Saltar para: Posts [1], Pesquisa e Arquivos [2]


ALICE A BRUXA

por The Cat, em 05.11.16

IMG2137EasyResizecom (2).jpg

 

 

 

 

Dia 35

04/11/2016

 

Sobre festas...

 

Doçura ou travessura?

Nada contra.

Não tenho nada contra o Halloween, bem pelo contrário, não tenho nada contra as formas que as pessoas encontram para serem felizes.

Embora, escrito desta forma, com esta foto a acompanhar, possa, admito soar a ironia, mas não o é. Por certo.

Ao contrário da maioria das pessoas eu não tenho sempre opinião sobre tudo e não me manifesto. Se o Halloween não tem raízes portuguesas, mas os portugueses gostam de comemorar, porque não?

Não creio que o Pai Natal (a melhor activação de marca da história) tenha qualquer ligação a Portugal e, no entanto, até eu adoro o Natal, embora agora beba menos Coca-Cola, por causa da beleza exterior ao nível do abdómen.

Não veio mal ao mundo, a pasta de dentes cheirava bem e saiu com facilidade, notou-se algum cuidado na preparação do ataque, efectuado por criaturas de tamanho pequeno, mas imaginação larga, basta observar as teias penduradas, revela preparação, o que é digno de registo.

Surpreendido, mas divertido.

14732305_10154615253219804_5163755357797948934_n.jpg

 

Ao sair do elevador, enquanto a luz acendia (já informei várias vezes que o sensor deve estar avariado, se a gata me foge pela porta nem sequer a vejo), fiquei baralhado.

Olhei para a minha porta e achei algo estranho, olhei para a porta do vizinho – a luz acendeu, entretanto, e estava menos ornamentada, a porta do vizinho, faz sentido, o vizinho já lá não vive há uns dois anos.

Quando volto a olhar, para me situar, para ter a certeza que estava no 2º andar, deparo-me com as travessuras. Isto foi uma travessura, porque não houve doçuras (agendas desencontradas), no contexto do Halloween, que eu não festejo, aliás, festejo muito, mas muito poucas coisas.

Tive pena, por um lado, isto porque desde há um mês, que me confronto com novas travessuras, todos os dias, hoje, por exemplo.

Por outro lado, tive pena, porque não ofereci as doçuras, como faço desde há quase um mês, depois das travessuras.

Alice estava em casa, mas não está autorizada a abrir a porta a ninguém.

Neste momento há até uma estranha calma; não faço ideia onde estará Alice.

Em letra grossa, isto já é tudo dela.

Mas, calma, a travessura de andar em cima da mesa da cozinha, depois do meu almoço, enquanto arrumo a louça, foi uma vez sem exemplo. Isto é uma travessura.

A bom rigor, o Halloween é quando uma gata quiser.

Com as travessuras de Alice eu posso bem.

As doçuras, adoro.

Agora, agora, limpar a zona onde Alice come e esgravata com as patas, umas sei lá, seis, sete vezes por dia, já não me parece uma travessura.

Parece-me mais o próprio Halloween.

IMG1881EasyResizecom.jpg

 

O pesadelo materializado.

Hoje já recolhi milhões de pequenas pedras que saltam, qual explosão atómica, impulsionadas pelas patas de Alice.

Ainda agora, há que esteja neste preciso momento a aspirar a cozinha.

Aposto que daqui a uns dez minutos vai ter que se atirar moeda ao ar para ver quem vai limpar outra vez.

Não, não falo da porta, que isso foi há uns dias, falo do canto de Alice.

A minha esperança é que o Halloween se repita para a semana, quando estiver gente em casa.

Não se nega uma doçura a ninguém, muito menos a uma (ou várias) criança(s).

 

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 20:55

ALICE E A RODA GIGANTE

por The Cat, em 11.10.16

alicehoje_Easy-Resize.com.jpg

 

 Dia 11

11/10/2016

 

 

 Sobre a quietude...

 

Bem aventurados, aqueles que saem às cinco, preenchem o tempo até rumarem a casa a praticar exercício, ou num café com amigos, à conversa, aqueles que às sete já estão em casa, às oito jantam, em família, e o resto da história é fácil de imaginar.

Bem aventurados, aqueles que são fiéis à rotina.

