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(Original Photo by Sebastião Salgado)

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Dei comigo a visitar a exposição "Gênesis" (escrita assim mesmo) sózinho.

Pude saborear uma a uma, cada uma das fotos grande formato, registadas em 30 viagens. Isto lembro-me de cabeça. Duzentas e cinquenta fotos. Oito anos de trabalho.
Uma homenagem ao planeta que é urgente tratar. Uma volta a mundos quase virgens.
Contou Sebastião Salgado, um dos mais premiados fotojornalistas em todo o mundo, que a ideia de criar este projecto nasceu quando decidiu parar de fotografar. Ruanda, Jugoslávia, atrocidades, genocídios, hecatombes, o desligar da ficha.

Fitei-o nos olhos e admirei-lhe a figura e a fala durante todo o tempo. Antes mesmo de ele chegar deliciei-me à conversa com outro mestre, Eduardo Gageiro. Trezentos prémios internacionais, a primeira fotografia publicada aos 12 anos num dos principais jornais portugueses. Fotografou Abril.
Mal me viu cumprimentou-me como se fossemos amigos ou conhecidos, há anos. Na verdade é verdade. Quando eu comecei cruzei-me algumas vezes com o mestre Gageiro, mas não mais do que isso. A sua simplicidade chocou-me.
Que admirava o meu trabalho, que se lembrava que eu me chamava Zé Gabriel, mas não se lembrava do Quaresma, que aprecia o trabalho das novas gerações, que já tem 80 anos, que foi fotografar e rever o amigo brasileiro, e eu ali, especado, calado. Sem palavras. Logo eu, pois.

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Foi um dia assim, repartido nestes textos e com momentos sem palavras.
Também me contou Eduardo Gageiro, que em 1975, estava ele e mais três amigos jornalistas numa esplanada ali para os lados da Rua do Século, em Lisboa, quando alguém os abordou:
- Boa tarde.
- Boa tarde.
- Podem ajudar-me, por favor? Preciso de saber onde é o jornal O Século.
- O Século? o que procura?
- Eduardo Gageiro.
- Gageiro, sou eu.
- Sebastião Salgado, muito prazer.
O fotojornalista brasileiro conta que nessa altura em que viveu em Portugal, na Graça, em Lisboa, sempre que chegava ao aeroporto a "Polícia da Emigração" olhava para a fila, chamava-o e à mulher, olhavam para o passaporte e diziam:
- Brasileiro? É português. Pode passar.
Foi Sebastião Salgado quem contou. Eduardo Gageiro estava a dois metros de Salgado e eu encostado, lado a lado com Gageiro. Durante dez minutos estive em transe a ouvir as histórias.
Esta está a acabar.
Só para dizer que, desde que cheguei ao local da exposição, passei o tempo a pensar em como tirar uma fotografia com ele, sem dar aquela cana.
Quando chegou ainda apontei o iPad, mas ia ser uma coisa estranha, não genuína. Eu gosto de coisas genuínas. Respirei. Sebastião Salgado ficou ali à conversa com um pequeno grupo. Pedi a um fotógrafo, o Luis, se, ao meu sinal, tirava uma fotografia. Que sim, respondeu.
Coloquei-me discretamente ao lado de Sebastião Salgado. Olhei o fotógrafo. Fez-me sinal afirmativo com a cabeça.
- Sebastião, olá, como está?
Eu admiro o seu trabalho desde sempre, posso registar o momento consigo? (não me saiu rigorosamente mais nada)
- Olá, claro que sim, é um gosto.
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publicado às 14:00



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