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ALICE DESCONFIADA

por The Cat, em 21.10.16

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Dia 19

19/10/2016

 

Coisas que passam...

 

Alice está grande, está a ficar grande e bonita.

Já se destacam manchas em tons de mel, nas patas, nos olhos, aqui e acolá.

Eu pensava que os gatos cresciam mais depressa, como os cães, mas não, os gatos crescem mais lentamente, ou então é da minha vista.

É um pouco como com o perfume, por muito intenso que seja, nós quase não damos por ele, tal a habituação.

Comigo e com Alice passar-se algo parecido, talvez por a ver e estar todos os dias com ela, talvez por isso não dê conta de como e quanto ela cresce.

Ainda pouco passou de meio mês, desde que chegou e mudou tudo de alto a baixo.

As relações, os tons de voz, as reacções, Alice entrou vinda do nada e mexeu com quase tudo.

Os momentos em que brinca são mágicos.

Brinca sempre que alguém está na cozinha.

Pode ficar um minuto, dois, na cama, mas passado esse tempo, salta, dispara, corre, morde, dá toques com a pata.

Essa é uma das facetas mais deliciosas deste processo de conhecimento; quando Alice passa por um de nós e, como que a dizer que nem se dá conta de nós, dá-nos um toque com a pata, à sua passagem.

Outra coisa que me deixa espantado é a diferença de comportamento de Alice.

Quando está ao nosso colo, Alice aguenta uns segundos quieta.

Quando Maria pega nela, Alice fica-se, simplesmente.

Muda de comportamento.

Respeitinho é bonito.

Há outras facetas deliciosas, e outras que, porque ainda pouco vincadas demoram a libertar-se.

Alice, no mesmo segundo em que pula e brinca connosco, deita-se a fugir, esconde-se e fica a observar.

Alice ainda desconfia de nós.

Tem três ou quatro esconderijos, à vista de todos, onde se sente segura dos medos que nunca imaginou ter.

Apenas tem medo porque desconhece.

Apenas tem medo porque amar demora a aprender.

Apenas tem medo porque teve sempre medo.

Isso há-de passar.

Alice – a porta da cozinha está, agora, sempre aberta, quando há gente em casa – é uma gata que está a aprender a ser feliz, por enquanto no seu próprio espaço, onde já se sente segura, mas Alice ainda desconfia.

Ainda não é aquela gata que se passeia, connosco pela casa, enrolada nas nossas pernas. Ainda não. Alice ainda é uma criança.

E, é a parte que menos gosto nisto tudo.

A desconfiança de Alice.

Por muito que lhe diga que o mundo lá fora é que é perigoso, que cá em casa pode confiar em qualquer um de nós, Alice ainda é desconfia.

E, assusta-se.

Talvez isso passe.

Desde que continue a crescer, cada vez mais bonita, eu espero, eu posso esperar, todos podemos esperar.

Talvez isso passe.

Um dia, Alice vai confiar nesse mundo melhor.

 

 

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publicado às 09:55


1 comentário

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De marta-omeucanto a 21.10.2016 às 11:35

Os gatos são desconfiados por natureza. Ainda mais se tiverem motivos para isso.
Mesmo a comer ou a beber água têm técnicas para controlar e prevenir-se de ataques de outros felinos ou predadores.
Com tempo e paciência, as coisas mudam e ela sentir-se-á mais segura, embora alguns instintos a acompanhem sempre.

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