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HÁ GUERRA NA EUROPA

por The Cat, em 28.03.16

bruxelas.jpg

 

Ando para aqui há horas a pensar naquilo de Bruxelas.

Horas e horas a misturar pensamentos, a tentar encaixar peças que não encaixam.

O bem e o mal não se encaixam, porque é disso que se trata, não é?

O bem e o mal, não é?

Entendamo-nos, coloquemos as coisas assim:

Não se trata de religião, de raça, de etnia, de cultura, de diferença, de crença.

Não se trata de nada disso.

Trata-se do bem e do mal.

Sim, deste lado o bem, do lado de lá o mal.

Os humanos e os não-humanos.

O bem e o mal tem que estar em lados opostos da equação.

A estratégia está aparentemente tão bem montada que impele para uma discussão aleatória, ora sobre geo - estratégia e geo - política, ora sobre as diferenças culturais e religiosas, ora sobre as consequências que o mal inflige no bem.

E, sim, os refugiados, a esmagadora, mas esmagadora maioria são do bem, bem como os milhões que são profundamente ligados às terras das "mil e uma noites", mas que não matam, que estão entre nós, sim, são gente do bem, como nós, os humanos. Eles são humanos. Os outros não são.

Quantos humanos não o deixaram de ser, no lado de lá, no lado de cá?

Os que são do mal são os outros, alguns deles como nós, gente má, de todas as cores, porque a conversão religiosa e cultural não é dada em cursos de formação, saídos como brinde de um qualquer pacote de detergente.

Apenas gente má. 

Auto-aculturação relâmpago.

Nem o termo existe, quanto mais.

O jovem - generalizemos - dos arrebaldes de Lisboa, que estudou na secundária e até jogou futsal no clube do bairro, de repente, vê-se banhado por uma calma luz, aconchegante e morna, um repentino chamamento.

E, lá vai ele, barba mal crescida, turbante na cabeça, Kalash na mão, bolsos vazios, cérebro ausente.

Levou porrada, aprendeu a disparar mal, aprendeu a fazer-se explodir bem, mata a eito.

Agora vive no deserto e tem a mania que é mau.

Só que a coisa, por muito que ele tenha lido o resumo do livro sagrado, que lhe deram com o camuflado, não bate certo.

As feições continuam arredondadas, o sotaque denunciador, a pele não está naturalmente queimada pelo sol, apenas os olhos são parecidos.

Muito abertos, brilhantes, raiados, loucos.

Há ali muita droga.

Capas de super-homem, capas que envolvem e lhes fritam cérebros e lhes gelam corações, apenas isso.

Qual religião? Qual cultura? Qual política? Qual ideal?

Muitos deles antes de terem tido o chamamento nem à missa iam.

A maioria não fazia - e ainda não faz - ideia para onde foi, muito menos porque foi.

É ao jovem dos arrebaldes de Lisboa que se juntam centenas de jovens, como ele, mas de outros pontos do planeta.

Mercenários de um exército movido a dinheiro sujo, ideias porcas e drogas que alucinam.

Mercenários que se sentem super-homens maus e impunes.

Assassinos. Em massa.

E os assassinos caçam-se, quando os caçadores quiserem.

A estratégia não tem rosto, nome ou nacionalidade, ela emana do califa, gritam em vómitos nojentos.

Não estou nem um nanograma convencido disso, nem eles me convencem minimamente.

A estratégia tem rosto, nome e nacionalidade, ela não emana desse calfia forjado.

A serpente só tem uma cabeça.

Até o enquadramento das dezenas de virgens, o argumento que estão à espera de tipos feitos em pedaços, lá no céu, é pensado ao quase detalhe.

Como se uma virgem que se preze quisesse que a sua primeira vez fosse com um pedaço de braço, uma coxa, ou provavelmente um dedo daquele pedaço que lhe calhou em estilhaços.

Não creio.

Faz lembrar as cassetes do Nelson Ned, enquanto estratégia. Tudo muito denunciado.

Virgem que se preze quer o seu homem inteiro.

Até porque a primeira vez é como aquela palestra para o qual você ensaiou tanto e na hora da apresentação vê-se apavorado e esquece tudo o que tinha estudado.

Como tudo o que parece mais difícil quando se está aprendendo, o sexo é algo em que nos aperfeiçoamos com a prática.

Ou as primeiras experiências tendem a beirar o desastre.

Às vezes, confesso, aquilo faz-me lembrar aqueles hilariantemente estúpidos vídeos caseiros do Youtube, só que com gente mesmo má e com Toyotas de alta cilindarada, todos iguais, tipo frota patrocinada.

Às vezes dá-me a sensação que aquilo não tem a mínima organização, tudo muito Bollywood multiracial, afinal há gente de todas as raças, basta converterem-se àquilo.

Aquilo não é o Corão, a relgião, a cultura. Aquilo, a palavra aquilo é aquilo, porque não consigo dar-lhes um nome. Aquilo!

