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The Cat Run

Uma cena sobre corrida em geral e running em particular e também sobre a vida que passa a correr. Aqui corre-se. Aqui só não se corre a escrever. Este não era um blog sobre gatos. A culpa é da Alice.

The Cat Run

Uma cena sobre corrida em geral e running em particular e também sobre a vida que passa a correr. Aqui corre-se. Aqui só não se corre a escrever. Este não era um blog sobre gatos. A culpa é da Alice.

NÃO CORRO HÁ 4 DIAS, CONTANDO COM O DE HOJE

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Foto: The Cat

 

 

Aviso prévio:

Este texto deve ser lido como um desabafo, no caso de ser lido, o que eu duvido, creio que nem isso seja útil.

É um desabafo só para comigo, porque quando escrevo desabafo que nem um doido desbragado. Só isso, nem o leia, não vale a pena.

Hoje em dia penso estar na posse de todas as faculdades, que me permitem afirmar que sei o que é ter o diabo no corpo. O Santanás, chamem-me um exorcista e virem-me a cabeça ao contrário, se faz favor.

Tenho andado irritado, quase inquieto, deixei de comer com regularidade, aquela cena das três em três horas, parece que tenho o diabo no corpo, mas também dentro do corpo.

O diabo é frio. De manhã, sobretudo.

Ele prende-me com uma âncora enorme, puxa-me para baixo, tapa-me e eu cedo. Depois, é tarde. 

Tem sido assim todo este santo mês, de horários que, ao contrário do habitual, até me permitem fazer mais coisas que não dormir, ficar na cama, de manhã, porque está frio.

O ano passado não era assim.

Levantava-me, saía para correr.

Há quatro dias, contando com o de hoje, que não corro, que não treino, que não faço nada que não seja dormir, trabalhar, andar nas redes sociais, dormir, voltar a dormir, tudo porque está frio.

(Também vejo Netflix, Youtube e leio, cada vez menos, confesso).

No ano passado, e no ano anterior não era assim.

Este mês fiz dois treinos de Muay Thai, certo que há quase um mês que ando à boleia, sem carro, mas há quatro dias, contando com hoje, que não corro.

A corrida tem sido o meu factor de equilíbrio, ao longo dos últimos quatro anos.

Nos últimos dois anos encontrei o nirvana, ao misturar a corrida com o Muay Thai.

A sensação que tenho é de desconforto, apesar de estar fora de causa uma qualquer desistência da causa (risos).

Desconforto, porque não treino regularmente Muay Thai há quase dois meses, desconforto porque não corro há quatro dias, contando com o de hoje.

Desconforto ou pré-estado-de-descompensação?

É mais isso (basta ver a fotografia).

Uma espécie de ressaca, é isso que sinto, a ausência de algo que sustenta, alimenta, ajuda, transporta.

Mas, isto acaba por ser uma-quase-sessão-de-masoquismo.

Como disse, em cima, esta semana até tive um horário que me permitiu correr.

Foi opção comodista.

Ainda há bocado disse à minha senhora: “ya, ganda corredor, não corro há quatro dias, contando com o de hoje, porque fiquei na cama, enquanto os outros continuam a fazer aquilo que gostam”.

Ao que, do alto da sua infinita paciência me respondeu: “também tens direito a ficar na cama, não és nenhum profissional e se isso te dá prazer, não sei porque não o faças”.

“Porque parece que estou adormecido, dormente, lá está, com o diabo no corpo”.

Mas, como sempre, ela tem razão.

Por isso estou para aqui a desabafar. A ressacar que nem um doido.

Isto faz mal a uma pessoa.

O ressacar.

O incrível é como é que me deixei chegar a este estado;

Provocar auto-sofrimento, auto-flagelar-me, credo.

Vou preparar a vingança, que a mochila está pronta desde terça feira.

Amanhã, quando sair do trabalho entrego o carro à dona, calço os ténis e, ai cum carago se não me vingo!

Nem que faça uma meia maratona partida em quatro.

Mas, vou vingar-me, isso vou.

Como disse no início, interesse este texto tem pouco, ou praticamente nenhum, mas sinto-me muito mais leve agora.

Lá está, leve (como uma pena é impossível), leve, corrida.

Aviso póstumo, que avisos prévios é no início:

Pimba, já foste(s)!

Só espero que não esteja frio!