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Há um dia que marca para sempre a vida de cada um de nós: quando somos pais.

Tudo se vira ao contrário e tudo quer dizer a vida inteira. Vivemos em função do(s) filho(s), para sempre.

Mas um filho não vem acompanhado com um livro de instruções, somos obrigados a descobrir e a alimentar as suas necessidades e os seus hábitos, nós, pais, que sempre fomos o “número” um antes do “principal actor” entrar em cena.

O “número um” combina agora o stress, a ajuda às amamentações às 3 e 6 da manhã, as noites sem dormir, a falta de tempo para tantas exigências importantes que passam a fazer parte de uma hierarquia antes impensável.

É aqui que entra o exercício. Por culpa das alterações radicais passamos a dar maior importância à fast-food, porque é mais rápido, bebemos (muitos) mais cafés, carregamos no açúcar, saltamos os pequenos-almoços, fazemos os lanches à pressa, quando fazemos, os jantares passam a ser carregados de calorias, e começamos a perder energia e a ganhar peso, o que, eventualmente, pode resultar numa versão mais cansada e rechonchuda, redonda mesmo, do que costumava ser.

A maioria dos homens “caem” automaticamente no estilo de vida descrito em cima a partir do momento em que são pais. E se não o fazem totalmente, é por aí que vão, mesmo que inconscientemente.

Possível resultado, entre outros: um homem que já não se reconhece ao espelho.

Numa altura em que atingimos o pico da forma física reparamos que afinal estamos mais desgastados do que era suposto.

Porque acontece isto? É fácil.

Porque a única coisa que tomamos como garantida na maior parte da vida como solteiros, ou casados mas sem filhos, foi-se: o tempo livre. Ou muito desse tempo.

Uma vez com filhos, o tempo livre de que dispomos diminui drasticamente e todos os segundos passam a ser valiosos.

Cada minuto que passa a tomar conta do novo “número um”, por mais maravilhoso e divertido que possa ser, toma-lhe tempo com o qual nem se preocupava quando não tinha uma versão júnior de si próprio, ou mais do que uma, porque não.

Deste modo, naturalmente vai começar a cortar em atividades que conseguia fazer sem problema de gestão de tempo e, infelizmente, o exercício físico está entre as primeiras. É este o padrão.

Tudo isto durante anos, até que as crianças ganhem autonomia e a vida volte a dar-nos, a nós, pais, o parte do nosso próprio tempo.

Eu próprio passei por estas fases.

Mas podemos tentar contrariar esta tendência natural, com algumas ideias presentes neste artigo, que mostram que o tempo livre, na verdade, continua a existir; está apenas escondido e tem de ser, obviamente, soberba e inteligentemente bem aproveitado.

 

DIVIDA AS TAREFAS

 

Os tempos de macho-alfa em que as mulheres faziam todas as tarefas domésticas – incluindo tratar dos filhos – há muito que já lá vai.

Numa altura em que todas as tarefas passem a ser (mais) divididas lá em casa, marido e mulher passam a ter, obviamente, algum tempo livre para fazer coisas que gostem, correr, por exemplo. É, na minha perspectiva, disso que se trata: correr, não parar, seguir.

Por exemplo, se às terças e quintas for a mãe a dar banho ao bebé antes de ir para a cama, essa meia hora pode ser aproveitada para uma corrida nocturna.

Se às segundas, quartas e sextas for a vez dos avós irem buscar o(s) filho(s) à creche, aproveite para correr ao fim da tarde quando sair do escritório. Há sempre maneira de conjugar, é preciso é saber gerir o tempo. E andar com a mochila e o equipamento dentro da bagageira do carro. Milagres é que não fazemos, ainda.

 

 COMPRE UMA PASSADEIRA

 

É verdade que não há comparação entre correr ao ar livre ou dentro de casa. De todo.

Eu era um rato de laboratório que não concebia correr na rua, apenas na passadeira, no ambiente controlado dos ginásios. Hoje não consigo pisar uma passadeira, a não ser que não haja qualquer alternativa. No entanto, para quem foi pai esta é uma solução para continuar a praticar exercício e continuar a correr.

Nos dias em que tiver de cuidar do seu filho e estiver em casa, pode aproveitar a hora da sesta para ligar a passadeira e fazer um treino com a intensidade que mais se adaptar a si. Porque não?

Desde que não acorde a criança.

Vantagens: para além de poder interromper o treino caso ele comece a chorar por qualquer motivo e poder voltar para a passadeira, é uma boa maneira de correr durante o tempo que tiver disponível, seja de manhã, tarde ou noite.

Para além disso, se é daquele tipo de pessoa que não gosta de correr em dias de chuva ou mais frios, esta é uma boa alternativa. Eu adoro correr com chuva e frio, mas isso sou eu que sou um Gato anormal.

 

CORRA COM O SEU FILHO

 

Apesar de não ser aconselhável, no imediato, com recém-nascidos, por motivos facilmente entendíveis, quando já estiver perto de um ano pode passar bons tempos com o seu filho e levá-lo consigo para as suas corridas. Eu nunca o fiz. Quando comecei a correr os meus filhos já eram grandes para caber no carrinho de bebé, mas você pode.

Como? De duas maneiras:

Levá-lo num carrinho de três ou quatro rodas, confortável e adaptado, para ir mais rápido que o habitual.

Deste modo, pode até convidar a mamã. Verá que ele e ela vão gostar e que vão passar bons tempos em família. A correr.

Arranje um marsúpio (bolsa) confortável, para colocar nas costas ou agarrado ao peito, que segure e proteja bem o bebé e siga, toca a correr com ele.

Esta forma até será benéfica para si, uma vez que vai correr com mais peso, aumentando o esforço necessário e fortalecendo os músculos envolvidos. Soa a desculpa mas é verdade.

Correr é algo fantástico.

Ser pai é algo fantástico.

É nesta dialética que pode ser complicado manter a forma física numa das alturas mais apertadas da sua vida, principalmente quando se é pai pela primeira vez, na qual tudo é novo e há muito para aprender. Lá está, não há livro de instruções para filhos, mas há soluções.

Com força de vontade e se conseguir gerir bem o tempo ao longo da semana, verá que é possível conjugar todas as tarefas que tem de fazer e ainda (tentar) manter a forma física.

Os meus filhos são adolescentes, as exigências são diferentes, apesar de a liberdade de movimentos ser maior, no entanto as exigências continuam a existir e, uma coisa garanto, correr à meia-noite junto ao rio, ou as cinco da manhã em plena Lezíria ribatejana são duas experiências que dificilmente se conseguem traduzir.

São viagens, pai, o seu filho um dia, olhe, quando lhe pedir os primeiros ténis para correr, prepare-se.

Passa tudo tão rápido.

A vida e as corridas.

 

(Este artigo foi produzido em parceria com a equipa ComparaJá.pt.

É o novo (o segundo) parceiro oficial do blog do Gato)

 

 

 

 

 

 

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publicado às 19:02



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