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carla e maria.JPG

 

 

É incontornável: a mulher foi a melhor invenção do homem.

Postas as coisas assim parece que foi o homem que inventou a mulher.

Só que há coisas que, por muitos séculos que vivamos, nunca iremos ter certezas sobre. Esta é uma dessas coisas. A criação do género.

Até porque a primeira frase deste texto não passa de uma forma básica de tentar agarrar a sua atenção para o resto da prosa.

Comemora-se hoje  o Dia Internacional da Mulher.

E este texto não é só para elas, as mulheres.

Ele é dedicado às mulheres inteiras.

É também uma homenagem pública às mulheres por quem dou a vida, incondicionalmente. Sem pestanejar.

Ao longo deste caminho tenho conhecido muitas mulheres, mesmo muitas, e apercebo-me disso agora que escrevo sobre elas.

Mais mulheres do que homens, fazendo o balanço.

Há três, três mulheres que mais guardo dentro de mim, em todos os segundos que respiro, em cada passo que dou, em cada olhar que deixo escapar; a minha mãe, a minha mulher e a minha filha.

São o tripé que me sustenta, nesta luta desigual.

Basta-me os seus sorrisos e tudo muda.

Basta-me olhar para elas e tudo muda.

Basta escutá-las e tudo muda.

Basta beijá-las e tudo muda.

Basta abraçá-las e tudo muda.

Uma troika, mas em formato bonito, belo, bom.

mae.jpg

 

A minha mãe.

É uma mulher soberba.

Uma mulher nova, ainda vai nos 64.

Uma mulher que a vida, por várias vezes, tentou marcar, mas que sempre se revelou muito mais forte que o destino.

Enganou-o sempre. Só a ele.

Nunca enganou mais ninguém em toda a sua vida, apenas o destino e porque ele mereceu ser enganado.

Uma mulher que perante todos os espinhos que se lhe cravaram nos pés sempre os retirou, com um sorriso. Franco e luminoso.

A minha mãe é um exemplo, como mulher, como mãe, como avó.

A minha mãe tem um problema de saúde grave, que não é de agora.

Qualquer outra mulher já tería desistido, ela não, ela caminha todos os dias junto ao rio, fotografa o pôr-do-sol, e até usa as redes sociais.

Mas os olhos não lhe perdoam.

À medida que o mundo vai ficando mais escuro para ela, o seu sorriso vai aumentando.

Ela não sabe, mas ela é um exemplo para todos os que a rodeiam.

A minha mãe tem um nome tão bonito quanto ela, chama-se Maria Adelaide, um nome que já ninguém usa, só as pessoas bonitas.

Eu telefono-lhe todos os dias, várias vezes ao dia, e sinto-me ainda, como sempre, o seu menino.

Foi mãe, melhor amiga, companheira. 

Um pedaço de vida.

Se eu fosse mulher queria ser como a minha mãe.

Até porque tenho a sorte de estar rodeado de mulheres bonitas.

Também tem sido assim ao longo da vida, mulheres bonitas, as que se cruzaram comigo. Um sortudo.

Aprecio a beleza. Também a inteligência, o carácter, blá, blá, blá!

Mas, a beleza, antes de tudo, porque a beleza é o todo, o tudo.

Uma das três mulheres mais belas da minha vida chama-se Maria, sem Adelaide no nome, mas com o coração cheio de Adelaide, que eu sei.

Deram-lhe o nome por engano.

Em teoria sería uma homenagem a uma outra mulher marcante, mas só depois de registada se percebeu que o nome dessa mulher, afinal não era Maria.

Mas Maria ficou Maria, no entanto. Sería sempre Maria.

MARIA.JPG

 

 

E foi crescendo, e foi-se tornando menina, e foi-se tornando mulher (zinha). 

Ela sabe que às vezes os grandes precisam de abraços, ela sabe que às vezes os grandes precisam de um beijo, ela sabe que estas pequenas coisas, simples, têm força para virar o mundo do avesso e enfrentar o dia seguinte.

Ela sabe muito sobre o amor, o afecto, a verdade, a vida.

Tenho muitas saudades dela, todos os dias.

