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Vou para a zona de Évora há uns bons vinte e tal anos.

Só corro vai para quatro.

Uma das minhas corridas, daquelas que imaginamos, quando começamos a correr, era ali mesmo, a meio caminho entre Alcáçovas e Viana do Alentejo.

O Monte do Sobral.

É o meu refúgio, embora não me tenha perdido por lá nos últimos tempos, mas ali sinto a liberdade, cheiro-a, miro-a, vivo com ela.

Évora fica a poucos quilómetros dali.

Pensei um dia correr de lá até lá. Fiquei-me por Viana e uma bica no Café Central.

Évora, a poucos quilómetros dali, tem um centro histórico tão rico e tão bem preservado que a cidade é um museu com vida própria.

O centro histórico foi declarado Património Mundial pela UNESCO.

Conheço Évora, mas naquela altura queria conhecê-la, a correr.

É um dos tantos e tão fascinantes desafios que a corrida me oferece, conhecer os sítios, as terras, as cidades, as ruas, os monumentos, as pessoas, as tascas e os cafés, as pessoas outra vez.

Queria tê-lo feito, naquela altura, mas ir do Monte a Évora são poucos quilómetros, de carro.

A correr é uma meia maratona.

Naquela altura não me aventurava a tal coisa, que correr uma meia maratona só é fácil no teclado do computador.

Mas eu acredito na teoria do “boomerang”, tudo o que vai, volta. Há quem lhe chame karma, e outras coisas.

A corrida, no próximo domingo, vai ser, tenho a certeza, a “Corrida Monumental”.

Não só porque é assim que a “EDP Distribuição Meia Maratona de Évora” se chama, mas porque vou, finalmente, correr na cidade para onde me mudava, sem espinhas, se um dia mudasse.

Évora encarna o espírito das meias maratonas do circuito Running Wonders (que feliz escolha de nome), o espírito do território e da sua história, faz sentido esta prova estar inserida no “Circuito Running Wonders - Meias maratonas em Patrimónios Mundiais”.

Évora tem nas veias o sangue a correr quente e lusitano, é monumental até pelos seus monumentos, imponentes.

Secular.

Em Évora corremos dentro do tempo, seremos transportados para outro tempo.

Imaterialidade.

É a experiência que conta, digo eu, assentando a ideia em tipos que correm, muito mais do que eu, mas que sentem a corrida como a sinto; uma experiência.

Se ao espírito acrescer o cálice; meus amigos...

O Graal.

No tempo que parou, o prato à mesa, a gastronomia, os ossos e a capela, e o templo e as pedras do chão, e a Cartuxa e os Cartuxos, um brinde à monumentalidade, que isto de correr não é só correr. Corre-se para lá disso.

E, se tudo isto estiver a acontecer lado-a-lado, literalmente, com milhares de pessoas em uníssono, em comunhão?

Pois, é por isso que eu vou lá estar e correr, por tudo isto. Eu e esses milhares.

Seremos recebidos de braços abertos, como o Alentejo sabe receber, com afagos e sotaque, em migas de rugas queimadas pela planície.

O circuito termina em Évora. Termina no coração do Património do mundo inteiro.

E, é nosso, de todos nós, também.

Digo só uma coisa mais: imagine o cenário, milhares de pessoas prontas a partir, manhã fresca, como só o Alentejo tem, no ar paira felicidade, acredito que haja até quem já deseje feliz natal ao desconhecido do lado, talvez a mim.

A televisão (a TVI, parabéns também pelo envolvimento, ao qual sou alheio, diga-se de passagem. Estou nisto a título individual, como diria o outro) e os repórteres provocam frison e borboletas nas barrigas, está quase.

Há judeus, mouros, celtas, romanos, lusitanos, uma série deles, todos ali, na Praça Grande, a que os alentejanos chamam do Giraldo, com Diana, a contemplar o cenário, do seu templo, bem ao nosso lado.

E, eu.

Naquele dia não tinha condições para ir a correr desde o Monte até Évora, mas domingo tenho.

boomerang, não esqueça, e uns quantos shots de energia e bebidas hidratantes.

Nunca usei pensos ou creme nos mamilos, confesso.

São 21,097 kms, são 10kms, são 5kms. Há chuveiros, a partida e a chegada é de e na Praça do Giraldo, a qual chamavam Praça Grande, o secretariado é no palácio de D. Manuel, há prémios, há parques de estacionamento, mas há mais.

Porque é o território, e a sua história, e a sua gente, que as meias maratonas Running Wonder reencarnam, porque é de experiências (sensoriais, claro, também) que se trata, a “Corrida Monumental” de Évora, domingo, será incrível porque algo de inédito ela irá proporcionar a todos(as);

Uma corrida com 21 kms e com 23 – vinte e três – pontos de animação.

Algo que vai representar uma grande demonstração da cultura territorial alentejana.

Algo jamais visto numa corrida, aqui ou em qualquer outro lugar (e olhe que eu já dei muitas voltas ao mundo a ver corridas. Não dei nada, mas gostava. Ah ah ah ah !)

Se ficou entusiasmado(a) com o que leu, sim, ir correr e viver a experiência só depende de si, a partir de agora.

Basta escrever um comentário a solicitar uma inscrição, e o blog do Gato (este mesmo) terá todo o gosto em lhe oferecer uma.

Correr uma “Corrida Monumental” não é redundante, como se vê.

Até ao fim do ano só faço mais duas.

Chegue eu ao fim desta.

É que costumo demorar imenso tempo a tirar fotos.

 

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publicado às 22:44



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