Quando era novo detestava rotinas, agora anseio por elas, daquelas mais básicas, como acordar e dormir sempre à mesma hora.

Cá por casa também temos as nossas rotinas, consequência das nossas profissões, jornalistas e estudantes do secundário, cada qual com a sua própria rotina, que tenta encaixar na rotina diária, que o nosso calendário da vida é ao dia. 

Um após o outro.

E, a coisa vai-se dando.

Difícil imaginar, mas fabricamos sempre pedaços de tempo só para nós, o um e o todo e, nessas alturas, o tempo pára e vivemos dentro dele até querermos, às vezes numa simples manhã de futebol.

Isto para dizer que é complicado ter horários que nos permitam uma vida “normal”.

Não saímos todas as sextas para passar o fim de semana fora, não colamos pontes aos feriados, porque raramente temos feriados, ou pontes, quando um trabalha num período do dia o outro trabalha no outro período, porque trabalhamos no mesmo sítio, exercemos as mesmas tarefas, trabalhamos em fins de semana desencontrados.

A única coisa certa é que os miúdos entram na escola às oito e meia e saem aos fins de semana à noite.

No fim, ou no princípio do dia, de acordo com a rotina de cada um, cada qual vai ter explicações, praticar desporto, ajudar com o jantar, treinar, correr, descansar, ocupar o seu próprio tempo e espaço, aquelas coisas normais de uma família, mesmo que em uma espécie de rotatividade afectiva.

Agora, nesta roda gigante, viva, colorida, muitas vezes, chata, outras, há mais um pedaço de rotina que é de todos, que é de cada um de nós.

Há muito tempo que não estava no horário das nove às dezassete.

Este horário permite-me levar os miúdos à escola, ir buscá-los, ou preparar tudo para quando chegarem (com ajuda, claro). Permite treinar, ficar no sofá a ler, escrever, não fazer nada, fazer imensas coisas rotineiras que sabem tão bem.

Permite, sobretudo, pela primeira vez, nestes primeiros dias de Alice, observar a sua ligação a Maria.

É Maria quem está no nascimento desta história.

Não sou eu. Eu sou apenas o escriba dos dias.

Foi aos braços de Maria que Alice foi parar.

Esperando não cometer inconfidências, que Maria não gosta que a exponha gratuitamente, é sobre elas que falo.

Maria e Alice têm uma ligação mágica, plasticamente maternal.

A forma como Maria pega em Alice ao colo, a agilidade, rapidez, e ao mesmo tempo suavidade com que lhe dá os medicamentos (que nós demoramos montanhas até conseguir dar), a forma como lhe fala, ou a agarra, quando ela está por baixo da mesa, pela barriga, com a mão totalmente aberta.

A forma como se lembra de lhe dar comida, medicamentos, fazer a higiene, de tratar de tudo, a forma como a impede de sair da cozinha, ou de tentar enfiar-se atrás das máquinas, a forma como ambas se relacionam, e que agora posso observar, num contexto normal (falo das rotinas), ensina-me que, há nas gatas aquele instinto que só há também nas mulheres, aquela forma quase mágica de tocar e olhar quem se deixa embalar nos braços.

Todos os dias, desde segunda feira, que observo a personificação da ternura;

Alice está, pelo menos uma vez por dia, nos braços de Maria, na cama de Maria, aninhada, quieta e o que impressiona nesta cena é que é tudo tão natural.

Depois ouvi um barulho.

Fui ver, Maria tinha adormecido.

Alice andava por cima da mesa de cabeceira, a rondar o candeeiro, que caiu.

Posto isto, Alice voltou para os braços de Maria.

Aninhou-se.

Também ela adormeceu.

Apaguei a luz.

Fechei a porta, com cuidado.

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 21:54


Mais sobre mim

foto do autor


Posts mais comentados


Arquivo

  1. 2017
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2016
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D
  27. 2015
  28. J
  29. F
  30. M
  31. A
  32. M
  33. J
  34. J
  35. A
  36. S
  37. O
  38. N
  39. D
  40. 2014
  41. J
  42. F
  43. M
  44. A
  45. M
  46. J
  47. J
  48. A
  49. S
  50. O
  51. N
  52. D
  53. 2013
  54. J
  55. F
  56. M
  57. A
  58. M
  59. J
  60. J
  61. A
  62. S
  63. O
  64. N
  65. D