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EMOÇÃO, WHAT ELSE !

por The Cat, em 27.09.16

 

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Coisas da emoção...

 

Antes de dormir confidenciou-me a sua preocupação:

“Está a chover, se estiver a chover não vou correr amanha”!

Notei-lhe alguma tensão, o que nela não é normal.

“Estás louca”, perguntei baixinho, “andaste um mês inteiro a correr para participares nesta prova, e agora estás a recuar, nem pensar, antes chuva que calor, vais adorar correr à chuva”, tentei contrariar.

“Se estiver a chover não sei”, entendia o que me queria dizer, esta era a sua primeira corrida a “sério”, ela tinha um objectivo, nós tínhamos uma homenagem a fazer a um amigo, e ela nunca tinha pensado na chuva.

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Fui o último a adormecer.

Ao contrário do que é habitual acordei sózinho, sem despertador, às sete da manhã.

Pensei levantar-me e ir tomar o pequeno almoço, mas lembrei-me que não gosto de correr depois de comer, e tinhamos combinado ir juntos, pensei ler, a adrenalina sub-consciente impedia, pensei ir passear, não queria gastar energias, adormeci, de novo.

Aprova era às dez e meia, a cinco minutos do hotel, adormeci, de novo.

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Duas horas depois, Viseu dava-nos os bons dias, foi buscar o seu melhor sol, a sua temperatura mais amena, e chamava por nós, acordei-a.

“Bom dia, miss runner, vamos correr”.

Tomámos um duche, equipamo-nos, conferimos tudo e andor, de mãos dadas.

Descemos para o pequeno almoço.

Muitos participantes na meia maratona do Dão, corrida do circuito Running Wonders, um dos circuitos mais belos do planeta, quiçá de todo o universo, a sério, são experiências únicas, dizia eu, muitos dos participantes estavam no mesmo hotel que nós, pelo que o hall do hotel e a enorme sala do pequeno-almoço estavam cheios de camisolas amarelas-limão, com as letras verdes: Dão.

O espírito familiar (mas altamente profissionalizado) destas provas sentia-se no hotel, enquanto uns já se preparavam para ir, e outros relaxavam no lounge.

Muitos mais ainda tomavam o pequeno almoço, quando descemos.

Parecia um ordenado e civilizado formigueiro, tal como são os formigueiros, pessoas que – todas sorriam – conversavam, famílias inteiras à mesa. Alguns amigos.

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Confesso que em uma ou duas ocasiões pensei: como é que aquele senhor ou aquela senhora vai correr, depois de comer aquilo tudo?

Eu demoro imenso a fazer a digestão.

Por isso, nunca corro após comer, a não ser umas quatro ou cinco horas depois, e depende do que como.

Já não bebo leite, em nenhuma ocasião, a não ser sem lactose, evito o sumo de laranja ao pequeno almoço, contento-me com um bolinho (açúcar), um sumo de frutos vermelhos e um ou três cafés.

A minha nova parceira de corrida não, ela come tudo o aquilo a que tem direito, mas tudo adequado ao que vai fazer.

“Como é que consegues correr depois de comer?”.

“Como é que consegues correr quase em jejum?”

Comamos.

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O hall do hotel começava a ficar vazio.

Viseu continuava a querer mostrar que é a “melhor cidade para viver”, e no domingo também foi a melhor cidade para correr.

O Paulo Costa é um homem que, no dia seguinte, ontem, mal terminou a a meia maratona do Dão já estava a caminho de Coimbra, e depois Évora, e já está no exacto ritmo frenético que é habitual.

Terá feito uma pausa de umas horas apenas.

Ele tem na Global Sport uma equipa que é raro montar.

Pessoas dedicadas, do mais amável e eficaz possível, amorosas, competentes, e já todos a funcionar em velocidade de cruzeiro, quando têm que montar mais uma corrida do circuito Running Wonders.

Eu tenho a rotina de pedir para me fotografarem, quando recebo a minha medalha, no final de cada corrida.

Desta vez o prazer foi especial, diferente, senti-me um campeão, eu que corro os dez quilómetros no dobro do tempo do vencedor.

A foto diz tudo.

 

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Recebem as pessoas de uma forma que apetece perguntar: quando é a próxima corrida?

Para além disso, o Paulo, é um comunicador de excelência.

