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FOTO: MARIA QUARESMA

 

 

 

Fonte de inspiração...

 

A noite já vai longa, as folgas terminaram, amanhã, que já é hoje, é dia de trabalho, mas não podia voltar a quebrar a promessa.

Prometi, ontem, escrever todos os dias um texto, mais curto que o habitual, mas sempre uma história a tocar a hiper-realidade, que é como eu gosto.

Além do mais, começo a ter motivos diários para escrever.

A minha mulher começa a ser uma praticante de exercício físico, e isso é muito importante a vários níveis, eu começo, finalmente, a estar bem comigo e com a vida, que os últimos tempos não têm sido fáceis, mas nunca ninguém disse que era suposto serem.

Todos nós somos suficientemente fortes para sorrir enquanto travamos as maiores lutas. Eu, não.

Mas corro e isso faz-me vivo e mais forte.

Também me obriguei a colocar em prática aquilo que sempre soube que sería mais uma forma de me equilibrar na vida, a escrita.

Tal como quando corro ou pratico Muay Thai, também quando escrevo sou eu, no meu espaço próprio e intransmissível, nas minhas viagens solitárias.

No fim, sinto o mesmo, paz, alívio, e consigo até sorrir.

Confesso que as redes sociais me provocam desgaste, por vezes, mas nunca me deixo embalar pelo nível decadente, por vezes escrevo coisas que logo as apago ou as corrijo.

Mas as redes sociais são parte dos meus dias, por opção ou por obrigação, uma coisa leva a outra.

É na escrita que também despejo aquilo que contenho, provocado por insensibilidades, falta de decência, de humanidade, as coisas abjectas.

Misturo-as com pensamentos que me assombram.

Acredito que me comece a ser mais fácil, a partir de agora, escrever regularmente.

A esta hora a audiência é pouca, a minha audiência é sempre pouca, o meu blog não é um blog de massas, não nasceu para o ser, é um canto onde os sentidos descansam ou se sobressaltam, e é bom sinal, sinal de que são poucos aqueles que se deixam tocar, são poucos aqueles que estão atentos aos detalhes, que tudo determinam. Poucos, pessoas que me lêem e gostam.

A audiência é pouca, mas pela manhã partilha-se e a coisa dá-se.

Tenho, portanto, todos os motivos para escrever mais vezes.

Seja.

Domingo temos uma corrida.

A Carla e eu vamos a Viseu.

É um dia especial, por várias razões.

Vamos homenagear, à nossa maneira especial, um amigo, vamos correr juntos, pela segunda vez, uma corrida oficial.

A Carla vai correr os 10 kms da Wonder Running do Dão e eu a meia maratona.

A ver vamos.

Já pedi para trocar de prova, para correr junto dela, porque será a primeira vez – agora ela está em condições – de nos superarmos juntos, de puxar um pelo outro, garantindo sempre a sua corrida, como prioridade.

Decidi desistir da meia maratona para a ajudar a correr os 10 kms em 1.10h, afinal, há meses, na nossa primeira corrida juntos, fez 1.38h.

É ou não é um desafio daqueles?

É por isso, por isso vou correr a seu lado, porque temos um objectivo diferente de todos aqueles que tivemos nestes cerca de trinta anos juntos.

Correr 10 kms em 1.10h.

Só isso, mas isso é um objectivo que vai custar a atingir.

Só que a Carla e eu, juntos, atingimos sempre todos os objectivos nesta vida, até todos os desaires, e este objectivo é mais um, podia ser quem consegue estar mais tempos sem respirar, mas não, foi este que escolhemos.

Tenho a certeza que se o conseguir, ela rapidamente subirá para outros patamares.

Hoje, saímos para correr 8 kms, disse-lhe:

- “ Vamos começar a experimentar para domingo”.

Corremos, sem paragens, a não ser para beber água nos bebedouros do passeio ribeirinho, foi lá que corremos, junto ao rio.

O nosso rio.

E, mesmo quando as minhas pernas começaram a reclamar, porque ainda ontem correram 17 kms, bastou-me olhar para o néon rosa dos nike azuis, em movimento constante, para me convencer de uma coisa, para chegar a uma conclusão, mais uma, nestas minhas corridas:

Tu só serás exemplo para alguém se conseguires ir a seu lado, nunca à frente, nunca atrás.

Ela fez os seus 8 kms mais rápidos de sempre ( dois meses de treino), comigo.

Eu fiz um pouco menos que ela, mas mais do que podia ter feito.

Porque o tempo não conta.

É uma das raras situações da vida em que o tempo não conta, conta o afecto, o amor, a paz, a comunhão, a amizade até.

No domingo vai ser assim.

É que ela fica tão, mas tão mais gira, naqueles ténis de corrida.

 

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publicado às 00:32


2 comentários

Sem imagem de perfil

De Anónimo a 21.09.2016 às 01:18

Vão voar...
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De The Cat a 27.09.2016 às 16:45

A senhora voou...:)
Obrigado

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