 Também lhe ligo todos os dias.

São saudades do que está por vir.

Acho que ela também sabe isso. Ela sabe muita coisa, do alto dos seus quase 14 anos.

Sabe muito mais do que eu, porque me ensina tanto.

Ensina-me pelo sorriso, pelo perfume, quando a espreito a estudar, á meia-luz, quando a encontro pintar as unhas, como se a sua beleza precisasse de coisas artificiais para se mostrar ao mundo.

Ensina-me quando, do nada, me trata por "velho".

Não o faz muitas vezes, mas quando o faz traz-me à memória que é isso que sou cada vez mais. Isso assusta-me.

Assusta-me perdê-las, assusta-me que me percam, um dia.

Assusta-me chamar-me velho, porque eu não quero ser velho, pelo menos enquanto as tiver, às três.

E não serei velho. Ela testa-me, provoca para ver a reacção. 

Velho, com um sorriso nos lábios.

Só não sei se ela sabe isso, acho que sim, também sabe.

Os laços mais fortes costumam ser os laços de sangue.

As mulheres sobre as quais falei têm o meu sangue a correr-lhes nas veias e eu o delas, nas minhas.

Mas, há uma mulher que não tem nada de mim, a não ser eu mesmo.

A minha.

A mãe de Maria.

Ela consegue reunir nela tudo o que a Adelaide e a Maria me dão. 

Principalmente porque não temos o nosso sangue misturado.

Temos muito mais que isso.

Conhecemo-nos no século passado, literalmente, corria o ano de 1985.

Desde essa altura que os nossos caminhos foram sempre paralelos, lado-a-lado.

E, só pode ter sido amor, porque interesse não vejo que ela tivesse, afinal não nasci rico, apenas bonito, como diz a canção ( rir).

Caminhámos sempre lado-a-lado, mesmo quando nos afastámos, mesmo quando nos afastamos.

Uma vida inteira.

Nunca me deixou cair, nem quando a sua opção foi cair por mim.

Devo-lhe o mundo inteiro.

Talvez ela não saiba isso. Fica o mundo a saber.

Costumo dizer que se um dia me separar não terei mais nenhuma mulher, para poder viver a minha própria vida, sem amarras.

Nunca pensei tão errado.

Eu vivo a minha própria vida, com e sem amarras, mas a minha, e se um dia me separar não terei mais nenhuma mulher, porque não acredito que encontre outra assim.

Uma mulher a quem apetece dizer obrigado a toda a hora.

Como se agradece a uma mulher que consegue ser mãe, mulher, profissional, daquelas que a tudo resistem, daquelas que nos salvam de tudo, daquelas que por nós tudo fazem, sem espinhas?

Como se agradece a alguém que caminha ao nosso lado por entre os maiores cataclismos do coração e da alma?

Não há como agradecer, nem mesmo se o agradecimento for público. Não há como.

Apenas dizer:

Amo-vos, mulheres da minha vida.

Amo-vos, mulheres.

Amo-vos, sobretudo porque a maioria não tem barba.

Sobretudo por isso.

Um dia feliz.

De coração!

 

 

 

 

 

 

 

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publicado às 12:32


5 comentários

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De Anti-Social a 08.03.2016 às 18:31

Que post bonito, e que ricas mulheres serão com esse amor tão cheio.
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De The Cat a 09.03.2016 às 13:18

Obrigado pelo comentário.
Não sei se serão elas ricas com o meu amor tão cheio, se sou eu rico por ter o amor delas incondicional.
Somos felizes. Ponto.
Um beijinho (acho que + abraço, certo?)
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De Maria G. a 08.03.2016 às 20:09

Mas…um mundo sem homens?
Sem vocês, o jardim não floria.
Tão e somente.
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De The Cat a 09.03.2016 às 13:16

Bom dia.
É um facto.
Mas era o dia da mulher e embora os meus textos sejam esquizofrénicos, este teve um só objectivo: dizer às minhas mulheres quanto as amo.
Obrigado pela leitura, de coração
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De amoraconversa a 16.03.2016 às 01:59

Arrebatador!!!!

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