E, apesar de serem extremamente fechados, eles até são tolerantes, pelo menos racialmente falando, isso parece-me óbvio.

Não bate certo, nada do que aquelas bandeiras negras mostram bate certo.

Aquilo que me intriga, verdadeiramente, é como é que estes tipos, que querem ser os donos disto tudo, praticam a coisa.

Não praticam, por isso se permitem apresentarem-se perante dezenas de virgens, à sua espera, feitos em pedaços. Que merda de homens.

Não lhes serve de muito, o que revela tabém o seu elevado grau de estupidez medonho.

Tenho penas das virgens, delas tenho. Tanto homem perdido!

Estes são apenas criminosos, que vivem em cobardes orgias de sangue e morte, como nos filmes.

Hiper-realidade, deixada de fora de qualquer argumento.

Não se trata de religião, de raça, de etnia, de cultura, de diferença, de crença nem sequer de política.

Não se trata de nada disso.

Trata-se do bem e do mal.

Sim, deste lado o bem, do lado de lá o mal.

Um exército de gente má, apátridas, velhacos, cobardes, psicopatas, dementes.

Gente fora da lei, em terra de ninguém.

Gente que invade a terra dos outros, que nela cospe a morte em larga escala, sem que lhe façam qualquer tipo de frente.

Não vi até hoje qualquer intenção de lhes fazer frente, apenas de remediar os estragos.

O pânico dos gabinetes, a tonteria de não saber o que fazer por falta de coragem e de hábito, contrasta com

a inteligência desta jogada.

Ela está em conseguir reunir tantos acéfalos, de todos os pontos do planeta e mandá-los matar e matarem-se.

Alguém acredita que há assim tanta gente no mundo que quer morrer, no seu perfeito juízo?

Eu não acredito.

Quem está verdadeiramente por trás deste cenário, menos complexo do que aparenta é um mestre do jogo.

Consegue reunir milhares de figuras humanas, desprovidas de qualquer sinal de ser pensante, meter-lhes uma arma na mão, um resumo do livro sagrado na outra e fazer com que eles façam aquilo que fazem.

De mestre, senhor que manda no mundo (senhores que mandam no mundo).

E, não, eles não estão a ganhar, fiquem sabendo.

Enquanto houver civilização eles não ganham.

Eles morrem, eles matam e v. exas. continuam a mandar nos bancos centrais da maioria dos países do planeta, afinal as vossas fortunas isso permitem

V. exas. sim, são fortes, medonhos.

Eles apenas querem fazer crer que são fortes quando na verdade são apenas cobardes, cobardes não se fazem anunciar, que matam pelas costas, e nem o maior dos cobardes mata pelas costas, nem v. exas. vejam lá, v. exas. nem as mãos sujam, só os bolsos

V. exas. mandam matar, mandam destruir, para depois terem o privilégio de reconstruir, do zero.

Quantas vidas isso vale?

Nada, desde que as vossas próprias vidas estejam fechadas em cofres-forte, desde que as vossas seculares famílias se perpetuem e a ordem mundial continue no comando da vossa consola de jogos.

Poder, fortuna e maldade, sim, v. exas são maus, não são só os jovens dos arrebaldes, pagos a peso de sangue e petróleo. Tudo passa por aqui, há séculos, nas barbas da humanidade inteira.

Os vossos emissários sempre deram bem conta do recado.

Agora, v. exas., que estão do outro lado do oceano decidiram passar ao nível superior do jogo.

Target: Europa.

Mission: Medo.

Players: Mal vs Bem.

Bruxelas mostrou o bem e o mal, mas há de alguns meses para cá, Bruxelas agora, Paris antes, e antes, e antes, e antes. Dura há meses.

A habituação dissimula-se e é este o nosso quotidiano.

Há guerra na Europa.

E, no momento em que Bruxelas der o primeiro suspiro de alívio, outra virgem será contemplada com um cobarde, feito em pedaços, para mal dos seus pecados.

E assim será, enquanto o tal mestre do jogo quiser.

O resto são peões e pedras mal jogadas.

E cobardes, do lado de lá e do lado de cá.

Sobre o que aconteceu em Bruxelas ainda me custa escrever.

 

 

 

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publicado às 00:00


4 comentários

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De Maria G. a 29.03.2016 às 10:21

:(
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De The Cat a 03.04.2016 às 00:31

Olá, Maria.
Nem todos os textos são assim.
:)
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De Di Art Blogger a 29.03.2016 às 16:28

Gostei de o ler. Gosto de textos que me fazem pensar.

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De The Cat a 03.04.2016 às 00:31

A ideia é eu pensar. Escrever. Se faço pensar, melhor, mas sería extrema falta de humildade auto-elogiar essa eventual capacidade que diz que tenho na escrita. Fica, contudo e obviamente o meu muito obrigado pelas palavras.

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