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ATEU GRAÇAS A DEUS

por The Cat, em 15.04.16

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Já fui crente.

Agora creio pouco. Em quase nada.

Falo de medicinas alternativas e das outras mais convencionais.

Na verdade, há uns anos, por necessidade, vi-me obrigado a recorrer a várias terapias, bastante diferentes, não-convencionais, na procura de uma âncora que travasse a maré e me levasse a bom porto.

Eu fiz de tudo; desde taças tibetantas, a cantos cósmicos, hipnose, consultei psiquiatras e psicólogos, não búzios e cartas não, mas também experimentei a acupunctura, e mais uma coisas das quais nem me recordo o nome.

Eu acreditava. Tinha fé. Procurava.

É um pouco como com a religião.

Eu sou ateu, graças a deus, por isso escrevo O nome em caixa baixa, fica o registo.

Em relação à religião, não acredito, de todo.

Em relação às medicinas, acredito, um pouco, muito grande.

Eu vivo, por vezes, um purgatório inclinado em direcção ao inferno.

Escapo-me sempre para o céu, mas não deixo de correr o risco.

Exactamente, correr. É aí que tudo acontece.

Temos por hábito falar dos 10 kms, ou da meia maratona, como se fosse como comer um bitoque.

Com uma oralidade extremamente fácil, afinal a língua não se cansa muscularmente, tirando uma ou outra afta.

Não é como comer um bitoque.

Correr é mais fácil, porque o bitoque às vezes vem quente, as batatas, pelo menos.

É mais fácil, mas não é fácil. A não ser correr por palavras, e mesmo assim...

Imagine que caminha daqui até ali. Caminha.

Sim, no dia a seguir tem dores, dói-lhe tudo, encontra músculos que nem sabia que existiam.

Caminhou.

Já pensou se fosse a correr?

Tal e qual. 

No dia seguinte a uma prova média ou longa, as escadas que vejo ali em frente, duplicam o número de degraus, a cadeira onde me sento transforma-se num pedaço de pedra virtual. Dura.

Por muito frio que esteja as pernas estarão sempre em sobre-aquecimento.

Aparecem dores onde menos se espera. Juro.

Até um dente já me doeu (pode rir, que é mentira).

Há sempre dores após uma corrida longa, o esforço é brutal, e só o sente quem corre, porque correr na ponta da língua cansa imensamente menos. Também lhe garanto.

- "A meia maratona? Isso é na boa. Quantos quilómetros são?".

Normalmente é assim que se passa.

- "A meia são 21 kms, mas o pior é a recuperação"!

Há quem demore dias, até voltar a correr, eu, por exemplo (agora sim, pode rir).

É preciso recuperar, e para recuperar cada qual tem os seus truques, as suas técnicas e os seus tempos.

Foi por que isso falei das medicinas alternativas, no início deste texto.

Até porque não é só de cansaço que se trata.

Depois de uma corrida longa há lesões que podem aparecer.

E as lesões impedem o treino, a fadiga não.

A fadiga dura dias, semanas, até as dores de cabeça aparecem, por isso, Helder Flor, especialista em osteopatia e medicina tradicional chinesa, que trabalha diariamente com atletas de alta competição, diz que:

"É tão ou mais importante estar preparado para uma pós-maratona, como para a maratona em si".

Não deixa de ter razão.

Quando realizamos exercício físico intenso, é sabido, o corpo perde água, perde muita água.

A água assume papel fundamental em todas as fases, "mas em particular na recuperação do organismo", por causa da homeostase (manter o equilíbrio) do organismo.

Chá de  malva, ou chá de gengibre ajuda, diz Helder Flor.

O processo de hidratação fica mais facilitado, desta forma.

Dormir bem. Parece óbvio. Ajuda.

Estiramentos e massagens, óleo com  fartura, encontrar pontos tensos e dolorosos, estimulá-los, pressioná-los, respirando fundo. Os pontos cedem, garanto, e o alívio é imediato.

Os runners experientes sabem disto, os mais curiosos, ou os que agora estão a começar talvez não saibam, se souberem, bom, resta mudarem de parágrafo ou de blog. Mudem só de parágrafo, sff.

Também existem ervas, umas podem ser comidas, outras fumadas, estas a que me refiro provocam um friozinho daqueles gostosos e só são aplicáveis para este fim; recuperar após uma corrida longa.

As plantas de natureza fria, como a Arnica ou a Hortelã-Pimenta, esmagadas, embebidas numa toalha, ou esfregadas nas zonas afectadas, provocam uma sensação de frio, que pelo menos ajuda a esquecer a tensão, na maioria das vezes também ajuda a esquecer as dores.

A carne é fraca!

Por isso, comer bem também é uma imposição.

Helder Flor, osteopata e especialista em medicina tradicional chinesa aconselha quem corre, e depois se confronta com este quadro de stress físico e mental, que utilize os seus próprios pontos de acupunctura, juntamente com as ideias já referidas.

Esses pontos estão todos no Google.

Depois de os encontrar faça-lhes uma massagem. Vai ver que agradecem.

São vários pontos, todos eles importantes, afinal você quer ficar sem as dores que a corrida provocou.

Por exemplo, o Ponto 36E, localizado abaixo do joelho, o Ponto Vesícula Biliar 34, ou o Ponto Estômago38, são vários, e todos eles, gentilmente estimulados, produzem milagres.

Pois, neste momento deve estar a pensar: o Gato sabe disto.

Sabe nada, o Gato estava a ler enquanto escrevia.

Mas, o Gato sabe que estes pontos todos, e mais alguns, existem porque o Gato já recorreu à acupunctura para tratar da canseira. E tratou-a.

É, de todas as possibilidades aqui mencionadas, aquela que mais resultados tem na recuperação, depois de uma prova longa.

Dia 15 do mês que vem o Gato vai correr a meia maratona do Douro e espera que até lá as dores vão dar uma volta a outro lado qualquer, embora não pareça.

Confesso, já comprei uma caixa de agulhas, que aquilo das picadas não custa nada. 

Correr custa muito mais.

 

 

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publicado às 16:01


2 comentários

Sem imagem de perfil

De Maria G. a 17.04.2016 às 11:44


“At(éia)u graças a deus”.


“O mundo seria muito mais pacífico se todos fôssemos ateus.”

José Saramago



P.S. Continuação de boas corridas.
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De The Cat a 23.04.2016 às 16:55

Confesso, faltou ali uma vírgula, mas não gosto de títulos com vírgulas, nem de religiões.
Bom fim de semana :)

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