Sempre que discursa – ou fala em privado – dá lições reais sobre o território, as pessoas, sobre como os e as valorizar, na perspectiva que somos um todo, valorizando assim o território, o nosso espaço único.

Na véspera, no jantar oficial do evento, enquanto escutávamos a intervenção do Paulo, disse à minha nova parceira de corrida:

“Grande comunicador, grande motivador, grande gajo”.

Ela anuiu.

Juntar a isso a amizade que ele nos dá o privilégio de termos, que mais podemos querer.

O Paulo, esteja com que estiver, (do mais importante que houver), sejam quantas vezes for ao dia, vem sempre ter connosco, saber como estamos.

É um homem inteligente e genuíno.

Humano.

Mandei-lhe um sms durante o jantar, antes de sair.

Amanhã dou-te um abraço antes da partida.

Às vezes gosto de o surpreender, como ele sempre me surpreende.

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Gosto de chegar, como no sábado, dar de caras com ele, ele não me ver, porque esta de olhos colados ao telemóvel, a trabalhar, e eu fotografá-lo e enviar-lhe por mensagem, naquele instante.

Normalmente ele vê-me primeiro que à mensagem.

Chegámos à zona da corrida 40 minutos antes do tiro da partida, dado pelo presidente da câmara de Viseu, alguém que conheci na véspera, no jantar, e que me cativou pelas suas ideias e pelo seu discurso.

Estacionámos o carro no parque de uma clínica privada, nova, bonita, como a cidade de Viseu, apesar de ser mais velha, igualmente bonita.

“Bom dia, podem estacionar aqui, não há problema, está vazio, venham”, disse-nos a enfermeira, enquanto apagava o cigarro.

Descemos uns bons cem metros, que canseira, talvez mais, tal foi o cansaço, estou a brincar, e estávamos no parque do Fontelo, com a partida lá à frente, ali a uns metros.

Muitas pessoas nas laterais, para ver, para apoiar.

Foi assim todo o percurso.

Fantástico acolhimento. Conheciam-nos pelos nomes.

Apesar de estarmos como convidados, fomos solicitados para comparecer juntos dos nossos colegas da TVI, que transmite as provas, para entrevistas.

A Ana Filipa Nunes e o Miguel Cabral.

A Ana também corre, mas desta vez o dever chamou mais alto.

O Miguel, enorme. Fez o percurso de mota e stressou a minha nova parceira de corrida, durante a corrida, mas não foi só a mota (estou a rir à gargalhada).

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Revimos, na partida, pessoas que conhecemos na véspera, fomos, como sempre, abraçados pelo Paulo Costa, demos as entrevistas e, confesso, eu já estava com a adrenalina a fazer-me comichões. É sempre assim.

Faltava, tipo, um quarto de hora para começar.

“Nós vamos ficar aqui na primeira linha da partida?”, perguntei.

“Sim, partem daqui”.

Atrás de nós, imagine, oito mil pessoas. Oito mil.

“Então, mas aqui, aqui vão atropelar-nos, a minha senhora é a primeira vez...”

Era eu que estava em stress, mas do bom.

“Sim, partem daqui, é correr”, disse a mesma pessoa, a rir.

Tranquilizei-me e à minha nova parceira de corrida:

“Pensa assim, vou fazer os dois quilómetros mais rápidos da minha vida, senão dificilmente voltarei a fazer dois quilómetros na vida, eu protejo-te”.

Sorrimos.

A segunda caixa foi aberta. Estava quase.

Nós, e já encostados a nós os que iam à procura de recordes, os veteranos do asfalto, e os outros.

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A contagem estava a ser ouvida em todo o parque:

5,4,3,2...1

Ouviu-se o tiro.

Arrancámos.

Mas, daqui para a frente, só no próximo texto.

Como sobrevivemos?

Pois...

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publicado às 15:13


2 comentários

Sem imagem de perfil

De Paulo Costa a 27.09.2016 às 16:07

Um texto fabuloso, de um Amigo que considero uma pessoa incrível, um Ser Humano grandioso, que, assim, à maneira dele, me consegue fazer corar... e chorar. É tão bom quando alguém nos compreende no visível e invisível. És Grande Zé!
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De The Cat a 27.09.2016 às 16:43

O que importa é ser sentido.
Aquele abraço

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