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ALICE NÃO SE IMPORTA

por The Cat, em 26.11.16

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Dia 54

25/11/2016

 

Alice está bem e recomenda-se.

Tem passado as últimas horas sozinha, a fazer aquilo que bem entende, não faço ideia do que ela anda a fazer.

Sei que está bem, porque a Cristina já passou lá por casa, como combinado, e já me mandou um sms.

O que aconteceu, nas horas seguidntes a termos saído de casa, a sensação do incompleto, de falta, saudade, até, não teve a ver com Alice, teve a ver com as ausências, ponto final.

Ontem custou um bocado.

Hoje já foi diferente.

Alice está com a liberdade que quer, não faz sentido, afinal estamos a horas de voltar, estarmos nós a pensar no ontem.

Posto isto, o nosso primeiro dia sem Alice por perto está a ser tão, mas tão relaxante, que parece, estamos a ressacar. Mas, não estamos.

Tal como acontece com as pessoas, as primeiras horas custam, depois habituamo-nos. Somos animais de hábitos, bem o sei.

Com os gatos deve ser parecido. Quando está connosco, Alice gere os minutos como quer, quantas vezes a chamo para perto de mim, e ela não vem.

Hábitos.

Talvez por isso, esta manhã, mudou a agulha.

Acordei cedo, o que é raro, sem despertador.

Demorei a levantar-me.

Ontem tive um jantar divinal. Não corria há três dias, o corpo descansado, podia comer bem. E, comi. Ovos com espinafres e farinheira, de entrada. Rabo de touro estufado, com batatas pala, caseiras, e arroz branco. Um Tapada de Coelheiros tinto, obviamente. No final, um torrão (não digo o que é).

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Ao pequeno almoço fiquei por uns cereais, com frutos secos, leite de soja, pão com passas, escuro, queijo fresco. Ok, não resisti aos cogumelos.

Fizemos vários brindes, ao jantar. Ao pequeno almoço também.

Até a Alice brindámos.

O vinho é o sangue da alma.

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Neste momento em que escrevo, sinto-me um atleta profissional, mas sem a parte profissional.

Vou participar numa meia maratona de dimensão interessante, uma corrida que tem por base princípios e vaores que são necessários ao planeta e aos homens, estou num dos melhores hotéis da cidade, já treinei e agora estou com amigos a escrever, enquanto eles vêem o jogo na televisão.

Não corria há três dias, mas consegui manter o peso. O jantar de ontem meteu em risco os 77, por isso juntei o útil ao agradável e saí para treinar.

Corri pela cidade, junto às muralhas, um aquecimento de pouco mais de um quilómetro.

Entrei no ginásio, corri mais seis quilómetros e pouco, trabalhei tronco, braços, pernas, abs, três séries e voltei à rua.

Mais um quilómetro e pouco.

Descansei. Descansei. Descansei. É isto.

Alice estará, ela também, a descansar.

A diferença é que ela não vai correr 21 quilómetros amanhã de manhã. Eu vou.

Como desta vez tenho fugido ao protocolo, o Paulo não se zanga comigo, daqui nada vou só ali dar de caras com uma sopa de cação, creio que com um Pera Manca, branco.

Até lá, há-de estar a chegar o Marcos Pinto.

O Zé Carlos, o Vasco, o Romeu, e o Carneiro Jacinto, estão sentados na mesa a seguir à minha, a menos de meio metro, virados para o plasma.

São todos do Sporting. O Zé Carlos não sei, opina pouco, o Romeu é que vai lançado com o Carneiro Jacinto. O Vasco está tenso e calado. O Marcos há-de estar a chegar.

Fui ver o trajecto da corrida e tem subidas, e subidas, mas um atleta de alta competição, mas mais baixa, não tão alta, deve estabelecer metas.

Este domingo Évora vai render-se ao seu imperador, moi.

Vou fazer duas horas e dez.

Alinhando idade, peso, carga, e por aí fora, não é um mau tempo.

Já sou um veterano, é esse o meu escalão,não me consideram velho, mas também já não sou um atleta na flor da idade, quanto muito nos ramos da idade.

“Falha sempre isto”, gritaram dois deles.

Ainda há muito jogo, penso eu.

O bar encheu-se, de repente. Falam alto, as senhoras, uma das senhoras.

Os meus companheiros de fim de tarde continuam a dissertar sobre as qualidades dos jogadores da equipa que amam.

Amor. Amar. Passa tudo por aqui, por aí.

Amanhã a seguir à corrida marcham umas bifanas, em Montemor, que as pernas devem doer como nunca, por essa altura.

Com isto, Alice não se importa, por isso, hoje, não me importo com ela.

Foi golo do Sporting. Já estão todos enrolados à conversa, outra vez.

Vou à sopa de cação.

Um dia conto a história da sopa de cação, sim, porque o Alentejo (este Alentejo) não tem mar, embora esteja a chover.

 

 

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publicado às 18:40


2 comentários

Sem imagem de perfil

De Vítor Inácio a 27.11.2016 às 19:29

O melhor do fim de semana, independentemente do resultado da 1/2 Maratona vai ser o regresso a casa e observar as reacções da Alice à V/chegada!
Preparem-se para grande festa ou ... grandes amuos, tipo "prima dona" ofendida.
Depois conte.
Boa semana
VInácio

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