running Wonders - EDP Distribuição Meia Maratona Corrida Monumental.

Em breve diremos como pode ter acesso aos vouchers para participar na edição deste ano.

Basta seguir o blog - e, por entre a saga de Alice, ir descobrindo como ganhar o seu voucher.

Correr na monumental e bela Évora, património mundial, Alentejo do nosso encanto, é uma experiência que qualquer runner quer viver.

O "The Cat Run" vai abrir a dez pessoas a porta desta experiência.

Meia maratona, dez e cinco quilómetros. É estar atento(a) e escolher.

Espreite o vídeo e diga lá que não vale a pena...

 

"O Gato"

 

 

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publicado às 10:15

ALICE A BRUXA

por The Cat, em 05.11.16

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Dia 35

04/11/2016

 

Sobre festas...

 

Doçura ou travessura?

Nada contra.

Não tenho nada contra o Halloween, bem pelo contrário, não tenho nada contra as formas que as pessoas encontram para serem felizes.

Embora, escrito desta forma, com esta foto a acompanhar, possa, admito soar a ironia, mas não o é. Por certo.

Ao contrário da maioria das pessoas eu não tenho sempre opinião sobre tudo e não me manifesto. Se o Halloween não tem raízes portuguesas, mas os portugueses gostam de comemorar, porque não?

Não creio que o Pai Natal (a melhor activação de marca da história) tenha qualquer ligação a Portugal e, no entanto, até eu adoro o Natal, embora agora beba menos Coca-Cola, por causa da beleza exterior ao nível do abdómen.

Não veio mal ao mundo, a pasta de dentes cheirava bem e saiu com facilidade, notou-se algum cuidado na preparação do ataque, efectuado por criaturas de tamanho pequeno, mas imaginação larga, basta observar as teias penduradas, revela preparação, o que é digno de registo.

Surpreendido, mas divertido.

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Ao sair do elevador, enquanto a luz acendia (já informei várias vezes que o sensor deve estar avariado, se a gata me foge pela porta nem sequer a vejo), fiquei baralhado.

Olhei para a minha porta e achei algo estranho, olhei para a porta do vizinho – a luz acendeu, entretanto, e estava menos ornamentada, a porta do vizinho, faz sentido, o vizinho já lá não vive há uns dois anos.

Quando volto a olhar, para me situar, para ter a certeza que estava no 2º andar, deparo-me com as travessuras. Isto foi uma travessura, porque não houve doçuras (agendas desencontradas), no contexto do Halloween, que eu não festejo, aliás, festejo muito, mas muito poucas coisas.

Tive pena, por um lado, isto porque desde há um mês, que me confronto com novas travessuras, todos os dias, hoje, por exemplo.

Por outro lado, tive pena, porque não ofereci as doçuras, como faço desde há quase um mês, depois das travessuras.

Alice estava em casa, mas não está autorizada a abrir a porta a ninguém.

Neste momento há até uma estranha calma; não faço ideia onde estará Alice.

Em letra grossa, isto já é tudo dela.

Mas, calma, a travessura de andar em cima da mesa da cozinha, depois do meu almoço, enquanto arrumo a louça, foi uma vez sem exemplo. Isto é uma travessura.

A bom rigor, o Halloween é quando uma gata quiser.

Com as travessuras de Alice eu posso bem.

As doçuras, adoro.

Agora, agora, limpar a zona onde Alice come e esgravata com as patas, umas sei lá, seis, sete vezes por dia, já não me parece uma travessura.

Parece-me mais o próprio Halloween.

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O pesadelo materializado.

Hoje já recolhi milhões de pequenas pedras que saltam, qual explosão atómica, impulsionadas pelas patas de Alice.

Ainda agora, há que esteja neste preciso momento a aspirar a cozinha.

Aposto que daqui a uns dez minutos vai ter que se atirar moeda ao ar para ver quem vai limpar outra vez.

Não, não falo da porta, que isso foi há uns dias, falo do canto de Alice.

A minha esperança é que o Halloween se repita para a semana, quando estiver gente em casa.

Não se nega uma doçura a ninguém, muito menos a uma (ou várias) criança(s).

 

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publicado às 20:55

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Há um dia que marca para sempre a vida de cada um de nós: quando somos pais.

Tudo se vira ao contrário e tudo quer dizer a vida inteira. Vivemos em função do(s) filho(s), para sempre.

Mas um filho não vem acompanhado com um livro de instruções, somos obrigados a descobrir e a alimentar as suas necessidades e os seus hábitos, nós, pais, que sempre fomos o “número” um antes do “principal actor” entrar em cena.

O “número um” combina agora o stress, a ajuda às amamentações às 3 e 6 da manhã, as noites sem dormir, a falta de tempo para tantas exigências importantes que passam a fazer parte de uma hierarquia antes impensável.

É aqui que entra o exercício. Por culpa das alterações radicais passamos a dar maior importância à fast-food, porque é mais rápido, bebemos (muitos) mais cafés, carregamos no açúcar, saltamos os pequenos-almoços, fazemos os lanches à pressa, quando fazemos, os jantares passam a ser carregados de calorias, e começamos a perder energia e a ganhar peso, o que, eventualmente, pode resultar numa versão mais cansada e rechonchuda, redonda mesmo, do que costumava ser.

 

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publicado às 19:02


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