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ALICE FOI AOS ANOS DO ZÉ

por The Cat, em 14.11.16

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Dia 43

13/11/2016

 

Sobre paz...

 

 

Paz.

Foi o que senti este domingo.

Tranquilidade.

Amizade.

Afecto.

Amor.

Atenção.

Dedicação.

Lembrança.

Estima.

Foi o dia em que se assinalaram 47 anos, desde o momento em que abri os olhos e olhei para isto tudo, pela primeira vez.

Eu não faço anos, eu apenas assinalo datas, esta doença afecta-me há uns dez anos, não tem cura, dizem.

Começo a recusar-me, já vou, com 47 ampolas, tendo esse direito.

Faz-me espécie perceber que nada é infinito, que o túnel tem a luz cada vez mais intensa, em direcção aos teus olhos, que os planos já só conseguem ser a médio prazo, porque tu tens um prazo, eu tenho um prazo, a vida é a prazo.

É, por isso, obrigatória agarrá-la, todos os dias, pelos cornos, pelo lombo, mostrar-lhe que perante todo o seu poderio, perante toda a sua crueldade, perante toda a sua (assim mesmo) im-pre-vi-si-bi-li-da-de, ela também é bela, também pode ser feliz, aconchegante, tranquila.

É preciso mostrar-lhe, por ela esquece-se disso, quantas vezes!

Hoje, este domingo, foi tudo isto.

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Mas, sou obrigado a fazer anos, enquanto por cá andar, todos somos, ainda bem que somos.

Celebramos a vida.

Haverá algo mais belo e surpreendente?

Podia ter tido milhões de presentes de aniversário, caso houvesse gente com dinheiro suficiente.

Um Rolex Blue Oyster 24K, um Panamera, um anel Cartier, uma mala Vouitton (sim, adoro LV), uma casa na Córsega, uma ilha, quem sabe.

Podia ter o mundo inteiro de presente de aniversário.

E tive-o.

Humildemente, ergo o meu olhar, fecho os olhos, sorrio, agradeço, deixo-me ir.

Não o faço por imodéstia, soberba, arrogância, superioridade. Faço-o de joelhos.

O meu Rolex é fake, o meu carro é um Golf, o meu anel é Benetton, a mala é Springfield, a casa é no Ribatejo, a minha ilha é o meu mundo.

Hoje, este domingo, foi tudo isto.

E, fui mais feliz, porque sei que haverá gente com dinheiro suficiente para me oferecer os luxos da vida, mas não há muita gente com coração suficiente para me honrar com um pedaço que seja do seu tempo. Como hoje o fizeram.

Podia ter o mundo inteiro de presente de aniversário.

E tive-o. O meu.

Nada é mais luxuoso que ter um domingo como o domingo que eu tive, junto dos meus, os meus de sangue, os meus de alma, os que conheço de uma vida, os de ontem, os que conheço virtualmente, todos os de hoje.

Há algo mais luxuoso que isso?

Não há, nem há forma de materializar aquilo que me concederam o privilégio de sentir.

O tempo que me deram, tempo vosso, pedaços dele, guardo-vos a todos no coração.

Eu emociono-me com facilidade. Coisas de gajas com barba, que ninguém é perfeito.

Como os vídeos que me mandaram.

Guardei-os todos.

É, eu emociono-me com facilidade.

Este domingo tive isto tudo.

Passei a manhã a ver o jogo do meu filho, dos meus meninos (12-1), dedicou-me os dois golos que marcou.

As manhãs de domingo são assim, somos os ultras mais veteranos, digamos assim, elas são as piores, bebem ginjinha logo às dez da manhã e depois cantam muito.

Cantam União e reclamam com os árbitros, mas sempre de forma extremamente educada, até a Carla:

“Hei, óh senhor árbitro, vamos lá ver, esse grandalhão dá uma sapatada ao meu menino e nem amarelo o senhor dá, vá mas é...bom...”

Ir à bola ver os miúdos é, desde há muito tempo, uma tira de tempo escrita com amizade fraterna, torcemos uns pelos outros, por isso somos União.

Doze golos depois...

Almocei com a família e rimos às gargalhadas, e tirámos fotos, e demos abraços, como quando a mãe lembrou que eram 13.30h, tinha acabado de nascer, depois de ter dado conta de um cabrito no forno e duas imperiais.

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O Chico do Porto, no Porto Alto, é quase a nossa cantina.

O César recebe como ninguém, o cabrito assado sai do forno naquele momento, ou o arroz de cabidela que é feito na hora, e os peixinhos da horta, oh my gosh.

Segunda parte...

O pai foi à bola, o mano foi visitar a namorada, a sogra à vida dela, a mãe deve ter ido até ao facebook e nós fomos para Sintra.

Passei a tarde a visitar o NewsMuseum.

Tinha sido convidado por Luis Paixão Martins, o dono, para visitar o museu, ainda antes da sua inauguração, na noite de 25 de Abril deste ano.

Marcelo Rebelo de Sousa foi quem inaugurou o museu, onde tenho pena de não estar, confesso, porque gostava, não que seja digno de tal honra.

Houve ali uma vertigem, o fascínio da liberdade,  porque transpira liberdade, e história, na qual me revejo, em tudo.

Confesso, depois da autobiografia do meu ídolo, que me foi oferecida, depois do dia que todos fizeram questão de tornar inesquecível, ver a história do meu ofício, que provavelmente irei abandonar, um destes dias, contada daquela forma, foi como ouvir "Lisboa Mulata" dos Dead Combo, junto à minha lareira.

Viagens que faço. Isso que fiz.

Duas horas e meia maravilhosas.

A história do meu grande amor, o jornalismo, contada desde o começo dos tempos até agora.

Saímos de lá, eu e a Carla, orgulhosos do caminho que trilhámos vida fora.

Ali, no museu das notícias, está um pedaço de nós.

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Só há dois museus assim, em todo o mundo, este e um nos Estados Unidos.

Juro, até gravei um pivot e tudo, ora veja...

 

 

Só não sei é como é que saí de casa, de manhã, com as mãos a abanar, e regresso não sei quantos sorrisos depois, assim, sem mãos...

De repente, estou no meu elevador, carregado com sacos e mais sacos, com o cesto da lenha, porque no meu bairro há mistérios. Gatas que desaparecem e aparecem, Sacos que não sei de onve vieram, só sei que eram compras, legumes e cenas, sumos e essas coisas.

Como, como por magia.

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No meu aniversário não fiquei só com o coração cheio, com a alma alegre, também o elevador ficou overload, sei lá eu como, eu só saí de manhã para ir ver a bola.

 Estava a chegar a casa.

Faltava aqui uma peça, uma peça que ganha cada vez mais importância na minha vida.

Falámos várias vezes dela ao longo do dia.

Alice.

Na volta de Sintra parámos na “vila”, comprámos uns frangos assados, no Canôa – continua a ter os melhores frangos assados do mundo -, e fomos ver a bola, os quatro, os quatro mais uma.

Alice.

Convenci-me, nos últimos dias, que era Alice que me ia faltar, neste domingo tão bonito.

Estava convencido que este texto ia ser escrito de outra forma, se Alice, sem ela, ponto.

Alice está aqui. Comigo. Connosco.

A lareira está acesa.

Podia ter o mundo inteiro de presente de aniversário.

E tive.

Este domingo tive isto tudo.

Só não gosto de fazer anos, só isso.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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publicado às 10:15



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