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QUANDO QUEREM CORRER CONNOSCO

por The Cat, em 01.04.15

BLOG.jpg(RUN FOREST RUN)

 

Para injustiça já basta a dos homens. É por isso, de elementar justiça, escutar os outros. Atentamente. E, às vezes, basta um toque no ombro e algumas palavras que reconfortam. Escutar. Atentamente. Aqueles que sempre nos carregaram, que nunca negaram lealdade. Aqueles que sempre deram tudo por nós e pelos outros, a troco de algo que se eclipsou como o sol e a lua. Com o tempo.

Os homens são cruéis.

Até com os seus ténis de especiais de corrida, porque uns ténis que são de corrida são especiais, por muito que os coloquem em uma qualquer prateleira.

Com base no que acabo de correr, perdão, de escrever (hoje corri), lembrei-me de uma história verídica, pelo menos na minha imaginação.

Há um ano, talvez um ano e picos, escrevi um texto que reproduzia uma conversa entre os meus dois pares de ténis. Os antigos e os novos. Os encostados, descartados, e os que até brilhavam no escuro tanto era o seu brilho.

Tudo acaba e tudo começa. Cruel ou docemente.

Passado um ano e picos a coisa repetiu-se.

Foi uma conversa sincera, disso dei conta, logo de início.

No entanto, à medida que fui escutando, a atenção ao que ouvia aumentava na exacta medida da expectativa do desfecho.

O meus primeiros ténis, que utilizei para correr, quando comecei há dois anos e picos - os picos dão jeito, as rosas que o digam, ninguém as molesta - ou estão arrumados na arrecadação ou foram parar ao lixo. Confesso que não me recordo.

Os meus segundos ténis, que correram mais quilómetros que os primeiros estão ali a repousar na casa de banho grande. Estão preocupados com o que lhes irá acontecer. Estamos todos. Até eu. Os homens são cruéis. Nem escutam os seus ténis. Eu escuto-os, quando calha. Ninguém é perfeito.

Estão lá, na casa de banho grande - não gosto de pronunciar a palavra WC - para não os perder de vista, até porque o meu filho quer usá-los em Educação Física. Para isso ainda servem, para correr é que já não.

Os meus terceiros ténis - que estão a levar tratamento de choque, já seguem com quase 87 quilómetros em 12 dias - estão a repousar. Por esta hora já dormem.

Sempre os tratei com estima, afecto, respeito, consideração e carinho. Até ao dia em que os descartei. Lá está, a crueldade do homem que não impede tudo o resto.

Só que o improvável aconteceu. A tecnologia é fantástica. Cada qual no seu smartphone e a conversa que se segue...

Em outro post, obviamente.

 

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publicado às 01:44



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