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A MINHA VIDA É TORTURA

por The Cat, em 11.09.14


Estou metido num sério problema.


"Nem para mim sou bom".


Devia ter sido detido quando decidi o que decidi.


Decidi ir ao encontro de quem gosta de ler os devaneios que escrevo, resultado de verdadeiros bloqueios psicológicos.


Uma espécie de chá psicoactivo.


Há quem goste destes textos, fruto de efeitos psicadélicos provocados sabe-se lá por quê. Fazer o quê...


Acho que isso é considerado completamente normal, gostar de coisas estranhas, mas avancemos na narrativa.


Basicamente, decidi brincar com algumas pessoas na minha página do Facebook. Pedi-lhes para sugerirem temas, que eu escrevia sobre eles.


Assim, libertava-me de mim e passava a ser quase eles.


Mas, era uma brincadeira. Eu raramente levo o Facebook muito a sério.


Mas isso sou eu que tenho manias estranhas.


Levaram a sério e agora estou metido num sério problema.


Depilação masculina. Escrever um texto sobre este "não-tema".


É por aqui que vamos. Sim, se parar de rir, sorrir, vá, era agradável, sinal que ia continuar a prestar atenção à prosa. Bom...


A depilação masculina remete-me sempre para a Idade das Trevas, para a Santa Inquisição.


Eu acho - confesso que não pesquisei, estes textos são de escrita corrida, saem, não há espaço para grandes pesquisas, excepção a uma palavra, uma frase, pouco mais e não gosto de acordos ortográficos, não há cá disso - que homem que se depila já foi sujeito a sessões de tortura em vidas anteriores. Ele sabe ao que vai.


Sim senhor; já vivemos outras vidas ou achava que só havia esta vida (não sei se reparou no detalhe de o (a) tratar por você)?


É fácil fazer a analogia entre a depilação masculina e a tortura que a Inquisição tão bem aplicava. Daí aquela situação das vidas passadas. Eu sei que entendeu, apenas reforcei a ideia, nada de ressentimentos!


Bom, antes que deitem as garras de fora, minhas senhoras, de-pi-la-ção mas-cu-li-na. Apanharam?


Nem pensem. Não vão deixar de ler - já falta pouco para acabar - porque este assunto também vos diz respeito. Somos machistas neste aspecto e só neste. Neste texto, mas ele também vos diz respeito, mais que não seja porque algumas de vós também fazem a depilação.


A razão é simples, redutora, clarinha: nós, homens, nunca fomos mulheres. Mais que justificado o facto de não termos termo de comparação, ao contrário da depilação masculina que sempre podemos comparar com a tortura da Inquisição.


Vá, continue(m) a ler que este texto que, em boa verdade, também tem o seu toque feminino. Isso agora...


Posto isto: homem que é homem não se depila, homem que é homem muda de pele com cera quente - podia ser azeite a ferver.


Quem nunca se depilou que atire a primeira pedra.


Serve também para os Machos-Alfa.


Sim, meus caros, fazer a barba ( ou desfazer ) é depilar. É, garanto. Portanto, este texto - que está mesmo mesmo a acabar - pode continuar. Estamos no mesmo comprimento de onda.


Eu costumo retirar alguns pelos de algumas zonas do corpo em função de determinados objectivos.


Se vou de férias. Por causa da corrida - muito mais higiénico, giro e sexy. porque acho que me dá um ar mais saudável, mais limpinho. Porque sim.


Ainda assim, passo temporadas em que me lembro de Tony Ramos na novela da Escrava Isaura, acho que era essa, vi uma série delas, era puto, lembro-me mal.


Há temporadas em que a Amazónia não passa de um pequeno jardim comparado com a minha vegetação negra, seja em espessura seja em área abrangida.


(Que exagero, não é  nada disto,  exagero, negetaça~parado com a minha vegetaçaa Escrava Isaura, acho que era essa, vi uma spsicolnada disto, mas ficou a imagem, não ficou?)


Muito bem, há quase dois meses decidi fazer a depilação com cera quente.


Foi engraçado, até meti uma foto no Facebook.


Que pedante, eu sei, eu gosto.


Quase dois meses depois ainda sinto o quente da cera, a tocar no muito quente, na pele, no peito, nas pernas, nas costas, nos braços, a espátula em aço inox (acho eu, se não é fica assim que dá jeito ao texto) que parecia mais uma espada. Não sabia se cortava se queimava. Apenas lhe via o brilho enquanto não cerrava os olhos de dor e, que estranho, algum prazer à mistura.


A cara dela. As vestes longas. A marquesa. As luzes.


Jamais esquecerei.


A espátula toca-me a zona da barriga, sobe até ao pescoço, espaço a espaço. Uma, duas e uma terceira vez. Quente. Fecho as mãos. A cara fica tensa. Olho fixamente.


Entre o peito é horrível.


A tortura atinge o ponto mais sádico, até ao momento, no momento em que ela, com luvas a lembrar pelica, pega na ponta de um pedaço de cera, mesmo numa ponta, entretanto fria, e puxa, de baixo para cima. Num repente, e outra vez e uma outra. E sorri!


A cada puxão os meus olhos revoltam-se e reviram-se. Chegam a ver o cérebro, nesse rodar louco. Não esqueça que isto é uma espécie de chá psicoactivo. Eu avisei.


São sensações que nenhum ser humano esquecerá, depois de as sentir (redundância assumida). Horrível!


Na masmorra senti-me um masoquista puro. Dor e prazer. A pele arrancada. O quente. O frio. Coragem - não venham com argumentos.


Vem isto a propósito da Inquisição. Da Santa Inquisição.


Passados todos estes séculos já alguém pensou que naquele tempo houve carrascos enganados em toda a linha?


E não resulta, uma vez mais, de nenhuma pesquisa. Diz-me a intuição.


Sei lá eu se a própria Joana d´Arc terá alguma vez reflectido nisto!


Então, imagine que um masoquista puro, como eu fui naquela masmorra branca, era detido e torturado - não vem ao caso se depois era queimado ou enforcado, raramente saiam de lá com vida e eu saí vivinho -.


Havia algo melhor que uma masmorra escura e carrascos maus - eu conheci um Carrasco bom, era o senhor Artur Carrasco, tinha uma mercearia na rua da minha avó - para um masoquista, puro, tem que ser puro, que uma tortura, com pés e cabeça e porque não com bracinhos e mãozinhas. Tudo misturado.


Não será isto o paraíso!


É por isso que esta história da depilação masculina me faz acreditar, ainda mais, que um dia, um dia longe no tempo, eu fui prisioneiro nas mãos da Santa Inquisição.


Agora sim, acredito que em outra vida fui torturado e só agora é que estou a pagar pelos males dos meus pecados.


Vivemos tempos de Pecado, tempos de Inquisição. Vivemos sim. Toda a vida. Uma vida inteira. Do princípio até ao fim.


Um dia conto o segredo. Sou um gajo de afectos e fiquei afectado com aquilo que me aconteceu.


Ainda sinto a dor...


O prazer!


Na próxima vez podiam sugerir temas menos dolorosos.


Bem sei que depois fica bonito, mas é doloroso.


Ninguém gosta de ser torturado. Depilado, perdão!

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publicado às 00:17



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